domingo, janeiro 21, 2018

Outdoors criativos

O outdoor é uma mídia convencional, que costuma ser usada de forma convencional, mas que pode ser usada de forma totalmente inovadora. Abaixo alguns exemplos que flertam com o marketing de guerrilha.









O conhecimento artístico

Flash Gordon antecipou várias tecnologias, como o forno microondas
Mais recentemente, alguns autores têm destacado a existência de um outro tipo de conhecimento, o artístico. Entre eles, Silvio Zamboni, Doutor pela ECA/USP e responsável pela distribuição de bolsas na área de artes do CNPQ. Silvio publicou um pequeno, mas valioso livro no qual caracteriza as especificidades do conhecimento artístico.
         Para ele, o conhecimento artístico seria fruto da intuição e nasceria no hemisfério direito do cérebro, no inconsciente.  Como trata de questões inconscientes, a arte teria a possibilidade de perceber verdades que permanecem ocultas para a ciência. Não é à toa que psicológicos como Carl Gustav Jung  e Freud se debruçaram sobre obras de arte para descobrir verdades sobre a mente humana.
         Da mesma forma, sociólogos e antropólogos têm usado a arte de determinado período para compreender como funcionava a sociedade daquela época. Talvez seja mais interessante entender a sociedade norte-americana da década de 50 através dos filmes produzidos naquela época do que pelas pesquisas científicas e objetivas realizadas no período.

         O conhecimento artístico tem influenciado, inclusive, a metodologia científica. Em alguns países já são aceitos, em projetos de pesquisas, hipóteses intuitivas. 

sábado, janeiro 20, 2018

Doutor Estranho - uma realidade à parte


No início da década de 1970 o desenhista Frank Brunner estava insatisfeito com o roteirista Gardner Fox, com o qual fazia parceria na série do Dr. Estranho. A série parecia conservadora demais, focada sempre no monstro do mês. Quando o editor-chefe Roy Thomas perguntou-lhe quem ele gostaria que escrevesse o título, a resposta veio rápida: Steve Englehart. Os dois tinham se conhecido em uma festa e logo descobriram que tinham muita coisa em comum: em especial o interesse por HP Lovecraft, Carlos Castañeda, ocultismo e drogas alucinógenas.
Englehart, Brunner, Jim Starlin e outros passavam noites acordados, rodando por Nova York em estado alterado de consciência, bolando histórias. Foi assim que surgiu Thanos, a melhor fase de Warlock e do Capitão Marvel e foi assim que surgiram as histórias clássicas do Dr. Estranhos reunidas no álbum Uma realidade à parte, da série de graphic novels Marvel.
Englehart introduziu filososofia zen-budista no título

Desde a fase de Ditko e Lee o personagem jamais havia alcançado o nível das primeiras histórias. Mas Englehart e Brunner levaram o personagem muito além, em histórias verdadeiramente lisérgicas em que os limites pareciam ser testados a cada número. Zen-budismo, taoísmo e lisergia dominaram as páginas. Englehart começou colocando o personagem em uma situação em que ele é obrigado a matar o seu próprio mestre (num reflexo da famosa frase zen: se encontrar com Buda, mate-o) para só depois perceber que ao invés de morrer ele se integrou ao cosmo. Depois o personagem é obrigado a enfrentar um ser tão poderoso que se considera Deus e volta com ele ao passado e vê a criação do universo. Finalmente, enfrenta um fanático religioso e, para não ser morto, refugia-se em  um mundo que se revela surreal.

A fase do personagem é resumida na abertura de uma das histórias: “O cosmo: eterna e proibitiva escuridão. Os homens constroem coisas para se abrigar de seus mistérios. Uma dessas coisas é a realidade... a convencional sabedoria das massas. Mas um homem vive uma realidade à parte... uma realidade verdadeira. Ele não se encolhe diante do desconhecido”.

Se o roteiro levava o personagem a mundos verdadeiramente estranhos – totalmente diversos do mundo que a maioria dos super-heróis vivia, o desenho contribuía ainda mais para essa impressão de lisergia, com experimentações visuais e imagens que se alongavam pela página, quebrando a diagramação – nem mesmo Ditko havia sido tão experimental em suas imagens para o título.


Essa junção de elementos faz com que Doutor Estranho – uma realidade à parte, seja um dos títulos fundamentais da coleção de graphic novels Marvel. 

JUDY COLLINS & LEONARD COHEN - "Hey, Thats No Way To Say Goobye" 1976

A arte extraordinária de Katsushika Hokusai


Katsushika Hokusai  é um artista japonês especializado em xilogravura (com a matriz feita em madeira). Ele ficou mundialmente conhecido por sua gravura “A grande onda de Kanagawa”, talvez a arte oriental mais famosa do mundo. Além do detalhismo e da predominância das formas curvas (difíceis de serem realizadas na xilogravura), o quadro expressa perfeitamente a filosofia de eterna mudança do zen budismo e do taoismo. Confira outros trabalhos desse incrível gravador. 











sexta-feira, janeiro 19, 2018

Conhecimento filosófico

A filosofia trata de objetos que não podem ser medidos ou aferidos. Ela se interessa por questões como: O que é felicidade? Qual o sentido da vida?  Como podemos levar nossa vida de uma maneira moralmente correta?
O filósofo não precisa observar ou medir aquilo sobre o qual está produzindo conhecimento. Como medir a felicidade? Como pesar o sentido da vida? Diante da impossibilidade de usar instrumentos de medição ou observação, o filósofo usa apenas a lógica e a razão.
A filosofia trata de questões universais. Ao perguntar como o homem pode ser mais feliz, a filosofia quer saber como toda a humani-dade pode se tornar mais feliz, e não uma pessoa específica.
Algumas questões que antes eram filosóficas, com o desenvol-vimento de instrumentos de pesquisas (lentes, microscópio, telescópio) tornaram-se científicas. É o caso de questões sobre a origem do universo, sobre do que são feitas as coisas ou sobre como surgiu a vida.

quinta-feira, janeiro 18, 2018

O gigante esmeralda e o deus do trovão


O sucesso do Quarteto Fantástico fez com que Stan Lee ganhasse carta branca do dono da Atlas (agora rebatizada de Marvel), Martin Goodman, para criar novos personagens. Lee tinha criado uma nova maneira de fazer super-heróis. Nada de ricaços infalíveis e perfeitos, mas pessoas normais que se viam, de repente, portadores de poderes extraordinários. Nas palavras de Stan Lee, seus personagens tinham, sob as botas de heróis, pés de barro.
Esse conceito foi levado ao extremo com um novo personagem surgindo em 1962: o incrível Hulk. Exposto aos terríveis raios gama (Stan Lee adorava criar esses nomes estranhos), o cientista Bruce Banner transforma-se num monstro irracional, mas de bom coração, que é perseguido pela humanidade. Inicialmente o personagem era cinza, mas uma falha de impressão fez com que ele saísse verde e essa passou a ser sua cor oficial. Para desenhar o personagem, Lee chamou seu melhor desenhista: Jack Kirby! Hulk era o ser mais poderoso da terra e ninguém melhor para desenhar seres poderosos do que o bom Kirby. Anos mais tarde, Kirby afirmou que a idéia para o personagem foi sua, após ver uma mulher levantar um carro para salvar seu filho, o que o levou a concluir que todas as pessoas poderiam liberar seu lado Hulk em determinadas situações.
Apesar do sucesso, a revista teve que ser cancelada no número seis para dar lugar às novas criações de Stan Lee, entre elas o Homem-aranha. Isso aconteceu porque Martin Goodman havia vendido sua distribuidora, colocando todas as suas revistas nas mãos de uma distribuidora que faliu. Assim, ele teve que ir rastejando, pedir para a rival National (atual DC) distribuir suas publicações. Eles toparam, mas exigiram que a Marvel não lançasse mais do que 12 revistas por mês. Assim, para lançar uma revista nova, era preciso cancelar uma antiga.
No rastro das inovações, Stan Lee pediu a Jack Kirby que fizesse um herói baseado na mitologia nórdica. Essa era uma mitologia muito pouco explorada nos quadrinhos, mas segundo Lee, era a mais dramática. Roberto Guedes, no livro Quando surgem os super-heróis, diz que ¨Kirby estilizou de forma ímpar os deuses asgardianos, indo além do figurino trivial dos marmanjos vikings. A cidade de Asgard mais parecia um planetóide alienígena, de charme inigualável¨. O personagem principal, o deus Thor, foi mostrado não como um viking cabeludo, mas como um jovem loiro, de cabelos longos, antecipando o visual dos hippies (posteriormente, Mark Millar exploraria isso na série Os Supremos, mostrando Thor como um hippie ecologista).
King tinha uma mente incrível para grandes sagas e personagens fantásticos. Assim, ele criou vários personagens ou locais marcantes, como Ego, o planeta vivo, a montanha de Wundagore, os colonizadores de Rigel e O Registrador. Lee colaborava com o lado humano e com as tramas bem elaboradas. Um expediente comum era colocar o personagem numa situação insolúvel no final da revista. Na revista seguinte, a situação era solucionada, apenas para dar lugar a uma situação ainda mais complicada. Thor vivia uma verdadeira vertigem de aventuras. Além disso, King usou na série um expediente absolutamente inovador: colagens de fotos que eram misturadas aos seus desenhos, dando um charme especial às histórias.
Hulk e Thor são, até hoje, personagens fundamentais para a Marvel Comics.   

Mashup: quanto mais misturado, melhor


O termo remix surgiu em 1972, quando o DJ Tom Moulton lançou seu primeiro disco. Posteriormente, com o surgimento das tecnologias das multi-tracks e do sampling, a prática se popularizou. Essas tecnologias, somadas ao computador, permitiram separar partes de uma música, incluindo separando vocal de instrumentos e, ao mesmo tempo maninpulá-los, alternado timbres, tempos e volumes. A partir do ano 2000, o termo “remix” passou a ser usado de maneira mais comum fora da área da música, uma vez que as artes visuais e a literatura começaram a adotar a reconfiguração como elementos de criação.
Entre os elementos do remix encontra-se o mashup. O termo pode ser traduzido como mistura. Neles, o artista une partes de vídeos e músicas pré-existentes, somando-os a composições novas e, muitas vezes, reconfigurando seus significados.
Mashup é misturar elementos de outras obras, criando uma obra original a partir dessa mistura.
A estética do mashup não se limita apenas à música. Há na internet vários vídeos que usam a técnica. Em um dos mais famosos, o então presidente norte-americano George Bush “canta” a música “Imagine”, de John Lennon (http://www.youtube.com/watch?v=n41bRHlr76Y). A música é retirada de falas reais do presidente norte-americano, editadas com um fundo musical eletrônico. Há aí um sentido irônico, uma vez que a música fala de paz e o presidente estava envolvido à época com a Guerra contra Iraque.

Esse mesmo sentido irônico pode ser encontrado no documentário Surplus (http://www.youtube.com/watch?v=YbpmWeymWWw), em que líderes mundiais de países capitalistas fazem um discurso contra o consumismo e o capitalismo num vídeo que apresenta técnicas de propaganda. O vídeo é a mistura de vários outros vídeos, pegando partes de falas dos presidentes e dando-lhes outro significado.
Na literatura, os mashups se caracterizam, principalmente, por releituras de obras clássicas da literatura acrescidas a gêneros pop. Exemplo disso é o romance Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, que se transformou em Orgulho e Preconceito e Zumbis nas mãos de Seth Grahame-Smith.


Na internet, fãs fazem mashups visuais de suas séries favoritas. Um dos mais comuns é a tira Peanuts, que foi misturada, por exemplo, com o filme Alien, Watchmen ou Jornada nas Estrelas. Super-heróis são incluídos em quadros famosos, o vilão de Harry Potter é introduzido na capa de um disco dos Ramones... Quanto mais inusitada a mistura, mais interessante o mashup.  

Hoje tem Rádio Pop

Gosta de cinema, quadrinhos, seriados? Ouça Rádio Pop, na rádio Universitária, 96,9 FM (é possível ouvir pela internet neste link)

Família Titã

A Insólita Família Titã é uma espécie de tragédia grega protagonizada por um trio de super-heróis que recebem seus poderes inesperadamente e logo precisam resolver uma questão de convívio entre si, envolvendo o eterno conflito amor x ódio, o que torna essa aparentemente despretensiosa historieta em uma saga exemplar sobre a convivência e as atitudes humanas.Pedidos: profivancarlo@gmail.com. Valor: 25 reais (frete incluso)

quarta-feira, janeiro 17, 2018

Conhecimento teológico

Você acredita em Deus? Por quê? A uma pergunta dessas, dificilmente alguém responderá que acredita em Deus porque o viu ou porque a lógica científica o diz.
         O conhecimento religioso, portanto, não surge da observação empírica ou da lógica. A história de São Tomé, que precisou ver as chagas de cristo para acreditar é contada como exemplo de falta de fé. A fé não depende da observação empírica. 
É um conhecimento revelado, razão pela qual dizemos que ele se baseia na fé. Uma pessoa tem uma revelação sobre uma verdade eterna e a divulga a outras pessoas, que acreditam na mensagem e passam a também propagá-la e assim surgem as religiões (ou através de diversas revelações).
         Existiram muitas tentativas de explicar Deus através da razão, da lógica filosófica, por exemplo, mas alguém que nunca ouviu esses argumentos pode, ainda assim, ter fé nos dogmas desta ou daquela religião. Só podemos entender suas verdades se acreditarmos.

         O conhecimento teológico está baseado no discurso da autoridade. A autoridade é Deus, que revela aos homens suas verdades, ou o profeta. Ao discutir com uma pessoa religiosa, ela certamente usará em seu discurso frases como “Está na Bíblia”, a “Bíblia diz isso”, que revelam a importância do discurso da autoridade para esse tipo de conhecimento.

A arte magnífica de Alex Ross


Alex Ross é dos mais aclamados desenhistas de quadrinhos da atualidade. Ele se tornou famoso após o sucesso da minissérie Marvels, com roteiro de Kurt Buziek, um dos trabalhos melhores quadrinhos publicados nos anos 1990. Sua arte pintada se tornou disputada pelos editores a partir de então. Além de quadrinhos, ele fez capas de diversas revistas. Seu estilo é inconfundível, casando perfeitamente realismo com a grandiosidade dos heróis dos quadrinhos.