quarta-feira, agosto 23, 2017

Quem foi Dom Antonio Caggiano?


Dom Antonio Caggiano foi um cardeal católico que ficou famoso por organizar uma das principais rotas de fugas de criminosos nazistas.
Caggiano era bispo de Rosário, na Argentina, quando foi chamado a Roma, em 1946, para ser ordenado Cardeal. Lá ele transmitiu ao cardeal francês Eugéne Tisserant a informação de que o governo argentino estava aberto para receber “cidadãos franceses cuja atitude polícia durante a recente guerra pode tê-los exposto a medidas cruéis e retaliações”.
Na verdade, o bispo de Rosário era o porta-voz do ditador argentino Juan Perón. As razões de Perón incluíam gratidão pela ajuda dada pelos nazistas entre 1943 e 1945 e simpatia pelos ideais fascistas.

Nos meses seguintes, 300 a 500 criminosos de guerra foram para a Argentina com passaportes fornecidos pela Cruz Vermelha de Roma e sob a proteção do cardeal Antonio Caggiano. Muitos deles passaram a morar na Argentina, trabalhando em fábricas locais.  

O uivo da górgona


Um som se espalha pela cidade (ou pelo estado, ou pelo país, ou pelo mundo?). Um som que ouvido transforma as pessoas em seres irracionais cujo único o objetivo são os instintos básicos de violência e fome. É o uivo da Górgona.
Acompanhe a história dos sobreviventes neste livro de terror, uma história de zumbis diferente, em que qualquer um pode se transformar, bastando para isso ouvir o terrível uivo da górgona.
Escrito em capítulos curtos, o livro transforma o suspense em elemento de fantasia, prendendo o leitor da primeira à última página. 
Pedidos: profivancarlo@gmail.com. 

terça-feira, agosto 22, 2017

Quadrinhos: O início no Brasil

           
Ao folhear qualquer livro sobre histórias em quadrinhos - mesmo os escritos no Brasil - o leitor encontrará a informação de que a primeira HQ foi Yellow Kid, de Richard Outcoult. Nada mais falso. Antes do menino amarelo havia arte seqüencial sendo publicada na Alemanha, na França e outros países. Na verdade, os americanos, como fizeram com o avião, se aproveitaram do domínio que têm sobre a mídia para propagar o seu ponto de vista. O livro As Aventuras de Nhô-Quim e Zé Caipora, lançada pelo Senado Federal, em uma edição organizada pelo Coronel e estudioso Athos Eichler Cardoso, mostra que os norte-americanos não podem pedir sequer o mérito de terem criado os quadrinhos de aventura.
            Nhô-Quim e Zé Caipora são criações do ítalo-brasileiro Ângelo Agostini, um dos jornalistas e ilustradores mais importantes da imprensa brasileira. Agostini nasceu em Verceli, na Itália, passou a adolescência em Paris, onde estudou na Escola de Belas Artes. Veio para o Brasil ainda jovem e não quis mais voltar para a Europa. Aqui ele se tornou um símbolo da imprensa republicana e abolicionista. A Revista Ilustrada, fundada e dirigida por ele, era o periódico de maior prestígio no Brasil do final do século XIX, sendo o principal registro histórico e iconográfico da luta contra a escravidão. A publicação chegou a ter quatro mil assinantes, o que era um recorde absoluto para um país cuja maioria da população era analfabeta.
            O primeiro trabalho de Agostini com quadrinhos foi As Aventuras de Nhô-Quim. O primeiro capítulo foi publicado em 30 de janeiro de 1869, no jornal Vida Fluminense. A data, que revela claramente que somos muito anteriores aos norte-americanos (Yellow Kid é de 1896) hoje é comemorada como dia do quadrinho nacional. Ângelo Agostini deu nome ao mais importante troféu brasileiro de quadrinhos (do qual o autor deste texto foi o ganhador como melhor roteirista em 1999).
            Nhô-Quim contava a história de um caipira rico e ingênuo, que vai à corte e se envolve em todo tipo de trapalhadas. A história mostrava o conflito entre a cultura rural e urbana, o que fica evidenciado na seqüência em que Nhô pára para tomar um café e acaba perdendo o trem. Agostini usa a história do caipira para criticar os problemas urbanos, modismos e costumes sociais e políticos da época.
            Mas o melhor momento de Agostini é mesmo Zé Caipora. Obra de um artista maduro, a série antecipa os quadrinhos de aventura que tanto fizeram famosos personagens como Tarzan e Flash Gordon. O primeiro capítulo de Zé Caipora foi publicado em 27 de janeiro de 1883 nas páginas da Revista Ilustrada (sempre é bom lembrar que Yellow Kid é de 1893). O sucesso foi tão grande que a série chegou a ter quatro edições e serviu de inspiração para uma canção popular, peças teatrais e até dois filmes mudos. Zé Caipora era multimídia.
            Os primeiros capítulos são ainda humorísticos e o personagem se parece um pouco com Nhô-Quim, com o nariz em continuação com a testa. Depois, a história se torna mais aventuresca e o desenho se torna realista. Nessa segunda fase, o herói enfrenta onças, índios bravios e uma sucuri. O momento em que Zé, amarrado a uma árvore, serve como alvo para as índias treinarem sua pontaria no arco-e-flexa, é memorável e demonstra o perfeito domínio que Ângelo Agostini tinha da arte seqüencial. São cinco quadros mostrando o herói desviando-se das setas e parecemos ver seus movimentos.

            Além disso, há seqüências de panorâmicas, que só seriam usadas nos quadrinhos ianques com Tarzan, na década de 20 do século XX. Outra cena mostra até um sonho, com o desenho envolvido por nuvens para demonstrar que os acontecimentos não devem ser lidos de forma literal. Em suma, Agostini antecipou muitas das técnicas que só seriam usadas pelos norte-americanos muito tempo depois. 

Mano Juan, de Marcos Rey

Mano Juan é um lançamento da Global, editora que está publicando as obras completas de Marcos Rey. O livro, escrito na década de 1970 e lançado após a morte do autor, conta a história de um guerrilheiro ferido que chega a são Paulo e, sem ter a quem recorrer, procura um jornalista que escrevera diversos artigos sobre ele. Mas é a época da ditadura militar e o repórter teme se comprometer. Além disso, Dalila, uma atriz de pornochanchadas pela qual se apaixonara, lhe prometera para aquele dia uma noite de amor em troca da publicação de suas fotos no jornal. 
Marcos Rey é um dos grandes roteiristas de cinema do Brasil, tendo escrito diversas pornochanchadas e novelas (experiência que ele conta nos livros O roteirista profissional: televisão e cinema e Esta noite ou nunca. Esse olhar cinematográfico permeia a maior parte de sua obra, inclusive a juvenil, como O Mistério do Cinco Estrelas e O Rapto do Garoto de Ouro, mas é ainda mais visível em Mano Juan. O capítulo de abertura do livro é uma boa amostra desse tino visual: construído emtakes, mostra a chegada de um guerrilheiro a São Paulo e a balbúrdia da rodoviária num feriado prolongado:

"Como era sexta-feira da Paixão parte da população da cidade batia asas. São Paulo, parcialmente deserta, transformava-se numa amplo parque ideal ao adestramento de motoristas de carta nova. (...) O número de mulheres e crianças, superior ao de homens, contribuía para intensificar a irritante sonorização do ambiente, apenas dominada pela voz de uma locutora que anunciava a partida dos ônibus numa robotizada emissão vocal (...) O tumulto maior e mais angustiante concentrava-se nas escadas, a de degraus e a rolante, onde acontecia um massacre de proporções razoáveis. Inúmeros balcões e guichês de transportadoras informavam por escrito: 'Não há mais passagens' (...) Uma mulher grávida, segurando uma criança em cada mão, parecia ter perdido o marido e chorava, um grupo de cabeludos ameaçava destruir um dos balcões de passagens, um estrangeirão, loiro, tentava fazer-se entender".

A história toda parece ter sido escrita como um roteiro de cinema, inclusive com flash backs e e referências diretas a filmes em trechos como: "Batista diante daquela bem-rodada cena do cinema nacional, ficou cabreiro e começou a lançar olhares de pesquisa ao redor", "os seios, que só vira em filmes pornô, saltaram como molas, pagando na boca do caixa o trabalho das fotografias". 

Marcos Rey constrói a trama como um thriller de humor com personagens marcantes: o guerrilheiro saudoso da infância, o jornalista que o tempo todo divide o pensamento entre o medo de ser preso e a possibilidade de conseguir, finalmente, levar a atriz para a cama; a atriz de pornochanchadas que se deslumbra com a possibilidade de fama, mas se apaixona pelo guerrilheiro; o líder sindical que é respeitado pelos trabalhadores, mas em casa é tiranizado pela mulher... O autor apresenta uma verdadeira fauna de tipos que vão desfilando diante do leitor num verdadeiro plano sequência que vai das 19h10 da sexta às 4h05 da madrugada de sábado. 

O livro tem gosto da década de 1970 em que a tensão provocada pela ditadura militar se misturava à revolução sexual, à moda hippie de vestir e à profusão de gírias. Expressões como "cana brava", "manjo seu truque, malandro", "a velha teve outro balacobaco" ajudam a dar o clima do momento histórico.

Mano Juan foi escrito em 1978, mas permaneceu inédito até 2005. Em 2003, quando a Global negociou com a viúva Palma Donato a publicação de toda a obra de Rey, ficou acertado que, além dos títulos já publicados, a editora teria prioridade sobre esse inédito. Cumprindo o acordo, a viúva entregou à editora os originais datilografados. 

A Global fez um verdadeiro trabalho de fã, com uma edição belíssima, que segue o padrão das outras obras da coleção Marcos Rey, uma sugestiva capa Victor Burton, com imagens que simbolizam bem a trama, como uma loira, um revólver, uma garrafa de uísque e um botton de Che Guevara. Além disso, incluiu uma apresentação de Ignácio de Loyola Brandão, que acertadamente escreve: "Ele (Marcos Rey) foi um homem desprezado pela crítica, mas lentamente começa a ser reavaliado, revisado e sua obra reciclada. Era um narrador sutil e fino, e a prova está em cada página deste livro que inclusive é permeado pela mais intensa ironia, pelo sarcasmo. Quem nunca leu Marcos Rey pode começar por este Mano Juan". Bom conselho. 

Quem foi Alois Hudal?


Alois Hudal foi um bispo austríaco que ficou famoso por ter salvo vários criminosos nazistas, mandando-os para países da América Latina.
Hudal era de um seminário para padres alemães e austríacos em Roma. Nazista confesso, ele foi nomeado pelo Vaticano para visitar os nazistas presos na Itália.
Ele não só os visitou, como usou sua posição de destaque para providenciar a fuga da maioria desses criminosos. Ele os libertava com documentos falsos e os escondia no interior da Itália.

As autoridade começaram a desconfiar do esquema e o bispo decidiu que precisava tirar seus protegidos da Itália, enviando-os para a América Latina. Para isso ele lhes dava documentos falos emitidos pela Comissão de Refugiados do Vaticano, que os ajudava a conseguir passaporte com a Cruz Vermelha. Normalmente a Cruz Vermelha checava os registros, mas sendo recomendação de um religioso, a Cruz Vermelha não fazia perguntas, o que permitiu que muitos criminosos desaparecessem, alguns para sempre.

Glass | Sequência de Fragmentado e Corpo Fechado ganha sinopse oficial

 
A Universal divulgou a sinopse oficial de Glass, longa que é uma sequência de Fragmentado e de Corpo Fechado. Confira:
M. Night Shyamalan junta a narrativa de dois dos seus grandes trabalhos originais – Corpo Fechado, de 2000, e Fragmentado, do ano passado – em um explosivo e novo thriller de quadrinhos: Glass. De Corpo Fechado, Bruce Willis retorna como David Dunn, assim como Samuel L. Jackson como Elijah Price, também conhecido pelo pseudônimo Mr. Glass. De Fragmentado, James McAvoy reprisa seu papel como Kevin Wendell Crumb e suas múltiplas personalidades e Anya Taylor-Joy é Casey Cooke, a única sobrevivente do encontro com A Fera.
Leia mais

Francesco Francavilla


segunda-feira, agosto 21, 2017

Valerian - o filme

Gostei de Valerian. O filme tem inegáveis problemas de roteiro (como o envolvimento romântico forçado dos personagens, com Valerian pedindo Laureline em casamento logo nos primeiros minutos), mas nada que realmente comprometa a história ou a verossimilhança do roteiro. 
A série Valerian se destaca pelos protagonistas carismáticos, mas principalmente por ter sido uma das melhores histórias em quadrinhos que desenvolveram o "sense o wonder". 
O roteirista Christin sempre foi um mestre do olhar antropológico futurista: em mostrar raças, situações, culturas e costumes extraterrestres e isso está bem preservado no filme de Luc Bresson.
O mercado que só existe em outra dimensão, a estação espacial que é ponto de centenas de raças, o pequeno mascote capaz de reproduzir tudo o que come, os mais variados tipos de seres com seus costumes estranhos para nós, tudo isso está ali, assim como o humor característico dos quadrinhos. Valerian é uma ótima diversão.

Como foi a reação à descoberta dos campos de concentração?


Os soldados aliados que libertaram os prisioneiros nos campos de concentração ficaram espantados com o que viram. Os norte-americanos que liberaram o campo de Dachau,  viram milhares de corpos de prisioneiros, que forravam os galpões e vagões de trens, numa cena de terror absoluto. Ficaram tão revoltados que executaram, a pauladas, pedradas e tiros, os 112 soldados alemães que faziam a guarda do centro.
Em Buchenwald as mulheres alemãs foram obrigadas a visitar o campo de concentração local. Elas cantavam e marchavam, com sorrisos no rosto. Ao verem o que realmente acontecia lá, e o monte de corpos espalhados pelo local, saíram chorando e em desespero, abaladas com o que estavam vendo.
Para muitos a libertação dos campos de concentração não representou necessariamente a salvação. Foi o que aconteceu com oito mil sobreviventes que estavam sendo resgatados pena baia de Neustadt. Os três navios que resgatavam os prisioneiros foram bombardeados, por engano, pelos aviões da Força Aérea Britânica. Foi o pior caso de fogo amigo da guerra.

Outros 11 milhões de pessoas, entre adultos e crianças,  terminaram a guerra como refugiados e aguardavam auxílio das forças aliadas para encontrarem um novo lar.

John Cassaday


domingo, agosto 20, 2017

Morreu Jerry Lewis



Morreu Jerry Lewis, um dos maiores humoristas do cinema. Seus filmes eram presença obrigatória na sessão da tarde quando eu era criança. Ou vai ou racha era o meu predileto: perdi a conta de quantas vezes o assisti. Espero que com sua morte a televisão o redescubra e a nova geração conheça esse mestre do humor.

O governo brasileiro encorajou a vinda de nazistas para o Brasil?


Sim. Documentos recentemente liberados pela Delegacia de Ordem Pública e Social (DEOPS) mostram que o governo brasileiro foi complacente e até incentivou a vinda de criminosos de guerra para nosso país.
Os documentos são cartas trocadas entre as representações brasileiras em Roma e Berlim e mostram que a diplomacia fechava os olhos para empresários, engenheiros e militares, que eram encorajados a declarar e nomes e profissões falsos.
Alguns historiadores acreditam que o próprio presidente Eurico Gaspar Dutra sabia do que se passava. Além da simpatia que alguns setores do governo sentiam pelo nazismo, havia a desculpa de que técnicos e empresários alemães poderiam contribuir para a industrialização do país.
Diversos criminosos de guerra passaram pelo Brasil. Alguns nem se deram ao trabalho de mudar de nome, o que é o caso de Franz Stangl, o que mostra o quanto eles se sentiam seguros em terras tupiniquins.
A lista dos nazistas que vieram para as terras tupiniquins inclui ainda Gustav Wagner, um dos responsáveis pelo campo de extermínio de Sobidor, o mais mortal de todos, Hebert Cuckurs, acusado de participar da morte de 30 mil judeus, e, claro, Joseph Mengele, o médico que fazia experiências macabras com os prisioneiros de campos de concentração.

Se por um lado, o governo brasileiro facilitava a vinda de nazistas, ele dificultava a vinda de judeus. Uma circular secreta de 1947 recomendava restringir a entradas de judeus no país. 

sexta-feira, agosto 18, 2017

Quais foram os maiores massacres da II Guerra Mundial?


Excetuando as mortes ocorridas nos campos de extermínios, os maiores massacres da guerra aconteceram na Rússia. Calcula-se que cerca de três mil pessoas teriam morrido diariamente durante o cerco alemão à cidade Leningrado, em 1941. Sem rota de saída, a cidade ficou sem comida e virou palco de epidemias. Faltava também aquecimento e combustível. Para aplacar a fome, algumas pessoas praticavam o canibalismo, comendo até mesmo seus mortos.

Outro grande massacre, agora de alemães, aconteceu quando os soviéticos bombardearam o cruzeiro alemão Wilhelm Gustloff, em 1945. Teriam morrido sete mil pessoas, o que faz desse o maior desastre naval da história, superior inclusive ao naufrágio do Titanic, que vitimou cinco mil pessoas.  

quinta-feira, agosto 17, 2017

Salvat lançará coleção A espada selvagem de Conan

O site O Vício deu hoje uma notícia há muito aguardada pelos fãs: finalmente será lançada no Brasil a coleção de álbuns da Espada Selvagem de Conan. O primeiro volume será vendido a R$ 9,90 e já está à venda em alguns estados, como forma de testar o mercado.
Confira a notícia aqui
Um dono de banca do Espírito Santo fotografou a edição nacional e colou na rede. 


Quem foi Wilm Hosenfeld?


Quem assistiu ao filme O Pianista deve ter ficado intrigado com o oficial nazista que salva Wladislaw Szpilman, escondendo-o no sótão de uma casa e lhe levando comida. O nome desse oficial era Wilm Hosenfeld e cartas suas recentemente publicadas revelam que ele não só salvou o pianista, como outras pessoas, pois discordava do genocídio praticado pelos alemães.
Hosenfeld era um veterano da Primeira guerra Mundial, na qual lutou muito jovem. Como outros alemães, sentia-se ressentido com o Tratado de Versalhes e achou uma resposta para suas ansiedades no partido nazista. Alistou-se em 1939, tendo participado da invasão da Polônia, mas seu entusiasmo com o nazismo terminou no dia em que viu uma criança ser executada por ter roubado um pouco de feno.
Sua revolta era expressa em cartas à mulher. Em uma delas dizia: "Envergonho-me de fazer parte dos culpados por uma tragédia tão grande, sem poder auxiliar as vítimas" . Em outra afirmava: “Pode um alemão ainda mostrar-se ao mundo? É para isso que nossos soldados morrem na frente de batalha? A história não conhece nada igual. Talvez os arcaicos tenham praticado o canibalismo. Mas nós que conduzimos a cruzada contra o bolchevismo, como podemos abater homens, mulheres e crianças em pleno século XX? Seremos normais? A culpa é tão grande que nos faz afundar no chão de vergonha.Será que o demônio adotou forma de gente?”.
Como forma de resistência, começou a esconder fugitivos, a fornecer comida e documentos falsos. Salvou tantos quanto pôde. Mesmo as cartas enviadas à família já seriam suficientes para condená-lo à morte, mas mesmo assim ele continuou praticando o bem até ser preso pelos russos.  Apesar dos apelos de muitas pessoas que tiveram sua vida salva por ele, Stalin não abrandou sua pena, condenando-o a 25 anos de trabalhos forçados, praticamente uma condenação à morte na União Soviética stalinista. Ele morreu em 1952, num campo de prisioneiros, aos 57.

Sua vida demonstra que, mesmo para os que estavam diretamente envolvidos com o regime, havia como fazer algo para evitar o massacre de pessoas. 

Steve Rude


quarta-feira, agosto 16, 2017

O ataque a Pearl harbour foi orientado por espiões?


O ataque japonês a Pearl harbour foi um dos momentos mais importantes da II Guerra Mundial, pois apressou a entrada dos EUA no conflito. Uma investigação efetuada pelo coronel norte-americano Franck Knox mostrou que muitos cidadãos de origem nipônicas, moradores de Honolulu, no Havaí, faziam espionagem para os japoneses e orientaram os ataques.
Uma prova disso é que os aviões atacaram preferencialmente os hangares cheios de aviões, ignorando completamente os que estavam vazios.
Aparentemente agricultores eram usados para espionar as intalações militares. Enquanto iam entregar verduras aos comissários de bordo dos navios de guerra, procuravam conhecer as unidades da esquadra norte-americana em Pearl Harbour.
Um japonês, preso por usar um transmissor de ondas curtas, durante o ataque a Pearl Harbour, era um negociante que durante 20 anos fora um frequente visitante do quartel de Schofield, posto militar do exército norte-americano.

Além disso, parece que os próprios norte-americanos treinaram alguns dos pilotos que os atacariam. Alguns dos japoneses abatidos tinam anéis de academias de aviação dos EUA.

Joyland


Stephen King é mais conhecido pelos livros de terror. Entretanto, alguns dos melhores momentos dele foram em textos que pouco tinham do gênero, a exemplo da noveleta O corpo (que deu origem ao filme Conta comigo) ou o romance O corredor da morte (que deu origem ao filme À espera de um milagre). Em Joyland, King mostra que pode ser um mestre em outra modalidade: o policial.
A história se passa em um parque de diversões (o Joyland do título) assombrado por um assassinato: uma garota foi degolada no meio de um brinquedo (conhecido no Brasil como trem fantasma). O assassino nunca foi pego e tudo leva a crer que ele matou outras garotas. A moça assassinada aparece de tempos em tempos para trabalhadores do parque, pedindo ajuda.
O personagem principal é um jovem universitário que acabou de ser chutado pela namorada e aceita um trabalho provisório no parque. Juntam-se a ele dois outros estudantes: uma linda garota ruiva e seu namorado fortão e simpático.
Como o leitor certamente adivinhou, a trama gira em torno da tentativa de se descobrir quem é o assassino (e, numa óbvia contribuição Kingiana, acrescenta-se um garoto doente com dom mediúnico). Mas esse não é o forte de Joyland (embora providencie um final realmente eletrizante). O forte do livro é aquilo que King faz melhor: mostrar personagens cativantes em uma narrativa saudosista. O capítulo em que o garoto doente é levado para passear no parque é um dos pontos altos da obra – algo que só King, com sua narrativa rica e extremamente coloquial conseguiria fazer.
O livro emula os pulp fictions não só na trama, mas também na capa, com o título em fonte vintage, mostrando uma garota Hollywood com sua máquina fotográfica na mão olhando apavorada para alguém que se aproxima, tendo o parque de diversões ao fundo.
Esse estilo saudosista é bem resumido no trecho: “Essas são coisas que aconteceram há muito tempo, em um ano mágico em que o petróleo era vendido por onze dólares o barril. O ano em que meu coração foi partido. O ano em que perdi a virgindidade. O ano em que salvei uma linda garotinha de se engasgar e um velho bem cruel de um ataque cardíaco (...) Também foi o ano em que aprendi a usar uma língua secreta e a dançar o Pop Pop com uma fantasia de cachorro. O ano em que descobri que há coisas piores que perder uma garota”.

Surpreendentemente para King, o livro tem exatas 239 páginas, o que permite ler de uma sentada. 

Galeão


Galeão é uma obra de fantasia histórica escrita por Gian Danton que se passa em algum lugar do Atlântico, no século XVII.

Depois de uma noite de terror, em que algo terrível acontece, os sobreviventes descobrem que estão em um navio que não pode ser governado e repleto de mistérios. A comida está sumindo, alguém está cometendo assassinatos, uma mulher é violentada e o tesouro do capitão parece ter alguma relação com todo o tormento pelo qual estão passando.

Galeão mistura vários temas da ficção fantástica e outros gênero numa trama policial, já que um psicopata parece estar agindo entre os sobreviventes. A história torna-se, assim, um quebra-cabeça a ser desvendado pelo leitor.

Valor: 25 reais - frete incluso. 

Pedidos: profivancarlo@gmail.com. 

O uivo da górgona


Um som se espalha pela cidade (ou pelo estado, ou pelo país, ou pelo mundo?). Um som que ouvido transforma as pessoas em seres irracionais cujo único o objetivo são os instintos básicos de violência e fome. É o uivo da Górgona.
Acompanhe a história dos sobreviventes neste livro de terror, uma história de zumbis diferente, em que qualquer um pode se transformar, bastando para isso ouvir o terrível uivo da górgona.
Escrito em capítulos curtos, o livro transforma o suspense em elemento de fantasia, prendendo o leitor da primeira à última página. 
Pedidos: profivancarlo@gmail.com. 

terça-feira, agosto 15, 2017

Groo, o errante



Groo é uma sátira dos quadrinhos de espada em magia (a exemplo de Conan), criado por Sérgio Aragonés, famoso por seu trabalho na revista MAD.
Aragonés elaborou seu personagem na década de 1970, mas na época a política de direitos autorais das editoras americanas não era favorável aos criadores e o cartunista guardou a ideia na gaveta.
Quando a Marvel criou a linha Epic, em que os direitos ficavam com os criadores, Aragonés resolveu publicar uma história de seu personagem.
Para isso ele convidou o amigo e Mark Evanier, que ficou responsável pelos textos e diálogos.
O personagem foi publicado pela primeira vez na revista Destroyer Duck #1, em 1981 e logo alcançou grande sucesso. Afinal, não só era sátira de um dos personagens mais populares da Marvel, como também era uma das melhores revistas de humor já lançadas.
Logo o personagem ganhou título próprio pela Pacif Comics. O título depois passou pela Epic, Image e atualmente Dark Horse.
No Brasil o personagem apareceu pela primeira vez na coleção Graphic Novel, número 14, em uma história que mostrava a “morte” do personagem.
Um  dos atrativos de Groo é toda a caracterização bolada por seus criadores. Apaixonado por queijo derretido, Groo é burro como uma porta, um desastre ambulante e um guerreiro invencível. E afunda todos os barcos nos quais entra. Quando ele entra em uma cidade, os moradores sabem que estão perdidos, por melhores que sejam suas intenções (em uma sequência, um homem pergunta a outro: “Este é Groo?”, ao que o outro responde: “Não pode ser, nós ainda estamos vivos”).
A série tem também uma rica galeria de personagens secundários. Entre eles o Sábio, que tem sempre um provérbio pronto para qualquer situação e sempre tenta impedir que Groo se torne um desastre; o Menestrel, que narra as histórias, sempre em rima; Rufferto, cão fiel companheiro de Groo, tão fascinado por seu dono que acha até mesmo que ele é inteligente; Taranto, um saqueador que sempre tenta se aproveitar da ingenuidade de Groo. Além da enorme quantidade de reis que veem seus reinos destruídos pela simples presença de Groo.

Uma curiosidade é que Groo se encontrou já com Conan em uma história publicada pela Dark Horse.

Francesco Francavilla


Francesco Francavilla


segunda-feira, agosto 14, 2017

Morreu Álvaro de Moya

Faleceu hoje Álvaro de Moya. 
Moya foi um dos primeiros pesquisadores de quadrinhos do Brasil. Era também quadrinista e foi um dos idealizadores da primeira exposição internacional de quadrinho do mundo, realizada em São Paulo, em 1951. 
Eu conheci Moya no final da década de 1980, quando descobri o livro Shazan na biblioteca da UFPA. O livro, organizado com ele e com artigos de diversos autores (eles eles Jô Soares), foi durante muitos anos uma das principais, senão a principal referência sobre quadrinhos no Brasil. Eu lia e relia, em especial os capítulos escritos pelo próprio Moya. Sua análise sobre as HQs Spirit, de Will Eisner, faziam com que qualquer um se apaixonasse pela obra de Eisner.
Moya não escrevia academicamente. Seu texto era fluído, irresistível e certamente foi através dele que muitos se apaixonaram não só pelos quadrinhos, mas também pelo estudo dos quadrinhos.
Eu o conheci em meados da década de 1990, em uma palestra na Gibiteca de Curitiba na qual tive o prazer e honra de conversar com ele e comprar um exemplar autografado de Shazam!, um dos itens mais queridos da minha biblioteca. 


Ah, além disso ele foi autor de vários outros livros sobre quadrinhos e foi um dos pioneiros da TV brasileira.
Hoje os quadrinhos são valorizados como arte e há os mais diversos estudos sobre eles, nos mais diversos pontos do país. Boa parte dessa valorização se deve ao trabalho pioneiro desse grande mestre.
Descanse em paz, Álvaro de Moya.

Por que os nazistas não desenvolveram a bomba atômica?


Durante muito tempo se acreditou que o atraso do programa nuclear alemão era fruto da sabotagem  do cientista Werner Heisenberg. Isso porque, em 1941 em uma reunião em Copenhague, na Dinamarca, ele revelou ao amigo Niels Bohr, que os alemães estavam avançando no sentido de dominar a tecnologia atômica.
O fato dele ter avisado o amigo e do programa não ter avançado com a rapidez necessária fez muitos historiadores acreditarem que Heisenberg teria sabotado ou, no mínimo atrasado o programa nuclear alemão.
Cartas descobertas recentemente demonstram que talvez essa não seja a versão correta da história.
Na carta, Heisenberg dizia que os nazistas iam ganhar a guerra com a bomba atômica e não demonstrava qualquer remorso por isso. Aparentemente ele não estava avisando o amigo, mas se gabando da ciência nazista.
Pelo jeito, Heisenberg simplesmente fracassou, apesar de seus melhores esforços, não conseguindo produzir a bomba. Ao falar sobre o assunto com Bohr, ele estava tentando descobrir o que o amigo sabia, ou seja, fazendo uma espionagem que o ajudasse em suas dificuldades.

Isso explica porque Bohr interrompeu inesperadamente a reunião em Copenhague e porque acabou com uma longa amizade que mantinha com o heisenberg. Bohr teria compreendido o isso significava para o futuro do mundo e teria ficado indignado com a falta de ética do amigo. 

Júlio Verne, o viajante das idéias



Houve uma época em que milhões de crianças no mundo todo se deliciavam com viagens extraordinárias em que o mundo se revelava diante delas trazendo consigo as maravilhas de uma nova ciência: a geografia. Tudo graças a um escritor francês dotado de imaginação e rigor na busca de informações. Seu nome era Júlio Verne.
Quando Verne publicou seu primeiro romance,  Cinco Semanas Num Balão, em 1863, as descobertas científicas aconteciam a um ritmo cada vez mais rápido. Darwin publicara há cinco anos seu livro A Origem das Espécies, de Darwin. Há pouco tempo Pasteur divulgara suas descobertas, que derrubavam a teoria da geração espontânea de vida e lançava a teoria dos vermes como causadores de doenças. Entretanto, o povo, o cidadão comum, ainda via a ciência como uma desconhecida, uma curiosidade de laboratório, de interesse apenas de homens sábios. Pouco havia sido escrito que fosse do entendimento do homem comum e, principalmente, das crianças.
Cinco semanas num balão começou com o nome de A Viagem no ar. Em outubro de 1862, Júlio Verne apresentou o original para o editor Pierre-Jules Hetzel. Hetzel foi tão importante no direcionamento da carreira desse, então estreante escritor, que pode, de certa forma, ser considerado co-escritor. O livro era uma referência direta aos exploradores que revelavam os segredos da África. Nele, o doutor Samuel Fergunson, seu amigo Dick Kennefy e um empregado se aventuram do Zanzibar até o Niger em um balão, refazendo o percurso de muitos dos homens que desbravaram o continente. Hetzel fez várias sugestões para tornar a história mais palatável, inclusive a mudança do título para Cinco semanas num balão. Hetzel tinha tanta confiança no texto de Verne que o fez assinar um contrato para outros livros. O contrato dizia, abertamente que o objetivo dos livros era: “Resumir todos os conhecimentos geográficos, geológicos, físicos, astronômicos, acumulados pela ciência moderna e refazer, sob a forma atrativa e pitoresca que lhe é própria, a história do Universo”.   
Em Cinco Semanas Num Balão, Júlio Verne, com o auxílio de Hetzel, introduzira um novo tipo de novela - uma forma diferente de contar história, um misto de ficção e realidade.
Qualquer itinerário serviria para o Vitória, mas a viagem tornara-se mais real porque acompanhava claramente o percurso da expedição de 1850 levada a cabo pelos exploradores Richard Francis Burton e John Hamming Speke.
Quanto à construção do balão, Júlio Verne tornara-a perfeitamente praticável com seu complicado fogão que provocava a expansão do hidrogênio por meio de aquecimento, fazendo o aparelho elevar-se sem ser necessário sacrificar lastro. A idéia do balão duplo foi tomada de Mensnier de Laplace e Nadar; a bateria elétrica viera das experiências  de Albert Wilhehn Bursen e a luz brilhante do arco improvida para arrancar o desgraçado missionário lazarista às torturas infligidas pelos selvagens africanos viera dos manuscritos de Humphry Javoy.
Tudo isso deu à história uma verossimilhança que jamais se vira em um livro de aventuras, abrindo caminho para toda a literatura de ficção-científica do século XX. Mais: a obra de Verne se tornou a base do gênero Steampunk, um dos mais populares e importantes do século XXI.
Depois de Cinco semanas em um balão, vieram diversos outros livros, como Viagem ao centro da Terra, A volta ao mundo em 80 dias, Da Terra à Lua e, o mais famoso deles, 100 mil léguas submarinas.

John Cassaday


domingo, agosto 13, 2017

Os nazistas tentaram construir uma bomba atômica?


Sim. A descoberta recente de historiadores mostra um diagrama mostrando uma bomba nuclear nazista.
O desenho, no entanto, é apenas um rascunho, e não indica que os nazistas estiveram realmente próximos de construir uma arma desse tipo, embora provavelmente estavam mais perto esse objetivo do que se pensava anteriormetne.
O diagrama foi publicado na revista Physics World pelos historiadores Rainer Karlsch e Mark Walker, professor de história do Union College em Schenectady, nos Estados Unidos
A idéia dos nazistas era combinar uma mini-ogiva nuclear com um míssil. Os militares da época acreditavam que poderiam construir a bomba em seis meses, mas a controvérsia sobre a quantidade de urânio necessária para isso atrapalhou tudo. O físico Werner Heisenberg sustentava que deveria ser uma grande quantidade. Anotações de pesquisadores, encontradas Karlsch sugerem que se pensava em cinco quilos, um número muito próximo ao de fato usado pelos norte-americanos.

Entrentanto, o professor Paul Lawrence Rose, autor de um livro sobre o programa nuclear nazista, diz, por mais que alguns cientistas tenham chegado perto da quantia certa de urânio, o grupo de Heisenberg provavelmente continuou insistindo em uma quantidade maior. 

sábado, agosto 12, 2017

Como era o bunker de Hitler?


O bunker, um abrigo subterrâneo, foi o local em que Hitler passou os últimos dias da II Guerra Mundial. O bunker tinha 16 ambientes, incluindo dormitórios, salas de lazer e refeitório. Havia também uma ala que servia de hospital militar e outra que servia de refúgio para desabrigadas e grávidas. O projeto original incluia torres de vigia e guaritas, mas em 1945, quando os soviétivos tomaram o abrigo, essas partes ainda não haviam sido construídas.
O local ficava 12 metros abaixo do solo e tinha 250 metros quadrados. Havia tuneis que permitiam chegar ao metrô de Berlim, caso fosse necessário escapar por ali.
Hitler passou seus últimos dias nesse comando, comandando os poucos exércitos que ainda lhe eram fiéis ou que não haviam se entregado aos aliados. Os aliados sabiam da existência do bunker, mas não conheciam detalhes.

Foi no bunker que Hitler cometeu suicidio, com um tiro, no dia 30 de abril de 1945. muitos oficiais seguiram seu exemplo. Os que não queriam morrer fugiram pelos túneis. Logo a notícia da morte do ditador se espalhou entre os soldados alemães que ainda resistiam. No dia 2 de maio o Exército Vermelho ocupou o bunker. O primeiro-tenente Ivan Klimenko foi o primeiro a entrar no local. Por esse gesto, foi nomeado herói da União Soviética.     

sexta-feira, agosto 11, 2017

Quais foram as decobertas da ciência nazista?


Até há pouco tempo, achava-se que as experiências nazistas em campos de concentração eram apenas demonstrações de sadismo, sem qualquer tipo de metodologia científica que tornasse os resultados válidos. No entanto, pesquisa recente, realizado pelo Instituto Max Planck, na Alemanha, mostra que os nazistas avançaram em diversas áreas.
As pesquisas sobre hipotermia (efeito do frio sobre o corpo humano), por exemplo, só puderam avançar graças à total falta de ética dos cientistas nazis. Eles colocavam prisioneiros em banheiras repletas de gelo para saber quanto tempo uma pessoa aguentava em frio extremo e o que melhorava a expectativa de vida, uma pesquisa importante em vista dos aviadores alemães que caiam nos mares gelados do norte da Europa. Eles descobriram, por exemplo, que protegendo o pescoço, aumentavam a chance de sobrevivência, razão pela qual os coletes salva-vidas a partir de então passaram a ter uma proteção para o pescoço.
Além disso, os nazistas fizeram pesquisas importantes, relacionando, estatisticamente, o cigarro com o câncer de pulmão.
Na área de anatomia, os alemães eram os únicos que tinham a possibilidade de dissecar pessoas vivas para ver como funcionava o organismo. Sigmund Rascher, responsável pelo campo de concentração de Dachau, dizia que era o único que de fato conhecia a fisiologia humana, pois “fazia experiências com homens, e não com ratos”.

A grande questão é se temos autorização ética para usar os resultados dessas pesquisas.  

Cereal Killer

quinta-feira, agosto 10, 2017

CURIOSIDADES sobre CLUBE DOS CINCO

O que aconteceu com as crianças do projeto raça pura ariana?


Em 1935, foi criado na Alemanha a Fundação Lebensborn, uma organização que tinha como objetivo criar arianos perfeitos para serem usados como soldados pela SS.
Para isso, foram agrupados em um campo luxuoso e confortável moças e rapazes considerados da raça pura ariana. A idéia é que eles transassem e tivessem filhos, que depois seriam criados pelo estado germânico. Nessa busca do ser humano perfeito, os rapazes tinham direito de acasalar com várias mulheres de origem ariana.
Todos os integrantes do campo tinham cabelos loiros, olhos azuis e pele clara, o que correspondia ao ideal nazista de beleza (curiosamente, Hitler não atendia a nenhum desses requisitos).
Muitas das crianças encontradas em territórios ocupados pelos alemães também eram enviadas a esses campos e passavam por um processo de lavagem cerebral visando sua germanização. As que não se adaptavam a esse processo eram enviadas a campos de concentração.

Quando o mundo descobriu essa experiência, muitos se perguntaram o que teria acontecido com essas crianças, geradas de forma absolutamente fria e criadas sem carinho ou convívio familiar. A análise dessas crianças mostrou que muitos se tornaram autistas, infelizes, depressivas e com desvios comportamentais. 

Direto da minha estante: coleção Groo


Steve Rude



Xuxulu





Autobiografia musical

Até os 14 anos mais ou menos eu costumava dizer que não gostava de música. As referências que eu tinha a respeito eram os bregas que se ouvia em casa... e Erasmo Carlos, nos dias muito eruditos.
Acho que tinha também um disco do Roberto Carlos, do início da fase decadente. Meus dois tios e meu padrastro eram caminhoneiros e por isso compraram o disco que tinha o famoso refrão: ¨No volante eu penso nela/ Já pintei no pára-choque um coração e nome dela¨.
Então eu não gostava de música. Até que um dia estava na casa de um amigo e ele me chamou no corredor para ouvir uma música que tocava no rádio de sua irmã: era Eduardo e Mônica, do Legião Urbana. A canção me arrebatou como se eu estivesse passando por um êxtase estético.
Eu nunca havia ouvido algo que falasse de maneira tão singela e inteligente do que sentíamos. Nós éramos como o Eduardo, tão indecisos sobre a vida e sobre todas as outras coisas. A canção fez tanto sucesso entre nós que costumávamos cantá-la na frente do colégio, antes da campainha tocar.


Com o tempo fui conhecendo outras músicas do Legião Urbana e aprendendo que as músicas podiam expressar o que sentíamos, fosse alegria ou tristeza.
Um dia minha namorada (e atual esposa) gravou para mim uma fita com um mix de músicas que achava legais. No final da fita havia três músicas de Raul Seixas. O restante, daquele lado, era Milton Nascimento. Devolvi a fita e pedi para gravar o lado todo com o Raulzito. Eu o descobrira algum tempo antes, numa oficina de bicicletas. O pneu furou e, sem ter o que fazer, fiquei lá, ouvindo o que tocava no som da oficina. Era justamente Ouro de Tolo. Fiquei impressionado ao perceber que, apesar de muito popular, a música tinha uma letra genial, uma bela reflexão filosófica sobre o sentido da vida. A letra era a personificação do que deveria ser a atitude de um artista:

“Eu devia estar contente porque eu tenho um emprego
Sou dito cidadão respeitável e ganho quatro mil cruzeiros por mês
Eu devia agradecer ao Senhor por ter tido sucesso na vida como artista
Eu devia estar feliz porque consegui comprar um corcel 73

Eu devia estar alegre e satisfeito por morar em Ipanema
Depois de ter passado fome por dois anos aqui na cidade maravilhosa
Eu devia estar contente por ter conseguido tudo o que eu quis
Mas confesso abestalhado que eu estou decepcionado”

Muito tempo depois, quando tive contato com o livro O Mundo de Sofia, lembrei de Rauzito ao ler a descrição do maravilhamento e inquietude diante do mundo que deveriam caracterizar o filósofo. Estava tudo ali, em Ouro de Tolo.Raul Seixas me mostrou que músicas podiam falar de qualquer assunto, de filosofia à política e ainda assim serem populares. Mostrou também que a popularidade não significa falta de qualidade.Aos 19 anos eu já conhecia algo de música, mas ainda não havia sido apresentado aos Beatles. Um dia uma professora de redação jornalística me convidou para ir na casa dela. Chegando lá me deparei com uma enorme coleção de CDs e LPs. Eu nunca tinha visto um CD. "Escolhe um disco", ela encorajou. Escolhi Sgt Peppers, dos Beatles, até hoje o meu disco predileto do quarteto de Liverpoll.Nunca poderia imaginar o êxtase que me arrebatou ao ouvir as músicas. Era como se, ao embalo de Lucy in The Sky With Diamonds, eu viajasse nos acordes. 

Legião Urbana e Raul Seixas eram bons, mas Beatles eram divindades que compunham músicas com poder sobrenatural.Lembro que pouco tempo depois conversei com um amigo sobre o assunto e ele riu: "Agora que você descobriu os Beatles?!". Antes tarde do que nunca.Juntei o pouco dinheirinho que tinha e comprei, em loja, os três grandes discos do quarteto: Sgt. Peppers, Revolver e Magical Mistery Tour em fita cassete (sim, naquela época vendia-se discos em fitas cassete).
Nessa mesma época, descobri Pink Floyd. Quem me apresentou essa banda de rock progressivo foi o meu compadre Bené Nascimento. Hoje ele assina Joe Bennett e desenha histórias para a DC Comics, mas na época ele era só um desenhista despontando no mercado nacional e meu principal parceiro em histórias de terror. O tom depressivo das músicas de Pink Floyd combinava perfeitamente com o horror denso e psicológico que fazíamos. Combinou tanto que virou quase uma obsessão. Ouvíamos Pink Floyd de manhã, tarde e noite.

Em 1993 eu me mudei para Curitiba e sofri com a frieza do povo local. Curtibanos são muito simpáticos, mas também pouco calorosos. Para quem vinha de Belém do Pará (um lugar onde se faz amizade no ônibus), foi um choque. Nessa difícil adaptação, ajudou muito uma música: O Mundo ainda não está pronto, do Pato Fu.
Quem acha que o mundo é tudo na vidaInfelizmente não sabe de nadaInclusive eu também não seiInclusive eu também não seiMas pelo menos eu estou, eu estouEu estou aqui gritando:AAAHHHHH, eu estou aqui gritando
Uma letra simples, mas que permitia várias interpretações. O grito poderia ser o meu grito diante da nova situação.

Nessa época, claro, eu desprezava Roberto Carlos. Brega era o mínimo a dizer do homem que, na minha infância, bradava um refrão para caminhoneiros. Então, um dia, quando ainda morava em Curitiba, ouvi uma versão da música “Todos estão surdos” cantada por Chico Science e me surpreendi. A letra era muito boa, filosófica até. Não parecia o mesmo Roberto Carlos que fazia músicas para gordinhas ou mulheres de óculos.
Outro dia, um cabeludo falou:
"Não importam os motivos da guerra
A paz ainda é mais importante que eles".
Esta frase vive nos cabelos encaracolados
Das cucas maravilhosas
Mas se perdeu no labirinto
Dos pensamentos poluídos pela falta de amor.
Muita gente não ouviu porque não quis ouvir
Eles estão surdos!

Isso me levou a pesquisar melhor a discografia do “rei”. Comecei por um disco mais antigo, da década de 1960, Roberto Carlos em ritmo de aventura. As letras não eram geniais, mas a música era ótima. Um bom rock. Aí fui comprando os discos na sequência. Quem for ouvindo a obra de Roberto Carlos cronologicamente descobrirá que o cantor passou por uma evolução óbvia. Cada disco da década de 1970 parece ser melhor do que o outro. O som ficou menos rock, mas as letras ficaram mais reflexivas. Como as letras sempre foram o que mais me chamou atenção, o discos de RC da década de 1970 eram um profundo campo de descobertas.
Havia letras com narrativas paralelas, como em “Rotina”, em que acompanhamos o dia-a-dia de um casal apaixonado:
Estou chegando para mais um diaDe trabalho que começaEnquanto lá em casa ela despertaPra rotina do seu diaEu quase posso ver a água mornaA deslizar no corpo delaEm gotas coloridas pela luzQue vem do vidro da janela
E havia letras com fundo psicológico, como em Traumas:
Minha mulher em certa noiteAo ver meu sono estremecido
Falou que os pesadelos sãoAlgum problema adormecido
Durante o dia a gente tentaCom sorrisos disfarçar
Alguma coisa que na almaConseguimos sufocar

Roberto Carlos, na década de 1970, tornou-se um compositor reflexivo, com letras ricas em interpretação que vão muito além das obras mais famosas. Descobri-lo coincidiu justamente com um período em que eu mesmo me tornava mais reflexivo.
Como sempre, a boa música é aquela que expressa os sentimentos de quem a ouve.