quarta-feira, outubro 18, 2017

Direto da estante - colecionáveis



Catálogo do exposição Tesouros da Grafipar

A Grafipar foi uma das maiores editoras do Brasil entre o final dos anos 1970 e início dos anos 1980. Sua produção de quadrinhos eróticos desafiavam a censura da época sem cair na pornografia, misturando o erotismo a outros gêneros, como terror, aventura e ficção científica. A exposição Tesouros da Grafipar teve curadoria de José Aguiar e foi apresentada na Gibicon, em 2012. O cartaz da exposição foi realizado por Gustavo Machado, um veterano da Grafipar e tem a genialidade das melhores pin-ups: é sensual, sem mostrar muita coisa. A loira é Maria Erótica, criação de Cláudio Seto, coordenador editorial de quadrinhos da Grafipar, que aparece ao fundo, ao lado de uma barraca da feirinha de Curitiba. A exposição contou com um catálogo e colaborei com um texto contando a história da editora. Além dos quadrinhos selecionados, a publicação também trazia textos de Gonçalo Júnior, José Aguiar, Franco de Rosa e Faruk El-Khatib, dono da Grafipar.

Marketing: comportamento do consumidor

O comportamento do consumidor é influenciado por vários fatores. Alguns deles são controlados pela empresa e podem ser resumidos nos 4 Ps: produto, preço, ponto de venda e promoção. Uma loja pode fazer o consumidor comprar mais baixando seus preços. Um produto pode aumentar suas vendas aumentando a distribuição. Mas existem outros fatores, que não são controlados pela empresa, mas podem fazer grande diferença. São as chamadas variáveis incontroláveis.
Uma dessas variáveis são as condições ambientais. Chuva, seca, frio, calor fazem o consumidor mudar de comportamento. Se chove demais, ele tende a comprar guarda-chuvas, capas. Se faz sol, compra protetor solar e óculos escuros. Os vendedores ambulantes já perceberam essa verdade: quando o tempo muda, eles mudam seus produtos. A mesma pessoa que ontem estava vendendo óculos escuros, hoje está anunciando sombrinhas. Acompanhar as tendências ambientais é importante até mesmo para uma loja de roupas. Num ano em que o inverno vai ser menos frio, é bom comprar pouca roupa de frio para não ficar com produto encalhado no estoque.
As variáveis tecnológicas também são essenciais. Afinal, inovações tecnológicas podem acabar com mercados. A invenção do mp3, por exemplo, está matando o mercado de CDs. Em alguns países, as empresas já estão ganhando mais com a venda de música por celular do que a venda de CDs. Da mesma forma, o surgimento dos computadores pessoais matou o mercado para máquinas de escrever. Em 2009, a Kodak cancelou a venda de filmes fotográficos Kodachrome por causa da concorrência das câmeras digitais.
A importância da variável tecnológica é facilmente percebida pelos gerentes das concessionárias de automóveis. No final do ano a maioria dos clientes simplesmente para de comprar para esperar o modelo do ano seguinte, com mais tecnologia. Por isso são tão comuns as promoções de final de ano.
Entre as variáveis econômicas, as que mais influenciam no comportamento do consumidor são a inflação, a facilidade de créditos e os juros. Na época em que o Brasil tinha inflação de três dígitos ao ano, os consumidores faziam compras enormes, para o mês todo, no mesmo dia em que recebia o pagamento. Hoje, com a inflação controlada, os consumidores fazem compras semanais. Isso aliou-se a um outro fator: a facilidade de crédito. Hoje é muito fácil conseguir um cartão de crédito ou conseguir crédito em uma loja, o que tem estimulado o consumo. Outro fator que estimula o consumo são os juros baixos, pois mais pessoas se sentem estimuladas a pegar dinheiro emprestado e gastar.
Da mesma forma que a economia, as questões políticas também influenciam. Um governo ecológico, por exemplo, irá estimular a compra de produtos orgânicos e naturais.
A importância da variável política foi sentida em 2003, quando os EUA invadiram o Iraque. O forte sentimento antiamericano fez com que o McDonald’s tivesse prejuízo pela primeira vez em sua história. Outro produto tipicamente norte-americano, a Coca-Cola, também sofreu com boicotes em vários países. Na França e na Alemanha, muitos restaurantes se recusavam a vender esse famoso refrigerante. Mesmo no Brasil esse fato político teve consequências. Estudantes invadiram lojas do McDonald’s com cachos de bananas tentando convencer as pessoas a pararem de consumir sanduíches e comerem algo mais saudável.
Os fatores legais também influenciam no comportamento do consumidor, embora nem sempre como os legisladores esperam. A lei seca nos EUA fez aumentar o consumo de bebidas alcoólicas e turbinou as atividades da máfia. O livro Versos Satânicos, proibido no mundo muçulmano, tornou-se um best seller mundial.
Em 2008, as autoridades iranianas proibiram a venda da boneca Barbie, vista como símbolo de valores ocidentais, naquele país. Embora a medida tenha de fato impedido a venda da boneca em lojas, ela também fez aumentar em muito o contrabando.
Outro fator relevante, de grande influência no comportamento do consumidor, são os meios de comunicação de massa. Novelas, filmes e histórias em quadrinhos ditam o consumo. Basta uma atriz global aparecer usando um brinco na novela que no dia seguinte o acessório vira o mais procurado nas lojas. As cabeleireiras sabem muito bem disso, pois costumam ter em seus salões revistas com fotos de famosas para que suas clientes escolham os cortes de acordo com a nova moda da TV.
Muitas empresas aproveitam essa força dos meios de comunicação de massa e dão um jeito de colocar seus produtos em novelas e filmes. Foi o que aconteceu, por exemplo, com a Azaléia, que firmou um contrato com a Globo para que as atrizes usassem suas sandálias nas novelas.

 Um exemplo clássico foi o personagem Popeye, que fez aumentar em muito o consumo de espinafre nos EUA. A importância do personagem para as vendas desse vegetal foi tão grande que os produtores ergueram duas estátuas para o Popeye: uma em Crystal City, no Texas, e outra em Alma, no Arkansas.

Outro fator importante, que deve ser levado em consideração, é a religião. Sabe-se que líderes religiosos costumam direcionar o comportamento de seus fiéis, inclusive em termos de consumo, e as empresas precisam se adaptar a isso. É famoso o caso do McDonald’s que, na Índia, teve de criar um sanduíche sem carne para se adaptar aos hábitos vegetarianos pregados pela maioria das religiões indianas. No Brasil, um caso emblemático foi a campanha da Antarctica “Do jeito que o diabo gosta”, que precisou ser mudada para “Do jeito que a gente gosta” por causa do aspecto religioso. 

terça-feira, outubro 17, 2017

A arte belíssima de Daniel Brandão



O desenhista cearense Daniel Brandão já trabalhou para diversas revistas e editoras nacionais e internacionais, como DC Comics, Marvel, Dark Horse, Abril e Maurício de Sousa Produções.
Em 2016 ganhei o prêmio Al Rio como destaque local. Fui coordenador de conteúdo do curso de quadrinhos do projeto HQ Ceará (também ganhador do HQ Mix) e organizador da Antologia HQ pela Fundação Demócrito Rocha. É criador dos personagens Liz, Sebastião e Cariawara. Atualmente possui um estúdio próprio em Fortaleza, Ceará (Estúdio Daniel Brandão) onde ofereço cursos de desenho, quadrinhos e mangá. Confira a arte desse grande talento nacional. 










As redes sociais e os regimes autoritários

Durante muito tempo se acreditou que as redes sociais seriam grandes instrumentos de democracia. Eles permitiriam o diálogo e o debate sobre assuntos importantes, assim como a pressão sobre governantes, evitando desvios.
Mas, cada vez mais, parece claro que as redes sociais são facilmente aproveitadas pelos regimes autoritários - e não só para disseminar suas ideias. As redes sociais são uma forma fácil de identificar opositores. Nos protestos na China em 1989 o governo teve grande dificuldade para identificar os que protestavam. Agora bastaria rastrear suas redes sociais, identificando quem critica o regime. E uma forma ainda mais fácil e simples de fazer isso é simplesmente estimulando as pessoas a fazerem denúncias. Um simples print e pronto: o regime tem mais um preso político. E na maioria das vezes, quem fez o print e denunciou foi um "amigo".

Como escrever quadrinhos


O livro Como escrever quadrinhos ensina os fundamentos básicos do roteiro a partir da experiência do premiado roteirista Gian Danton. Valor: 25 reais (frete incluso). Pedidos: profivancarlo@gmail.com.

O uivo da górgona


Um som se espalha pela cidade (ou pelo estado, ou pelo país, ou pelo mundo?). Um som que ouvido transforma as pessoas em seres irracionais cujo único o objetivo são os instintos básicos de violência e fome. É o uivo da Górgona.
Acompanhe a história dos sobreviventes neste livro de terror, uma história de zumbis diferente, em que qualquer um pode se transformar, bastando para isso ouvir o terrível uivo da górgona.
Escrito em capítulos curtos, o livro transforma o suspense em elemento de fantasia, prendendo o leitor da primeira à última página. 
Pedidos: profivancarlo@gmail.com. 

Símbolos de status


Um dos capítulos mais interessantes do livro VOCÊ - um estudo objetivo do comportamento humano, de Desmond Morris, é o que fala sobre símbolos de status. Na pré-história a simples força bruta era suficiente para mostrar quem estava por cima e quem estava por baixo. Posteriormente, com os reis, os símbolos de status eram acompanhados de grande ostentação, com muito ouro, pedras preciosas e luxo. Na nossa sociedade, no entanto, os símbolos de status se tornaram mais sutis. 
Morris divide aqueles que exibem status em: executivos, herdeiros e talentosos. Na categoria executivos entram, por exemplo, políticos, que, apesar de não usarem as roupas suntuosas dos reis (e não o fazem para evitar a revolta popular), usam todo um aparato, como a escolta militar. 
Carros, roupas e acessórios são demarcadores de status. Morris explica que esses símbolos com o tempo são apropriados por imitadores, o que obriga os detentores de status a migrarem. Lembram da época em que ter um celular era símbolo de status? Com o tempo, todo mundo tinha celular. Os detentores de status foram obrigados a migrar para o smartphone. Logo todo mundo tinha um smart, e o I-phone passou a ser o novo demarcador de status. 
O mesmo aconteceu com o carro: nas sociedades pobres era símbolo de status ter um carro, mesmo um barato. Com o tempo, apenas automóveis caros passaram a exercer essa função. 
Nas sociedes mais pobres e machistas, mulheres são proibidas de dirigir carros. Em outras, é dito que uma mulher que dirige carro está pedindo para ser estuprada. A relação entre as duas coisas pode não parecer óbvia, mas é: uma mulher que está dirigindo um carro está tirando do homem seu status e a forma dos homens responderem a isso é estuprando a mulher - uma atividade sexual de afirmação de status e sujeição da vítima. Estuprar uma mulher que dirige um carro é uma forma de colocá-la em seu lugar. 

 
Os talentosos são aqueles que se destacam não pelo carro que usam, pelas roupas que vestem, mas pelo que fazem, por sua obra e seus feitos intelectuais. Exemplo disso são os grandes artistas. Enquanto os símbolos de status dos executivos e herdeiros desaparecem com eles, os símbolos de status sobrevivem a eles e muitas vezes continuam sendo apreciados durante centenas de anos. Como sua obra é seu status, os talentosos não se preocupam com símbolos de status transitórios. Muitos artistas e cientistas muitas vezes se vestem de maneira simples (quando não extravagante, como o caso de Salvador Dali) e dirigem carros de pouco baratos, muitas vezes tendo condições de comprar um melhor. Na verdade, a ausência deliberada de símbolos de status é, em si, uma demonstração de status.

Pantera Negra – Trailer (legendado)

Marketing: estilo de vida

A análise do estilo de vida do consumidor indica oportunidades de mercado e forma de conquistar esse público. Um mercadinho no Rio de Janeiro se viu ameaçado pela inauguração de um hipermercado nas proximidades. Mas, depois de uma pesquisa informal, descobriu que muitas pessoas do bairro eram solteiras, tinham vida corrida, usavam muito a internet e não gostavam de sair de casa para fazer compras. Assim, ele ofereceu um revolucionário serviço de entrega: a pessoa mandava a lista de compras pelo email e recebia em casa os produtos. Com isso, as vendas não só não caíram, como também aumentaram.
Um organizador de raves descobriu que seu público-alvo não gostava de assistir à televisão aberta e não ouvia rádio (pois preferia ouvir mp3). Com essa descoberta, duas formas de divulgação mais convencionais foram imediatamente eliminadas. A mesma pesquisa demonstrou que o cliente gostava de frequentar boates. Assim, foram feitas ações de guerrilha nas portas das boates, com distribuição de panfletos que davam direito a descontos na compra do ingresso para a rave. Surpreendentemente, 90% dos panfletos foram usados para compra do ingresso. Ou seja, um aproveitamento muito grande para uma estratégia promocional barata.

Também as características relativas ao uso do produto podem dar indicações valiosas de estratégias de marketing. O dono de uma banca de revista que percebe que o consumidor sempre compra revistas de negócios pode indicar outras revistas do mesmo gênero. 

O Pavio - informação não precisa ser chata

O Pavio foi uma revista jornalística que editei no ano de 2007. A proposta era fazer um tipo de jornalismo diferenciado cuja proposta era resumida no slogan: "Informação não precisa ser chata". Atualmente isso já tem até um nome dentro do jornalismo: infotenimento (informação + entretenimento). Todas as matérias tinham toques de humor, fosse no texto, no título ou nas chamadas. Além disso, raramente usávamos fotos, dando preferência a desenhos humorísticos. 
A revista trazia também um encarte, o Tira com fritas, que publicava quadrinhos, crônicas humorísticas etc. 
O primeiro número enfrentou certa rejeição por conta da proposta, mas a partir do número dois começamos a receber propostas de jornalistas já estabelecidos no mercado, que queriam colaborar com a publicação, mas nem sempre enviavam material que se encaixava no que queríamos. Na época eu fiz um texto explicando como escrever para a Pavio. O primeiro item era: "Não se censure. Deixe que o editor censura você". 
Voltada para o público universitário, acabamos fazendo muito sucesso entre os estudantes de ensino médio (os exemplares que meu filho levava para a biblioteca da escola eram disputados a tapa) e no último número já tínhamos anúncios de todas das faculdades do estado. 
Entre os talentos revelados pela Pavio está Ana Girlene Oliveira, hoje um dos nomes mais importantes do radiojornalismo amapaense. 
Infelizmente a revista durou apenas quatro números.

segunda-feira, outubro 16, 2017

A arte espetacular de Almeida Júnior


Almeida Júnior foi um dos mais importantes pintores brasileiros do século XIX. Com o apoio de D. Pedro II foi estudar na Europa, onde teve contato com os artistas realistas. Isso, associado a suas origens humildes fez com que ele se concentrasse em temas rurais e regionalistas. Foi o artista que melhor retratou o ambiente da roça. Era o artista predileto de Monteiro Lobato, que dedicou a ele vários textos.







Capitão América


Depois da I Guerra Mundial e a cri­se 1929, que outro tipo de catás­trofe poderia se abater sobre o mundo? A II Guerra Mundial.
    O mundo tinha um vilão que, apesar de não ter saído das páginas dos gibis, tinha várias se­melhanças com personagens de quadrinhos: era ridículo e extrema­mente maligno. Chamava-se Hitler e o grande sonho dos garotos da América era ver um herói dando um soco em suas fuças. Foi essa a idéia que o rotei­rista Joe Simon teve. Martin Goodman, chefão da Timely (atual Marvel) gos­tou tanto da idéia que resolveu lançar uma revista às pressas. O artista esco­lhido para ilustrar essas histórias foi Jack Kirby - que logo se tornaria uma lenda, influenciando toda a geração de desenhistas da futura Marvel.
    Simon e Kirby sabiam que tinham ouro nas mãos, tanto que fizeram várias exigências. O personagem deveria estrear em revista própria, e não em uma antologia. Os criadores ficariam com 15% dos lucros e teriam cargos assalariados, como editor e diretor de arte. Goodman concordou com tudo.
      O primeiro número chegou às bancas em fevereiro de 1941 e foi um sucesso. A primeira edição se esgotou em poucos dias. A edição seguinte foi de um milhão de exemplares e também esgotou. O Capitão América tornou-se o gibi mais vendido do período da guerra, mas também provocou muita polêmica. Joe Simon conta que a editora foi inundada por uma torrente de cartas de ódio e telefonemas obscenos cujo teor era: “morte aos judeus!”.  O prefeito de Nova York mandou uma guarnição pa­ra proteger os artistas e telefonou pes­soalmente, felicitando-os pelo seu trabalho na revista.
Os editores incentivavam os leitores a criarem clubes e servirem ao país como bons super-heróis. Essa iniciativa publicitária tomou tons bizarros quando crianças começaram a denunciar colegas ou parentes como espiões apenas por eles terem nomes com pronúncia germânica.
       Os artistas, entretanto, só foram perceber a extensão do sucesso do personagem quando começaram a apare­cer uma porção de imitadores. Surgiram o Capitão Bandeira, o Capitão Liberdade e a Águia Americana. A editora chegou a publicar uma ameaça de ação legal nas páginas da revista: ¨Cuidado, imitadores! Só há um Capitão América!¨.
    Mas Martin Goodman não parecia muito disposto a manter o acordo e, quando Simon e Kirby perceberam que estavam sendo passados para trás, foram para a National (futura DC Comics), onde criaram o último sucesso da guerra: Os Boys Comando.
    Stan Lee tentou conti­nuar as histórias do Capitão América, transformando-o num professor que combatia o crime nas horas vagas.
    Kirby e Simon ficaram tão furiosos com o fato de estarem usando seu personagem que resolveram criar uma paródia: o Fighting Amerícan, um super-herói que enfrentava vilões inap­tos, com nomes ridículos, como Super-Khakalovitch e Hotsky Trotsky.
    Evidentemente, a versão de Stan Lee não deu certo e a própria Marvel passou a desconsiderá-la.
    Lee só iria acertar em 64, quando recriaria o Capitão juntamente com Jack Kirby, tentando explicar toda a bobagem que tinha sido feita até ali com o personagem.
    O     Capitão América foi o primeiro personagem de HQ a assumir um discurso político, mas não foi o único a combater na II Guerra Mundial.
    Quase todos os personagens da época de Tarzã ao Spirit atuaram na guerra, em favor dos aliados.
            O Fantasma passou a enfrentar japoneses que invadiram a sua floresta e até Flash Gordon voltou do planeta Mongo para combater os nazistas.

A morte te dá parabéns e o roteiro em loop

O roteiro em loop é uma das estruturas narrativas mais interessantes.
Difícil descobrir quando foi inventado, mas há registro de tramas que vão e voltam desde a década de 1930, com uma história do Sombra, publicada em pulp fiction, em que um cientista à beira da morte revive continuamente o dia 31 de dezembro a fim se vingar do homem que o prejudicou. No filme britânico Dead of Night (1945), um arquiteto acorda com uma ligação. É um convite para verificar algumas reformas em uma casa, chegando lá encontra vários convidados e revela que viu a todos em um sonho recorrente ao mesmo tempo em que começa a antecipar acontecimentos. A trama se desenrola até o final dramático e novamente começa com o arquiteto acordando e recebendo a ligação.
Mas o recurso ficou realmente famoso com o filme Feitiço do tempo, de 1993 (roteiro de Danny Rubin e Harold Ramis, direção de Harold Ramis), com Bill Murray como protagonista que fica preso no dia da marmota, revivendo eternamente as mesmas 24 horas.

Mas muitos outros aproveitaram essa estrutura, que já apareceu em Simpsons, Arquivo X e no filme alemão Corra Lola, corra!
A mais nova incursão nessa estrutura narrativa é o filme A morte te dá parabéns
, dirigido por Christopher Landon (de atividade paranormal) com roteiro do escritor de quadrinhos Scott Lobdell. 
Na história Tree (Jessica Rothe) é uma patricinha convencida e arrogante, que trata mal e desdenha de todos que conhece e acaba sendo morta. Ela acorda no mesmo dia e acaba sendo morta novamente e isso várias vezes. 
O grande desafio do roteiro em looping é manter o interesse do expectador, que corre o risco de se entediar com a redundância das repetições de trama. O segredo está em repetir a trama básica, mas ir introduzindo modificações que tornam a história interessante. E, ao mesmo tempo, criar marcações que mostrem desde o início que o dia está se repetindo. Ou seja: Tree irá acordar no quarto de um menino desconhecido, pede um remédio para dor de cabeça, sai, vê um casal ser molhado por regador automático, um carro disparar o alarme e um aluno desmaiar. E, ao final do dia, é morta. O que acontece no recheio desses dois extremos é o ambiente em que o roteirista trabalha as mudanças e aprofunda a personagem. 
Embora tenha uma pegada de filme teen (o que talvez desagrade alguns), A morte te dá parabéns
 consegue manejar bem esses elementos entregando, inclusive uma virada final que fecha as pontas soltas e faz o expectador pensar: “nossa, era óbvio!” 
Enfim, um filme que se segura pelo roteiro, algo raro nos dias atuais.

Marketing: segmentação psicográfica

A segmentação psicográfica inclui variáveis mais abstratas, como estilo de vida, personalidade, benefícios esperados com o uso do produto, valores etc. Duas pessoas podem ter a mesma idade, o mesmo nível de renda, a mesma formação e, no entanto, terem características psicográficas completamente diferentes. Uma delas pode, por exemplo, gostar de reunir os amigos em um churrasco no final de semana. A outra pode preferir assistir a filmes.
O desconhecimento sobre os fatores psicográficos pode provocar grandes problemas. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o Shopping Frei Caneca, em São Paulo, que analisou apenas demograficamente a região em que se instalou e esperava receber famílias de classe média. No final, acabou recebendo um grande público gay. Essa característica psicográfica da região fez com que o shopping tivesse que mudar completamente sua estratégia mercadológica.
A variável psicográfica já permite identificar certos padrões entre os consumidores.
Existem os consumidores que são orientados por princípios. São pessoas que usam suas compras para tentar tornar o mundo um lugar melhor ou para dar uma mensagem política. É o público ideal para as empresas que se preocupam com responsabilidade social. Exemplo disso foi a sandália Goóc. Lançada na mídia em 2003, na época em que os EUA invadiam o Iraque (o que causou um grande sentimento norte-americano) e feita de material reciclado, ela conquistou o público que pretendia protestar contra a guerra e, ao mesmo tempo, ajudar a preservar a natureza.
Existem os consumidores bem-sucedidos, que já alcançaram um alto nível financeiro e usam suas compras para mostrar seu status. É o tipo de pessoa que compra um Rolex ou uma Ferrari. Lojas como a Carmen Stephens lidam com esse tipo de consumidor, pouco preocupado com preço e muito preocupado com a qualidade e o status de seus produtos.
Os esforçados são aqueles que ainda estão tentando se tornar bem-sucedidos e acham que podem ser ajudados pelos produtos que usam. É o típico funcionário que, ao ser promovido a um cargo um pouco mais alto na empresa, compra um carro sedã em 48 prestações mensais. Ou compra uma imitação do Rolex, pagando 10% do preço original.
Há pelo menos um case famoso de produto focado no consumidor esforçado: a campanha da década de 1980 “Bonita camisa, Fernandinho” das camisas US TOP. As pesquisas de mercado indicavam que os consumidores dessas camisas eram na maioria jovens estudantes ou recém-saídos da faculdade em seu primeiro emprego. O maior desejo desse público-alvo era ser bem visto pelos chefes. Assim, o comercial deu a eles um produto que poderia destacá-los no meio da multidão. O anúncio mostrava uma enorme mesa de reuniões, com o Fernandinho numa ponta e o chefe na outra. Mas o chefe reparava nele por causa da camisa e soltava a famosa frase: “Bonita camisa, Fernandinho”. Na próxima cena, o Fernandinho já estava mais próximo do chefe, e assim por diante, até ficar ao lado do chefe. Com isso, a US TOP conquistou a segmentação de consumidores esforçados.
Um segmento que cresce cada vez mais é a dos consumidores orientados por saúde. São pessoas que compram produtos orgânicos, diet, light, integrais. A recente demanda por produtos sem gordura trans mostrou que esse público está cada vez maior. Tanto que o selo 0% de gordura trans nas embalagens passou a ser um verdadeiro chamariz no ponto de venda. Um dos maiores sucessos de marketing dos últimos tempos, o iogurte Activia, também apostou nesse segmento de mercado, posicionando-se como o iogurte saudável.

Finalmente, temos os consumidores orientados por ação. São pessoas que gostam de curtir a vida. Entre eles encontramos pessoas que praticam esportes radicais, que saem para a balada e até aquele indivíduo que trabalha o ano inteiro para gastar numa viagem internacional de férias. São pessoas que colocam o “curtir a vida” acima de qualquer coisa. A Gol investiu nesse público ao trabalhar com passagens baratas, que permitiam aos jovens viajarem para os mais variados locais. 

O uivo da górgona


Um som se espalha pela cidade (ou pelo estado, ou pelo país, ou pelo mundo?). Um som que ouvido transforma as pessoas em seres irracionais cujo único o objetivo são os instintos básicos de violência e fome. É o uivo da Górgona.
Acompanhe a história dos sobreviventes neste livro de terror, uma história de zumbis diferente, em que qualquer um pode se transformar, bastando para isso ouvir o terrível uivo da górgona.
Escrito em capítulos curtos, o livro transforma o suspense em elemento de fantasia, prendendo o leitor da primeira à última página. 
Pedidos: profivancarlo@gmail.com. 

domingo, outubro 15, 2017

Grafipar, a editora que saiu do eixo


No final da década de 1970, Curitiba se tornou a sede da principal editora de quadrinhos nacionais. A produção era tão grande que se formou até mesmo uma vila de quadrinistas. No livro Grafipar, a editora que saiu do eixo, eu conto em detalhes essa história. O livro inclui também algumas HQs publicadas na época e análise das mesmas.
Pedidos: profivancarlo@gmail.com.

Contadores de histórias


No livro O Macaco Nu, o biólogo e antropólogo Desmond Morris apresenta uma teoria no mínimo inquietante. Para ele, em certo momento da evolução, tornou-se mais importante usar o cérebro que os músculos na guerra pela sobrevivência. A criação de novas tecnologias e o aprendizado das mesmas tornou-se essencial (Quando falo em tecnologia, uso o sentido amplo da palavra, como qualquer processo que facilite ao ser humano o seu trabalho, obtendo melhores resultados com menor esforço. A roda ou a alavanca são exemplos de tecnologias utilizadas pelos nossos antepassados mais remotos).
Essa nova conjuntura criou um problema: como repassar essa nova tecnologia para as novas gerações, e, ao mesmo tempo, incentivá-las a aperfeiçoar essas mesmas tecnologias? Morris lembra que os macacos e chimpanzés novos são curiosos e criativos, mas essa fase passa rápido, estendendo-se apenas por uma breve infância. A solução encontrada foi prolongar a infância. Essa é a razão pela qual nós, ao contrário da maioria dos animais, levamos um longo tempo para obter autonomia. Um cavalo recém-nascido já consegue andar, um bebê humano recém-nascido é uma bolinha frágil, dependente de seus pais para tudo. O nosso cérebro continua a crescer até nove ou dez anos depois de adquirirmos nossa maturidade sexual. No chimpanzé esse processo de crescimento do cérebro se completa seis ou sete anos antes da maturidade sexual.
O que ganhamos com esse longo processo de evolução cerebral que compensasse a necessidade de dependermos de nossos progenitores até idade avançada? Simples, tivemos mais tempo para aprender. E não só isso. Tivemos mais tempo também para experimentar, criar, imaginar, sonhar. Dificilmente alguém consideraria descabida a afirmação de que as grandes inovações da humanidade vieram sempre da parte de jovens. A curiosidade e criatividade infantil têm sido o motor de nossa espécie.
As inovações trazidas pelas novas gerações em termos de comportamento e tecnologias foram de tal forma bruscas que acabaram gerando um fenômeno interessante, que não existe em nenhuma outra espécie: o conflito de gerações. Há um cartum curioso sobre o assunto. Nele vemos dois trogloditas idosos sentados em cadeiras de balanço na varanda de suas cavernas. Eles observam dois jovens trogloditas passarem com seus arco e flechas e comentam, com um não disfarçado desdém: “Olhe só para isso! Bons tempos aqueles em que os homens carregavam um tacape e tinham o cérebro do tamanho de uma castanha”. O cartum sugere que o conflito entre as gerações é tão velho quanto a tecnologia, o que provavelmente é um palpite certo. 
Algo, no entanto, que me chama atenção nessa perspectiva é como os jovens e crianças teriam sido estimulados para usar sua imaginação e criatividade. Claro, é praticamente impossível verificar como se desenrolou esse processo, mas penso que os contadores de histórias tiveram grande importância nele. Nas noites frias, reunidos ao redor da fogueira, os jovens e crianças deveriam deixar a imaginação voar escutando as histórias contadas por um dos sábios da aldeia. 
Contar ou ouvir histórias é um exercício inestimável de criatividade. As histórias não são limitadas pela lógica cartesiana, ou pela realidade que nos cerca. Nas histórias um lobo pode se disfarçar de vovó, os bichos podem falar, bonecos de madeira tomam vida... As histórias têm sua própria lógica, sua própria sintaxe. Elas exercitam em nós aquele tipo de pensamento divergente que não se encaixa nos quadradinhos das provas de vestibular, no qual apenas uma resposta é a certa. Hoje se sabe que as grandes soluções vêm de uma lógica que parece absurda. Na história da ciência são incontáveis os casos de grandes descobertas que eram grandes descobertas justamente porque contradiziam toda a lógica de sua época. E no caso das artes isso é ainda mais verdadeiro, assim como no caso da tecnologia.
Assim, as histórias exercitam em nós a criatividade, abrindo caminho para que encontremos soluções em nossa vida prática. Vou citar um único exemplo, o escritor francês Júlio Verne. São incontáveis os cientistas, técnicos ou inventores que passaram a infância e a adolescência devorando livros de Verne. O nosso Santos Dumond tinha os livros dele entre os seus prediletos.
E quando falo de histórias, não me refiro apenas à literatura. Falo das histórias contadas de avô para neto, das histórias em quadrinhos, dos filmes, dos seriados de TV, de todos os meios que as narrativas encontram para se difundir. Assim, todos esses contadores ganham uma importância insuspeita. Foi graças a eles, às suas fantasias, que o ser humano evoluiu para o que é hoje. E se evoluirmos mais, ao invés de nos afundarmos em nossa própria ganância, isso também se deverá, em grande parte,  às histórias. E aos seus contadores, evidentemente.

Arte moderna - muito além da pedra no museu

Recentemente um vídeo circulou na internet e tem sido muito compartilhado. Mais que isso: seu principal argumento tem sido repetido à exaustão: arte moderna é uma pedra no museu.
O vídeo faz uma distinção clara entre os grandes artistas do passado e os modernos, representados pela pedra no museu.
Mas será isso mesmo? Será que a arte moderna se resume a uma pedra no museu?
Para explicar o assunto, são necessárias algumas definições e explicações. A primeira delas é que o vídeo faz uma confusão, juntando em um só saco de gatos muitos movimentos (dadaísmo, surrealismo, arte conteporânea etc e, do outro lado, renascimento, barroco, neo-clássico etc). Mas, para efeito deste artigo, vamos adotar a definição do vídeo. Assim, haveria a arte moderna e arte não-moderna. Para o autor do vídeo, só poderia ser considerado arte realmente a arte não-moderna.
Então o que seria a arte não-moderna, que o autor do vídeo considera a arte verdadeira? É uma arte que compreende essencialmente duas possibilidades artísticas: a pintura de cavalete e esculturas em mármore. Além disso, era uma arte que seguia rígidas de composição e de tema.
Olympia: nudez provou escândalo

Para explicar o que seriam as regras rígidas de temas, vamos pegar um quadro específico, Olympia, obra de Édouard Manet, de 1863. O quadro foi recusado pelo salão de Paris, foi exposto no salão dos recusados e causou enorme polêmica e escândalo. O quadro mostrava uma prostituta nua deitada na cama. Mas, se há muito tempo o nu já era representado na arte, por que um quadro com nu provocou escândalo? É que na arte não-moderna o nu era aceito desde que fosse com deuses gregos, figuras históricas. Um deus grego ser representado nu era algo normal e até edificante (A arte representava sempre temas considerados edificantes: mitologia grega, história romana, passagens bíblicas). Mas uma mulher normal, e, pior, uma prostituta, era algo inaceitável. Por conta de toda a polêmica envolvendo o quadro, Olympia pode ser considerada a obra fundadora da arte moderna.
A arte moderna, a partir daí, quebrou as regras rígidas de composição e de temas e de suporte. Para ser arte não era necessário representar deuses gregos ou figuras históricas. A arte não precisava ser edificante. Também não era necessário que a obra fosse uma pintura de cavalete ou um escultura feita em mármore.
Feita essa observação, vamos fazer um pequeno tour de arte moderna que vai muito além da pedra no museu. Deixo por conta do leitor a decisão sobre ser arte ou não.

Art nouveau – movimento artístico que foi revolucionado ao mostrar que a arte não era apenas o que estava no museu. Ou algo contemplativo. Você poderia pegar na arte e até usar a arte. O art nouveau podia ser visto na decoração interna das casas, na arquitetura, nos objetos de uso pessoal e até em cartazes, como os anúncios dos espetáculos de Sarah Bernhardt realizados por Alphonse Mucha.

O gabinete do Doutor Caligari, filme de 1919, de Robert Wiene. O filme retrata uma história contada por um louco. Os cenários distorcidos refletiam a mente conturbada do protagonista. Não era um tema edificante, como se esperava de uma obra não-moderna. Os cenários também não seguiam os padrões rígidos de composição. E, principalmente, era cinema, e não pintura de cavalete ou escultura em mármore. Segundo os padrões da arte não-moderna não poderia de forma alguma ser considerado arte.

Salvador Dali pintava em cavalete, mas seus quadros surreais passavam longe de seguir as regras de composição e tema da arte não-moderna. Não era uma pintura edificante, mas reflexos de sonhos. Além disso, em uma de suas obras, ele compôs o rosto de Marilin Monroe com uma estrutura em que o visitante poderia entrar e se sentar em uma poltrona, interagindo com a obra. Passava longe de ser considerado arte pelos padrões da arte não-moderna.

Poty Lazzarotto é um pintor e escultor paranaense. Suas esculturas eram feitas em concreto e raramente ele pintava em cavalete, preferindo grandes painéis, como produzido para o aeroporto de Curitiba. Além disso, suas figuras não seguiam o padrão rígido de composição e anatomia da arte não-moderna, com figuras muitas vezes distorcidas. Também não poderia ser considerado arte.

Vik Muniz – esse artista brasileiro reconstrói obras de arte clássicas usando lixo. Sim, lixo. A obra é realizada em um grande galpão e depois fotografada. O que vai para as galerias são as fotos das mesmas. Embora reproduzam pinturas clássicas, não poderia ser considerado arte de acordo com os padrões da arte não-moderna, em especial em decorrência do suporte.

Ron Mueck – Esse artista australiano usa os mais diversos tipos de materiais, inclusive cabelo humano, para produzir suas obras em tamanho gigantesco ou minúsculo. Seus temas não são edificantes. Ao contrário: mostram pessoas normais, com seus defeitos muitas vezes destacados, com varizes, unhas encravadas e gorduras localizadas. Uma de suas obras é uma galinha morta pendurada no teto. Não poderia ser considerado arte por conta do material utilizado e dos temas abordados.

Orson Welles – Considerado o maior cineasta de todos os tempos. Seu filme Cidadão kane mergulhou fundo na vida e na personalidade de um magnata da imprensa em cenas com profundidade de campo, em que o que estava atrás tinha função fundamental no que era dito em primeiro plano. Na década de 1970, ao dirigir um filme sobre um homem que falsificava obras de arte, promoveu uma profunda reflexão sobre a autenticidade da arte. Era cinema, portanto, não era arte.

Alan Moore – esse britânico é cineasta, faz performances musicais, escreve peças de teatro e escreve quadrinhos. Entre suas obras mais famosas estão V de Vingança e Watchmen. Ele não desenha pinturas de cavaletes ou produz esculturas de mármore. Na verdade, ele desenhou muito pouco, sendo a maior parte de suas obras realizadas com ilustrações de outros artistas. Seus temas também não são edificantes. E são quadrinhos. Não seria considerado arte por qualquer critério da arte não-moderna.

José Loures – Uma das características da arte moderna é a possibilidade de interação com a obra. O público não é apenas um receptor passivo, que fica contemplando a obra a uma distância demarcada com linha vermelha no chão, como ocorria na arte não-moderna. Esse artista de Anápolis faz obras de game arte, em que o visitante não só interage com a obra, mas joga com ela, como num jogo de tabuleiro. Não poderia ser considerado arte sob qualquer prisma de acordo com os padrões da arte não-moderna.

Esses são alguns exemplos que vão muito além da pedra no museu. Nenhum deles seria considerado arte a partir dos padrões da arte não-moderna (pintura de cavalete ou escultura em mármore, temas edificantes, receptor passivo, composição rígida). Se são arte ou não, deixo a decisão ao leitor.  

Marketing: segmentação

A segmentação trabalha com três grandes divisões: geográfica, demográfica e psicográfica.
            A segmentação geográfica divide os consumidores por área. Pode ser um bairro, uma cidade, um estado, um país e até um continente. Normalmente, as empresas começam com uma segmentação geográfica restrita e depois vão ampliando sua área de atuação. O Boticário, por exemplo, começou segmentado apenas em Curitiba (PR) e região metropolitana. Depois, por meio do sistema de franquias, esse segmento foi se espalhando. A segmentação pode ser ainda mais específica. Uma panificadora, por exemplo, geralmente atende clientes apenas de um bairro. Se ela estabelecer um sistema de entregas ou de vendas em mercearias, essa segmentação pode ser ampliada.
Uma coisa importante: o segmento geográfico não é onde está a fábrica, mas onde está o cliente. O chocolate Wonka é fabricado pela Nestlé de Caçapava, interior de São Paulo, mas é vendido, na sua maior parte, nos EUA.
Conhecer o local onde mora o consumidor é essencial para evitar problemas. Por exemplo, se seu negócio é uma loja de roupas elegantes, não vá instalá-la num bairro pobre. Se o seu negócio são guarda-chuvas, não vá vendê-los em um local onde não chove. Se o seu negócio é fabricar biquínis, nem pense em mandá-los para um país muçulmano, onde a mulher não pode mostrar o corpo.
Segmentação demográfica
A segmentação demográfica inclui variáveis como idade, sexo, renda, instrução, religião, raça. Esses dados são facilmente encontrados em instituições de pesquisa, como o IBGE. Uma pessoa que pretenda abrir uma loja infantil pode pesquisar no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para saber como está o índice de natalidade naquela cidade. Se a natalidade está aumentando, significa mais consumidores vindo aí.

Países com características demográficas diferentes apresentam oportunidades diferentes. Na China, as crianças representam um grande mercado para produtos infantis, pois cada casal pode ter apenas uma criança, o que os leva a mimar os filhos ao máximo. Já na Itália o mercado está diminuindo para produtos infantis, pois cada vez mais casais optam por não ter filhos. No entanto, o envelhecimento da população fez com a Itália se tornasse um grande mercado para produtos voltados para a terceira idade, como fraldas geriátricas e remédios.

Até a religião pode representar uma oportunidade de mercado. Uma cidade com muitas pessoas cristãs pode ser um bom mercado para uma loja de artigos religiosos.

Assim, antes de montar o negócio, tente definir o seu público-alvo. Alguns casos são tão óbvios que nem precisam de uma pesquisa de mercado. Batons, por exemplo, são para mulheres, gravatas para homens. 

sábado, outubro 14, 2017

Família Titã: um drama com super-heróis

A Insólita Família Titã é uma espécie de tragédia grega protagonizada por um trio de super-heróis que recebem seus poderes inesperadamente e logo precisam resolver uma questão de convívio entre si, envolvendo o eterno conflito amor x ódio, o que torna essa aparentemente despretensiosa historieta em uma saga exemplar sobre a convivência e as atitudes humanas.Pedidos: profivancarlo@gmail.com. Valor: 25 reais (frete incluso)

Marketing: público-alvo

Quando começou o processo de industrialização, a ideia era lançar um produto só para todos os públicos. Quanto mais pessoas consumissem esse produto, maiores seriam os lucros e menor o custo de produção. Esse era o modelo do Ford T: um carro exatamente igual (inclusive na cor) para todos os públicos. O fato de o Ford T ter perdido mercado a cada ano para a GM mostrou que a empresa estava esquecendo algo essencial: o cliente.

 A parte do marketing que trata do cliente é chamada de segmentação. A segmentação é a análise e divisão de clientes em grupos e categorias com características e interesses em comum.
Existe, claro, a segmentação indiferenciada, que é quando a empresa lança um produto para todos os públicos possíveis. Embora seja usada por produtos famosos, como a Coca-Cola, essa estratégia pode ser fatal para um pequeno empresário que está entrando no mercado. Mesmo a Coca-Cola começou sua carreira de maneira bastante segmentada, sendo vendida na cidade de Atlanta, nos EUA, para jovens executivos.

Desconhecer o público-alvo leva a um gasto excessivo com publicidade, distribuição e à insatisfação do cliente. Isso aconteceu, por exemplo, no século XIX, quando houve a abertura dos portos brasileiros para os produtos ingleses. Os fabricantes ingleses mandaram para cá tudo que puderam, incluindo esquis e carteiras porta-cédulas, ignorando completamente que no Brasil raramente neva e que na época o dinheiro do país era composto apenas de moedas. O desconhecimento do mercado fez com que muito produto inglês ficasse encalhado. Para evitar esse vexame, estude o público-alvo.