sexta-feira, setembro 22, 2017

Roteiro de quadrinhos: como melhorar seu texto


Uma pergunta comum de novos roteiristas é: como melhorar meu texto?
A resposta vale para qualquer um que escreve, seja quadrinhos, cinema, TV, livros: lendo e escrevendo.
Não existe outra forma de melhorar que não seja produzido. Quanto mais produzir, melhor ficará seu texto. 
Isso é bem óbvio no caso de roteiristas de quadrinhos que trabalharam durante anos em um único título, começando em início de carreira.
Pegue, por exemplo, uma história de Chris Claremont na sua fase inicial dos X-men. Depois compare com uma história da fase em que os desenhos eram de John Byrne, época em que o texto de Claremont já estava desenvolvido. A diferença é gritante.
Outro exemplo é Gerry Conway, escritor que começou sua carreira no Homem-aranha e foi responsável por uma das fases mais antológicas do personagem, com histórias clássicas, como a morte de Gwen Stacy. No começo, o texto de Conway parece inseguro e claramente imita o de Stan Lee. Com o tempo o texto se torna solto e vemos, a cada edição, a melhora no roteiro.
Infelizmente no Brasil não temos um mercado consolidado de quadrinhos que permita ao roteirista evoluir escrevendo um título. Mas para isso vale a boa e velha editora Gaveta. Escrever para a editora Gaveta significa escrever para engavetar, sem nenhum objetivo imediato de publicação, escrever para treinar. Pode ser que um dia você vá lá na gaveta e reaproveite alguma daquelas ideias, mas o objetivo inicial é apenas esse – escrever.
O ideal de um bom escritor é ser como um bom motorista. Um bom motorista dirige automaticamente: ele muda a marcha, acelera, diminui marcha, freia, é tudo automático. Da mesma forma, um bom escritor. Depois de algum tempo e muito treino, o texto flui automaticamente e fica bom.
Revisando O UIVO DA GÓRGONA acabei me espantando com a quantidade de figuras de linguagem e de outros elementos narrativos que coloquei na trama. Foi tudo inconsciente. Não passei horas pensando: ah, vou colocar uma metáfora aqui, ah, vamos ter uma elipse aqui. Isso surge naturalmente. O ideal é que o escritor treine, treine, treine, até chegar a esse ponto.

A incrível arte de Al Williamson









Monteiro Lobato: Revolução editorial

Lobato foi o homem das revoluções. O arranco que deu na indústria livreira nacional foi uma delas. As outras foram a luta pelo petróleo e a literatura infantil. Antes dele não existia a literatura como atividade comercial. Escrevia-se para entrar na Academia, para se tornar imortal. Para isso, escrevia-se numa linguagem empolada que tinha como objetivo não agradar ao leitor, mas fazer gênero.
            O criador do Sítio odiava isso. “A desgraça da maior parte dos livros é o excesso de literatura”. Com isso ele se referia à terrível mania de escrever carro de Apolo, ao invés de Sol.
            É esse um dos traços mais modernistas de Lobato. Ele também abre caminho para o modernismo ao romper com a literatura açucarada, comum no Brasil do início do século. Uma literatura para moças, na qual não cabiam cenas mais fortes. Era um eterno pisar em ovos para não afetar a sensibilidade do leitor. É por horror a isso que Urupês tem tantas mortes.
            À noite, quando todos os literatos se reuniam nos salões elegantes para conversar sobre os sonetos de Olavo Bilac, Lobato encontrava-se com os amigos no Café Guarani para tomar um chope. Nenhum deles sabia que o companheiro de copo era escritor. Certa vez um deles pergunto-lhe:
            - É verdade, Lobato, que você tem um livro? Ouvi dizer.
            O escritor gargalhou: “Se eu tivesse um livro, Gama, punha-o num sebo. Não tolero livros, nem gente que escreve livros”.
            Mas, apesar dessa horror à literatura oficial, Lobato ia se firmando no gosto popular e se tornando um dos escritores mais conhecidos do Brasil. O que fosse lançado com seu nome vendia. Sem tempo, ele era obrigado a lançar mão de coisas antigas, do tempo do minarete e do promotorado em Areias. De novo mesmo, só os infantis: Narizinho Arrebitado, O Saci...
            Por esses tempos a convivência com as gentes da cidade haviam-no convencido que o melhor que tínhamos no Brasil era mesmo o tal do Jeca Tatu que ele tanto desancara em Urupês. Se o Jeca não produzia, era porque não tinha segurança (podia ser expulso da terra a qualquer momento) e porque tinha a barriga repleta de vermes. As condições de higiene no campo eram precárias e o local se tornava próprio para o alastramento de doenças.
            Lobato escreveu vários artigos para O Estado de São Paulo, chamando atenção para o problema. Atacou até pelos quadrinhos. Até alguns anos era distribuído nas casinhas do interior o Almanaque Fontoura, com a história em quadrinhos do Jeca-tatuzinho. A HQ, baseada num texto de Lobato, orientava os caboclos a usar sapato e tomar medidas básicas de higiene, como lavar as mãos após defecar.
            Resultado: o público passou a pensar que Lobato era um médico sabidíssimo. Tanto que, certa noite, às altas horas, telefonaram para sua casa:
            - É o doutor Monteiro Lobato?
            - Sim.
            - Doutor, minha mulher está sentido dores. Poderá vir atendê-la?
            Lobato teve de explicar que não era médico....

Big Barraco Brasil


Eu sempre fui muito fã da MAD. Desde que comecei a ler quadrinhos com mais frequência, no início da adolescência e encontrei os sebos, era uma das minhas leituras prediletas. Em 2008 a revista voltou a ser publicada pela editora Panini, após um longo hiato, e eu resolvi entrar em contato com o editor, Raphael Fernandes, me oferecendo para escrever roteiros. O Raphael já conhecia meu trabalho, mas duvidou que eu pudesse escrever humor, já que eu era mais conhecido pelas histórias de terror. E me deu um desafio: fazer uma sátira do Big Brother Brasil. O Raphael é um dos cara mais malucos que já conheci e queria algo igualmente maluco, fora da caixa. Eu propus um Big Brother se passando em uma favela: o Big Barraco Brasil. A história foi bastante elogiada (inclusive por pessoas dentro da editora) e foi minha primeira colaboração para a revista. 

quinta-feira, setembro 21, 2017

O funcionalismo

As origens do funcionalismo estão no samsionismo, doutrina criada pelo filósofo Saint Simon. Influenciados pelo iluminismo, os samsionistas sonhavam mudar o mundo através da ciência e da tecnologia. Essa doutrina ajudou a criar a crença na importância social da ciência e da técnica e influenciou poderosamente o desenvolvimento industrial. As narrativas de Júlio Verne, em que a ciência tinha papel predominante, são a imagem mais conhecida dessas ideias.
Para os samsionistas, a sociedade era um corpo, no qual cada parte teria sua função. Nessa abordagem, os sistemas de comunicação teriam a mesma função que o sistema nervoso. Essa ideia de função da comunicação teria forte influência sobre os funcionalistas e daria nome a essa escola da comunicação.
O funcionalismo inicia de fato com a Escola de Chicago, na década de 1910. Liderados por Robert Erza Park, um repórter experiente em grandes reportagens e militante da causa negra, pesquisadores analisam a integração dos imigrantes na sociedade americana. Park descobre que os jornais (muito populares na época, com tiragens astronômicas) se tornam um forte elemento integrador. É através deles que os imigrantes aprendem a língua e a cultura americana.
Para Park, é a luta por espaço que rege as relações individuais. A função da comunicação é regular essa competição, permitindo aos indivíduos participarem da sociedade.
Segundo Park, as relações na sociedade passam por um processo de equilíbrio, crise, e volta ao equilíbrio. No caso dos imigrantes, esse esquema se daria através de competição, conflito, adaptação e assimilação. Ao final desse processo, o corpo social voltaria ao equilíbrio.
Dessas primeiras investigações surgem duas palavras fundamentais no funcionalismo: função e equilíbrio.
Outro autor importante no desenvolvimento da escola foi o sociólogo Charles Horton, criador do conceito de grupo primário. Sua teoria é uma critica aos autores que acreditavam que a urbanização destruía os vínculos entre as pessoas, criando uma massa amorfa. Para Horton, as pessoas continuavam tendo relações sociais através desses grupos: família, escola, trabalho, igreja e outros. Esse conceito seria fundamental em pesquisas funcionalistas posteriores.
Um dos marcos na fundação do funcionalismo foi a publicação do livro Propaganda Technique in the World War , de Harold Laswell, lançado em 1927, na qual ele argumenta que a derrota dos alemães na I Guerra Mundial se deu em decorrência da boa propaganda dos aliados.
Para Laswell, os meios de comunicação de massa são um meio para a gestão governamental de opiniões, já que a propaganda é um meio não violento de conseguir o apoio das massas.
Laswell também foi pioneiro ao propor um modelo de comunicação, resumido na frase: Quem diz o que para quem através de que canal com que efeito.
Talvez a mais célebre contribuição de Laswell para o estudo da comunicação tenha sido o conceito de agulha hipodérmica. Para Laswell, os meios de comunicação são como uma agulha, que injeta seus estímulos diretamente na mente dos receptores, provocando uma resposta por parte destes. Nesse ponto de vista, a mídia tem um poder absoluto sobre sua audiência.
A teoria hipodérmica teve enorme influência sobre a imaginação popular e foi base para romances distópicos, como 1984, de George Orwell, em que a televisão é usada para controlar a população.
Entretanto, os próprios pesquisadores funcionalistas logo perceberam que a influência da mídia não era tão grande quanto se pensava.
Lazzarsfeld, outro grande nome do funcionalismo, foi um dos primeiros a criticar a teoria hipodérmica. Suas pesquisas mostraram que as populações das grandes cidades não eram uma massa amorfa, como imaginava a teoria hipodérmica, mas tinha relações sociais fortes através dos grupos primários e estes filtravam o conteúdo da mídia. Assim, o poder dos MCM poderia ser ampliado pelo grupo primário (como no caso da juventude hitlerista, que reforçava a propaganda nazista) ou esse grupo poderia diminuir seus efeito (quando o grupo primário se posiciona contra  a mensagem da mídia).
Lazzarsfeld também aprimora a teoria sobre as funções sociais da mídia. Além das funções das funções de vigilância do meio, estabelecimento das relações sociais e transmissões sociais (propostas por Laswell), Lazzarsfeld acrescenta a função de entretimento e de atribuição de status. Dessa forma, os MCM legitimam o status das pessoas famosas ou criam status para os que não são famosos.

Lazzarsfeld também percebeu que a mídia pode cumprir o que ele chamou de disfunção narcotizante gerando apatia política por parte da população.

Monteiro Lobato: Urupês

Em 1917 Lobato vende a fazenda e se muda para São Paulo. Resolve investir o dinheiro na compra da Revista do Brasil e decide publicar um livro. Deveria chamar-se Dez Mortes Trágicas. Revoltado com a água morna dos escritores da época, incapazes de matar sequer uma mosca, ele escrevia contos de arrepiar os cabelos. Matava em monjolo, lameiro e em tantos outros lugares quanto fosse possível dar cabo à vida de um indivíduo.
            No fim, Lobato acabou mudando o título por sugestão de Artur Neiva, que achou melhor Urupês, título de uma artigo que servia de apêndice ao volume.
            O recém-batizado Urupês foi para a seção de obras do Estado de São Paulo com a recomendação de que não se fizesse mais de mil exemplares. Lobato desacreditava completamente da possibilidades mercadológicas do livro. Para espanto seu, Urupês foi um sucesso. A primeira edição esgotou-se rapidamente e o livro chegou a ser assunto de discurso de Rui Barbosa, o grande figurão da época.
            Entusiasmado com o sucesso, Lobato publicou outros livros com material de colaborações suas para jornais. Algumas recentes, outras dos tempos do Minarete. Surgiram Cidades Mortas, Idéias de Jeca Tatu, Negrinha e outros.
            Mas persistia um velho problema: no Brasil só havia 40 livrarias! Para driblar o problema, Lobato resolveu fazer uma experiência inédita no país. Pediu ao correio uma lista de todos os estabelecimentos confiáveis de que tinham conhecimento. No final conseguiu uma lista de 1200 casas comerciais relativamente sérias, de farmácias a açougues. Mandou para elas uma circular engraçadíssima, que viria a ser a pedra fundamental da indústria editorial nacional: “Vossa senhoria tem o seu negócio montado e quanto mais coisas vender maior será o lucro. Quer vender também uma coisa chamada ‘livro’?”.
            Todos toparam o negócio e os livros de Monteiro Lobato passaram a ser encontrados em todos os locais do Brasil. Com isso as edições, que eram de 400 ou 500 exemplares em média, pularam para três mil.
            Entusiasmado, Lobato chegou a tirar uma edição de 50.500 exemplares de Narizinho Arrebitado, o primeiro livro do Sítio do Pica Pau Amarelo.
            Era um marco, mas era também uma loucura. Quem iria comprar tanto livro?
            Lobato deu uma sorte dos diabos. A edição esgotou-se em nove meses. Só o governo de São Paulo comprou 30 mil narizes.
            A coisa aconteceu deste modo: certa vez o presidente de São Paulo saiu a visitar as escolas junto com o secretário de Educação. Em todas as escolas que entrava, sempre encontrava um livrinho amarrotado, cheio de orelhas de burro, já muito surrado pelo manuseio. Era justamente o Narizinho Arrebitado. Lobato havia mandando 500 exemplares para as escolas e, como a coisa era novidade, a criançada caiu de dentes.
            A pedido do presidente, o secretário de educação ligou para Lobato e perguntou quantos exemplares do livro poderia vender ao governo. “Uma pergunta assim, à queima-roupa a um editor que está atrapalhado com a maior avalanche nasal de sua vida é coisa de estontear. Pisquei sete vezes e respondi: Quantos quiser, Alarico. Temos narizes a dar com o pau. Posso fornecer cinco mil, dez mil, vinte, trinta mil...”, contou Lobato, muitos anos depois.

            O secretário achou que fosse patota e, só por brincadeira, encomendou 30 mil. No dia seguinte lá estavam os 30 mil narizes no almoxarifado do secretário, para espanto de todos. 

Poty, o garoto prodígio dos quadrinhos

Poty Lazzarotto é um dos mais importantes artistas plásticos brasileiros. Sua arte está intimamente relacionada ao Paraná, sendo patrimônio cultural reconhecido pelo Conselho Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (CEPHA). Mas antes de ser artista plástico, Poti foi quadrinista. 
O amigo Antonio Eder achou essa raridade: uma HQ publicada por Poti no jornal curitibano Diário da Tarde, no ano de 1938. O artista tinha apenas 14 anos! Confira abaixo. 

O Fantasma


Lee Falk foi o primeiro rotei­rista importante dos quadri­nhos. Antes dele já existiam outros como Dan Moore e Das­hiel Hammett que, no entanto, não assinavam seus trabalhos. Já Lee Falk era um pai coruja: Fa­zia questão não só de assinar suas criações, como exigia controle to­tal sobre elas. Uma das poucas vezes em que ele perdeu esse controle foi quando o Fantasma passou a ser publicado no Brasil com a cor vermelha substituindo o azul ori­ginal — isso aconteceu porque a história chegou ao Brasil sem re­ferência de cor e o vermelho pos­sibilitava uma melhor reprodução para as obsoletas máquinas tupiniquins (aliás, essa mudança de cor aconteceu em diversos países justamente pela falta de referência de cores).
O primeiro personagem de Lee FaIk foi o mágico Mandrake, em 1934. Desenhado por Phil Da­vis, Mandrake era um mágico ra­cional, inspirado fisicamente no próprio Falk. O personagem, sempre envolvido em aventuras detetivescas, conquistou o público e é publicado até hoje. O grande sucesso de Falk, entretan­to, seria o personagem Fantas­ma, criado em 1936 e desenhado por Ray Moore.
O que diferencia o Fantasma de outros personagens é o seu ca­ráter de mito. Sua história pare­ce uma daquelas remotas lendas passadas de pai para filho: no ano de 1525 o único sobrevivente de um ataque pirata faz um jruamento: "Juro que dedicarei toda minha vida à tarefa de destruir a pirataria, a ganância, a crueldade e a injustiça. E meus filhos e os filhos de meus filhos me perpetuarão". Ele passa a usar, então, uma máscara e roupa colante e a perseguir malfeitores. Como o jura­mento valia também para seus descendentes, o povo da selva começou a pensar que o herói era imortal. Esse aspecto da tira deu um significado maior à história, tornando-a mitológica por excelência.  
“O espírito que anda” teve o mérito de ser o primeiro herói de quadrinhos a usar máscara e ma­lha colada ao corpo. Nesse senti­do, todos os super-heróis devem a ele o seu visual. Na primeira his­tória o personagem usava tam­bém uma luva, que abandonou devido à inconveniên­cia de ter de tirá-la toda vez que quisesse deixar a marca do Fantasma em um malfeitor.
O primeiro desenhista a ilus­trar o personagem foi Ray Moo­re. Seu traço sombrio ajudou a criar o clima de mistério que en­volve até hoje o herói mascarado.
    Fantasma de Ray Moore era atlético e sensual, com um forte toque “noir” realçado pelo som­breado pesado. Nenhum outro ar­tista conseguiu manter o nível de Moore, que desenhou o persona­gem de 1936 a 1942.
A partir de 1942, seu assisten­te Wilson McCoy pegou o perso­nagem. A princípio, McCoy seguiu a linha de Moore, tentando manter o nível de qualidade, mas com o tempo começou a ca­ricaturar os personagens dando a impressão de que as tiras eram feitas às pressas. Com a morte de McCoy, em 61, o Fantasma pas­sou a ser desenhado por Sy Barry, de traço bastante impessoal. Is­so deve ter ajudado para que ele tivesse uma multidão de assisten­tes - que muitas vezes faziam tu­do na história, tendo Sy Barry só o trabalho de assinar, quando muito.
Em 1977 o Fantasma se casou. A história, embora seja assinada por Sy Barry, foi desenhada pelo brasileiro André LeBlanc, que no Brasil foi um dos principais ilustradores dos livros de Monteiro Lobato, mas foi para os EUA, onde se tornou assistente de Will Eisner no Spirit antes de se juntar à equipe que ilustrava o Espírito que anda.
Lee Falk sabia que os detalhes fariam com que seu personagem ganhasse um aspecto de mito e não economizou neles, a começar pelos apelidos que o povo da floresta dão ao personagem, tais O Espírito-que-anda, o Homem que nunca morre, o Guardião das Trevas Orientais e outros. Os ditados referentes ao personagem também ficaram famoso: “O Fantasma é violento com os violentos”, “Dá medo ver o Fantasma enfurecido”, “O Fantasma atira mais rápido que o olhar”. Os símbolos também ajudam a compor a aura do personagem, como a caverna da caveira (local de sua moradia) e os anéis. O anel da caveira, usado na mão direita, marca os malfeitores, enquanto na mão esquerda fica um anel com a marca de proteção. Aqueles que têm essa marca serão sempre protegidos pelo personagem. Outros destaques são os companheiros animais do personagem, o lobo Capeto e cavalo branco Herói.


No Brasil o personagem fez muito sucesso nas década de 1940 e 1950, contribuindo para que seu editor, Roberto Marinho, ficasse rico o suficiente para montar uma emissora de TV, a Rede Globo. Atualmente, no Brasil, ele tem um público pequeno, mas fiel. Entretanto, em outros países, como a Austrália e a Escandinávia, ainda é o herói de quadrinhos de maior sucesso. Recentemente a revista do personagem alcançou o número 1.500, um recorde mundial. 

quarta-feira, setembro 20, 2017

Gian Danton lança livro de terror na biblioteca Pública de Macapá

Um som aterrador soa pela cidade. Quem o ouve tem seu cérebro modificado e se transforma num zumbi, governado pelos instintos mais básicos e violentos do ser humano. Essa é a premissa de O uivo da górgona, livro de terror de autoria do professor roteirista de quadrinhos e escritor Gian Danton que será lançado dia 23 de setembro, na Biblioteca Pública Elcy Lacerda, às 16 horas.
Gian Danton, pseudônimo do professor Ivan Carlo Andrade de Oliveira, é roteirista de quadrinhos desde 1989. No começo da década de 1990 ficou famosa sua parceria com o desenhista Joe Bennett, em especial nas histórias de terror lançadas em revistas como Calafrio e A hora do crepúsculo. No ano 2000 escreveu a graphic novel Manticore, que transformava o fenômeno chupa-cabra numa trama de horror e ficção-científica e faturou diversos prêmios. Nos últimos anos, além de quadrinhos, tem se dedicado à literatura, participando de diversas antologias de fantasia e terror. Seu primeiro romance, Galeão, é uma história de fantasia sobre um navio à deriva no Atlântico.
O uivo da górgona, embora seja literatura, tem um estilo que ecoa as tiras de quadrinhos com capítulos curtos que terminam em uma situação de suspense que é desenvolvida no capítulo seguinte: “O uivo é resultado de um apanhado de referências, desde meu interesse pelo cérebro humano e os comportamentos coletivos até narrativas como O Eternauta, do roteirista argentino Oeterheld, em que o suspense é usado como elemento fantástico”, explica Gian Danton.
Na história, pessoas que ouvem determinado som têm as células do neocórtex destruídas e passam a ser governadas pelo complexo reptiliano, num comportamento violento e puramente instintivo.
Outra atração do projeto é a belíssima capa do desenhista paranaense João Ovitzke, pouco conhecido no meio editorial, mas dono de um traço que combinou perfeitamente com a história de terror. O livro tem 294 páginas e será vendido ao preço promocional de 25 reais.
Na ocasião também serão vendidos outros livros do autor, como o romance Galeão e o técnico Como escrever quadrinhos.

SERVIÇO
Lançamento do livro O uivo da Górgona
Onde: Biblioteca Elcy Lacerda

Quando: 23 de setembro, às 16 horas.

Super Amigos - Todas as Aberturas de (1973 a 1985)

Monteiro Lobato: Ecologista

Em 1911, com a morte do avô, Barão de Tremenbé, Lobato herda a fazenda Buquira, em Taubaté. Deixa de ser promotor para virar fazendeiro.
            Nessa época o escritor já tinha mulher e filhos. É lá na fazenda que Lobato iria recolher os causos e vivências que o levariam a produzir Urupês, sua obra mais completa. A falta do que fazer leva-o a escrever e reescrever os contos, só largando-os quando estão realmente em ponto de bala. Mas escreve pouco. Numa de suas cartas a Godofredo Rangel, chega a garantir que a vai largar a literatura par dedicar-se exclusivamente à pintura.
            É também na fazenda que Lobato escreve o artigo que seria o pontapé inicial de sua carreira literária.
            Os caboclos tinham o costume de queimar a mata para fazer sua roça. O resultado eram grandes queimadas, que desgastavam a terra, tornando-a improdutiva em pouquíssimos anos. Lobato, que tinha conhecimento do mal que as queimadas provocavam, ficou uma onça. Injuriado, queria denunciá-los à polícia.
            - Não vale a pena. - explicou o capataz. São eleitores do governo e o patrão não arranja nada.
            - Não haverá ao menos um incendiário oposicionista que possa pagar o pato?
            - Não vê? O caboclo é ali firme no governo justamente por amor ao fogo.
            Sem ter o que fazer, o fazendeiro mandou uma carta para a seção de queixas e reclamações d’O Estado de São Paulo. O jornal gostou tanto do artigo que resolveu publicá-lo fora da seção. Nascia o artigo Velha Praga. O artigo mostrava um jeca vadio, de pé no chão, incapaz de fazer qualquer coisa para melhorar sua situação, entretendo-se em queimar as florestas.  Lobato mais tarde se arrependeria desse tratamento dado ao Jeca. Mas na época o artigo explodiu como uma bomba na imprensa nacional. Foi reproduzido em quase uma centena de jornais.
            Lobato, até então um desconhecido, virou celebridade nacional. Passou a escrever artigos para o Estado para outros jornais. Certa vez, quando foi ao médico, este o tratou de duas maneiras diversas. Primeiro frio e indiferente. Depois, quando soube que se tratava de Monteiro Lobato, abriu um sorriso:
            - Aquele que escreve belos artigos no Estado?
            Embora O Estado de São Paulo tivesse uma boa gama de leitores (a tiragem era de 40 mil exemplares, razão pela qual Lobato acreditava ser lido por 80 mil pessoas), ele, certa vez, deixou de colaborar com esse jornal para escrever para um pasquim, O Povo, de 200 exemplares e 100 leitores. Tudo isso porque havia um velhinho, leitor d’O Povo, que não perdia um artigo seu.

            Nesse tempo que passa na fazenda, Lobato colabora com várias publicações. Entre elas a Revista do Brasil. É na Revista do Brasil que vão ser publicados alguns dos contos que mais tarde formariam o volume Urupês. Lobato oscila. Ora adora a vida de fazendeiro, ora reclama da inatividade. Era o pus do furúnculo literário. Pus, sim. Certa vez, quando um repórter perguntou-lhe como surgira seu primeiro livro, o escritor respondeu que lhe nascera um furúnculo que, uma vez espremido, dera no tal do Urupês.

O uivo da górgona


Um som se espalha pela cidade (ou pelo estado, ou pelo país, ou pelo mundo?). Um som que ouvido transforma as pessoas em seres irracionais cujo único o objetivo são os instintos básicos de violência e fome. É o uivo da Górgona.
Acompanhe a história dos sobreviventes neste livro de terror, uma história de zumbis diferente, em que qualquer um pode se transformar, bastando para isso ouvir o terrível uivo da górgona.
Escrito em capítulos curtos, o livro transforma o suspense em elemento de fantasia, prendendo o leitor da primeira à última página. 
Pedidos: profivancarlo@gmail.com. 

terça-feira, setembro 19, 2017

Agatha Christie, o fenômeno de massa que conquistou a academia

Nenhuma outra escritora atingiu níveis de venda e excelência tão altos como a inglesa Agatha Christie. Unindo 80 romances, 19 peças de teatro e milhões de fãs no mundo inteiro, a criadora do detetive belga Hercule Poirot já vendeu 4 bilhões de livros. Hoje, 97 anos após a publicação de seu primeiro romance: O misterioso caso de Styles, ela é tema de disciplina na melhor universidade do país.
O professor Jean Pierre Chauvin é o responsável pela disciplina-optativa que iniciou em 2015 e recebeu recorde de inscritos, com três vezes mais alunos do que o máximo permitido na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. Chauvin, que tem uma extensa pesquisa sobre a autora, lança no próximo dia 25 o livro Crimes de festim – Ensaios sobre Agatha Christie. Segundo ele, apesar do sucesso de venda, ainda há muito pouco material de estudo aprofundado sobre a romancista disponível no país. “Ela claramente bebe da fonte de autores como Conan Doyle e Allan Poe, mas com contornos muito mais complexos do que era apenas um crime; Há uma forte ambientação descritiva, sutilezas e até mesmo conceitos freudianos nas personagens”, explica. Leia mais

A arte fantástica de Carlo Barks, o homem dos patos

Carl Barks foi o quadrinista que melhor sintetizou a magia dos quadrinhos Disney, além de ter sido responsável por criar praticamente toda a família Pato. Ao final da vida ele começou a pintar quadros com os personagens que o tornaram famoso entre os fãs. Confira algumas dessas imagens aqui.








Cinder e Ashe


Poucas vezes houve, na história dos quadrinhos, uma dupla tão afinada quanto Gerry Conway e José Luís Garcia-Lopez. E um dos melhores exemplos desse afinamento é a minissérie Cinder e Ash, lançada pela editora Abril em 1989.
Cinder e Ashe são dois “peritos em controles de danos”, o que significa que eles são aquele tipo de pessoa que você procura quando está em apuros. A história inicia com os dois resgatando uma mulher que foi sequestrada por uma gangue e se recusando a devolve-la ao marido (eles descobrem que ela era agredida pelo esposo). Em seguida são procurados por um fazendeiro que está sendo perseguido por uma misteriosa corporação econômica, que, lhe sequestrou a filha – é o caso Starger que dá título à história. Por trás dessa história há muitos mistérios e um fantasma do passado: um agente da CIA que nos EUA usava Cinder como ladra e agenciava prostitutas que foi dado como morto e agora parece ter estar de volta.
Cinder é chamada assim por seu cabelo ruivo, que lembra brasas em chamas e Ashe, que a salvou no Vietnã e seu tornou seu parceiro e guardião, é cinzas, uma referência provavelmente aos cabelos grisalhos. Além disso, os nomes simbolizam a personalidade de cada um e a forma como se complementam.
Só o desenho de Garcia-Lopez já valeria o preço da revista, mas aqui temos uma mistura perfeita de ação bem desenvolvida com aprofundamento de personagens. Conway destrincha a história por trás de cada dos dois ao mesmo tempo em que desenvolve o relacionamento entre os dois (que oscila entre o romântico e o paternal), alternando entre sequências de presente e flash back (com passagens entre uma e outra que lembram muito Watchmen).
Cinder e Ashe foi um dos melhores quadrinhos lançados em uma época em que as bancas estavam cheias de obras-primas.   

Batman


O surgimento do Super-homem foi um fenômeno de vendas sem precedentes. Logo todo editor estava pedindo a seus artistas que fizesse cópias daquele heróis. Uma dessas cópias surgiu um ano mais tarde, em 1939 e ficaria tão famoso quanto o Homem de aço: o Batman.
Bob Kane, assim como os criadores de Super-homem, era um garoto judeu que sonhava se tornar uma estrela com os quadrinhos. Seu pai era gráfico do New York Daily e conhecia um pouco do negócio (o que faria grande diferença na hora de negociar os direitos autorais).
Bob queria criar um super-herói que fizesse tanto sucesso quanto o super-homem. Acontece que ele não era exatamente um intelectual, e não conseguia escrever a histórias. Quando ele conheceu o jovem escritor Bill Finger, foi um casamento perfeito. Embora Finger pretendesse se tornar um escritor sério, ele também era apaixonado pelos pulp fiction e estava disposto a produzir qualquer coisa que lhe rendesse dinheiro.
Procurando inspiração para sua criação, Bob Kane vasculhou sua coleção de Flash Gordon e se deparou com os homens-pássaros desenhados por Alex Raymond. Ele então apresentou para Finger um herói vestido de vermelho, com asas mecânicas, chamado Homem-pássaro.
Finger achou que não era uma boa idéia. Como o personagem ia estrelar uma revista chamada Detetive Comics, ele pensava que deveria ter um ar mais soturno, uma criatura noturna, furtiva, envolta em uma capa preta. Que tal se fosse inspirado num morcego? Eles bolaram então um personagem vestido de cinza, com uma capa preta recortada, um capuz com orelhas e olhos que pareciam apenas frestas, dando um ar assustador ao conjunto. Para completar o conjunto, colocaram um morcego no peito do herói (para imitar o S do Super-homem) e lhe deram um cinto de utilidades com mil e uma bugigangas.
Os editores da National acharam o personagem perfeito para a Detetive Comics, mas Kane se negou a vender os direitos totais do personagem. Seu pai consultou um advogado e conseguiram um bom contrato que garantia muitos direitos para o desenhista. Posteriormente, quando Jerry Siegel e Joe Shuster tentaram conseguir na justiça os direitos do Super-homem, estes procuraram Bob para que ele entrasse com eles no processo. Ao invés de fazer isso, ele procurou a editora e negociou um contrato ainda melhor para ele.
Batman estreou no número 27 da revista Detetive Comics, em maio de 1939 e foi um sucesso imediato. Como Bill Finger não conseguia dar conta de todos os roteiros, Kane pediu à editora um segundo roteirista e apareceu Gardner Fox, que, na primeira história, mostrou o personagem levando um tiro. Isso definiu algo que ficaria claro nos anos seguintes: o personagem era o oposto do Super-homem. Enquanto um era a luz, o outro era as trevas. Enquanto o Super-homem vivia na ensolarada e otimista Metrópolis, Batman se esgueirava pelos becos escuros da corrompida Gothan City. Se o Super-homem era invencível e gostava de ricochetear balas em seu peito, o Batman era falível, um humano normal, que só ganhava graças à sua astúcia e ao cinto de utilidades.
Por muito tempo os leitores achavam que Bob Kane fazia todos os desenhos (a sua assinatura constava em todas as histórias), mas logo surgiram vários desenhistas fantasmas. Entre eles, Jerry Robinson, Jim Mooney e Sheldon Moldoff. Na época, Kane ficou famoso e costumava levar garotas em seus carrões para ver sua mansão adornada por uma série de quadros de palhaços pintados por ele. Dizia-se que até esses quadros haviam sido feitos por um desenhista fantasma.

Com o tempo, a descoberta de que muitas crianças liam a história fez com que fosse introduzido um parceiro mirim, o Robin. A partir de então, todo herói que se prezava tinha que ter um parceiro infantil. Geralmente eram eles que vendiam lancheiras para crianças.

Monteiro Lobato: Cidades Mortas

Em 1917, Lobato, já formado, é nomeado promotor público da cidade de Areias, no interior paulista. Areias era o que o autor mais tarde chamaria de Cidades Mortas. Vítimas das mudanças econômicas, esses lugarejos, antes prósperos, viviam em estado de lesmice patológica. Com a economia local quebrada, a maior parte dos jovens se mudara para cidades mais desenvolvidas e só ficava em Areias quem não tinha condições ou idade para a mudança.
            Numa cidade como essa, até o passeio matutino do recém-nomeado promotor público virava atração pública. As moças saiam na janela para ver Lobato passar.
            Naquela época Lobato já namorava sua futura esposa, Maria da Pureza Natividade. Ia de vez em quando a São Paulo para vê-la. As cartas escritas para ela revelam gripes, caçadas a onças, uma ou outra refrega entre vizinhos e muita saudade. Em suma, não havia o que fazer em Areias. Assim, Lobato gasta a maior parte do tempo lendo e escrevendo. Vai passando para o papel o que observa no lugarejo. São esses escritos que mais tarde formarão o livro Cidades Mortas. Nos escritos, Areia é rebatizada de Oblivion, depois Itaoca.
            Em Oblivion só meia dúzia de pessoas recebe jornais. São a intelectualidade local. Livros só há três, que passam de mão em mão. Cada um que pegava fazia questão de escrever algo. “Li e gostei”, afirmava um. Outro versificava: “Já foi lido - pelo Valfrido”.
            Cidades Mortas é cheia desses casos, entre eles o de um réu que escapou enquanto o júri permanecia horas reunido numa sala, incapaz de tomar uma decisão.
           




Príncipe Valente

    
O Príncipe Valente surgiu no do­mingo de 13 de fevereiro de 1937. O seu criador, Hall Foster, entretanto, o havia imaginado desde 1934, quando fazia as historias de Tarzan para a United Features Syndicate. Em 1936 ele ofereceu à distribuidora seu personagem medieval. Mas United queria que ele fizesse uma tira diária e, caso tivesse sucesso, passaria a uma página dominical colorida. Foster, de traço muito detalhado para tiras diárias, preferiu apresentar seu personagem à concorrente King Features Syndi­cate , a mesma que publicava o Flash Gordon de Raymond.
    A KFS aceitou na hora e, fevereiro de 1937 saia a primeira prancha de Príncipe Valente. O personagem deveria se chamar Arn, mas a distribuidora achou que Valente teria um maior impacto nas vendas. Foster aceitou, mas posteriormente deu o nome de Arn ao filho do protagonista.
    Príncipe Valente se passava numa Idade Média romântica, dos tempos do Rei Arthur. Assim, o jovem príncipe, descendente de um trono que foi tomado pelos bárbaros, vive várias aventuras até chegar a Camelot, tornando-se um dos membros da Távola Redonda. A pesquisa histórica é impressionante. Foster comprava livros e percorria museus, coletando informações sobre as roupas, costumes e arquitetura da época. Apesar de, visualmente, a história ser uma reprodução fiel do período histórico, Foster não se prendia à cronologia. Cavaleiros medievais conviviam com soldados romanos e até com dinossauros.
    Para não perder nada de seus desenhos detalhistas, Foster não usava balões. A narrativa e os diálogos eram acomodados abaixo dos quadros. Apesar disso, o autor explorou bem a linguagem dos quadrinhos, com seqüências dinâmicas poucas vezes vistas. Se o desenho está entre os melhores já surgidos nas histórias em quadrinhos, o texto não ficava atrás. Sem cair na redundância, eles complementavam perfeitamente as imagens.
A qualidade da historieta era tão notória (tanto em termos de desenho, quan­to de texto) que Príncipe Va­lente foi uma das poucas HQs poupadas pela caça aos quadrinhos da década de 50.
Príncipe Valente foi o primeiro personagem de quadrinhos a envelhecer, na proporção de um ano para cada dois anos dos leitores. Ele se casou, teve filhos e o príncipe Arn já é, hoje, mais velho do que seu pai era quando começaram as aventuras.

As pranchas de Príncipe Valente foram publicadas em álbuns luxuosos pela Editora Brasil-América – Ebal – com grande sucesso e essa coleção está sendo relançada pela Opera Graphica. Não existe colecionar sério de quadrinhos que não tenha pelo menos um livro dessa obra-prima em sua estante.

segunda-feira, setembro 18, 2017

Colecionador é um povo doido?

No século 17 houve uma mania de tulipas na Holanda. Por alguma razão, as pessoas passaram a valorizar cada vez mais as flores, a ponto de uma tulipa valer mais do que uma casa. Ninguém sabia explicar porque elas valiam tanto.Isso levou a uma bolha especulativa de, ao estourar, fez várias pessoas ficarem miseráveis. 
Para mim, quadrinhos sempre tiveram valor sentimental. As revistas que mais valorizo são aquelas que foram importantes para mim, ou que tiveram histórias muito boas, que me marcaram profundamente. Para mim, por exemplo, as edições mais valiosas de Superaventuras Marvel são a 5 (a primeira que li) e a 24 (primeira que comprei e a que iniciou a magnífica saga da Fênix Negra). 
Mas, para um colecionador, a número parece ser a mais importante de uma série, independente da qualidade ou de qualquer fator sentimental. Parece ser apenas a febre das tulipas dos quadrinhos: o valor é puramente aleatório. 
Recentemente tive um exemplo disso em um sebo ao encontrar um superalmanaque de Kripta por um valor alto. Perguntei à vendendora o porque do valor. Esperava uma resposta como: "Essa foi uma das melhores revistas de terror já publicadas no Brasil e este número especial selecionou algumas das melhores histórias" ou algo assim. Mas a resposta foi simplesmente: essa é a número 1. Detalhe: só houve dois surperalmanaques de Kripta, ambos igualmente bons, mas, pela lógica do mercado, o número 1 vale uma fortuna e o 2 vale pouco. 
Há várias revistas que foram melhorando com o tempo. A versão dos Trapalhões da Bloch, por exemplo, só se tornou o clássico dos quadrinhos que foi depois que a equipe criativa ganhou liberdade para fazer algo dentro da linguagem de quadrinhos. Os primeiros números eram simples adaptações dos roteiros da TV. Heróis em ação foi outra que se tornou um clássico com o tempo. A própria Superaventuras Marvel, provavelmente o melhor mix Marvel publicado pela Abril, só teve sua melhor fase, só construi sua identidade, depoi do número 1, em especial quando começou a publicar, simultaneamente, o Demolidor de Frank Miller, os X-men e Chris Claremont e John Byrne e outros clássicos, como a melhor fase do Pantera Negra. Mas para um colecionador, o mais valioso é o número 1. Vai entender.

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O assassinato no Expresso do Oriente


A primeira vez que soube da famosa obra de Agatha Christie foi através de um tremendo spoiller. Eu liguei a TV e a parte final da adaptação cinematográfica estava passando. Exatamente a parte em que Poirot desvenda o mistério do assassinato.
Dessa forma, demorei muito para me interessar em ler o livro. Afinal, em uma história policial, o mais importante é o desfecho. Se já conhecemos o final, o livro ainda pode trazer algum atrativo?
Para minha surpresa, sim. O assassinato no Expresso do Oriente é um tremendo livro, uma trama muito bem elaborada, com personagens marcantes e um mistério aparentemente indecifrável: um homem é assassinado em um trem e, embora haja muitas pistas, nenhuma delas parece solucionar o mistério.
Aliás, para mim, o interessante foi justamente identificar a forma genial como a autora planta pistas falsas ao longo da trama. Mais ainda: em certo ponto no final, a trama sofre uma reviravolta, uma revelação sobre cada um dos suspeitos que, ao invés de facilitar, torna ainda mais difícil destrinchar o mistério. Eu lia e pensava: que sacada!

Para quem não conhece o final, o livro deve ser ainda mais interessante. Um dos obrigatórios de Agatha Christie. 

Como cancelar serviços da NET


A NET é uma empresa que oferece serviços de TV a cabo, internet e telefone. A coisa mais fácil do mundo é conseguir contratar um serviço deles: você liga e às vezes no mesmo dia aparece um técnico para instalar o equipamento. Cancelar os serviços, no entanto, é um verdadeiro calvário.
Quando morava em Curitiba eu assinava um pacote de internet mais telefone passei por todas as dificuldades que todos enfrentam na hora de cancelar o serviço.
Assim, preparei um passo-a-passo para evitar que outras pessoas passem pelas mesmas dificuldades na hora de cancelar pacotes da NET:

1) Não ligue para o 0800. Eu liguei seis vezes. Em todas elas as ligações demoraram quase uma hora, com atendente me passando para atendente. Em todas eu, teoricamente, conseguia o cancelamento do serviço. Pedia inclusive que me enviassem por e-mail o número de protocolo. Quando ligava de novo, descobria que não havia nenhum registro de pedido de cancelamento.

2) Não se preocupe com número de protocolo. Mesmo quando mandam por e-mail, são apenas números, não dizem nada - até porque o e-mail não traz o assunto ao qual aquele protocolo se refere. Em um processo pode-se descobrir, por exemplo, que aquele número de protocolo se refere a uma gravação vazia. Número de protocolo de ligação não tem nenhum valor legal.

3) Leve o equipamento diretamente na loja. Eles agendaram dia para pegar equipamento e simplesmente não apareceram. Quando meu filho foi levar o equipamento na loja, descobriu que não havia nenhum registro de pedido de cancelamento (apesar das minhas seis ligações).

4) Exija na loja comprovante de entrega do equipamento e de cancelamento do serviço.

5) Se a conta estiver no débito automático, procure o banco para cancelar o débito automático. Mesmo depois de entregue o equipamento e cancelado o serviço, eles provavelmente ainda vão cobrar uma ou duas mensalidades. Eles fazem isso por uma razão muito simples: se o consumidor entrar na justiça, o máximo que irá conseguir será seu dinheiro de volta em dobro. O máximo. E quem vai contratar um advogado e ter todo stress de um processo judicial para receber 300 reais de uma cobrança indevida? Se o débito automático for cancelado e a NET colocar o nome do consumidor no SPC- Serasa, fica caracterizado o dano moral. Aí sim vale a pena um processo, pois os valores altos de indenização por inclusão indevida no SPC-Serasa compensam o processo.

Monteiro Lobato: O Minarete

José Renato Monteiro Lobato nasceu em Taubaté, São Paulo, no dia 18 de abril de 1882. Alguns anos depois modificou seu nome para José Bento, pois desejava usar uma bengala que fora do pai e que estava marcada com as iniciais J.B.M.L. Tinha duas irmãs, Judite e Ester, e brincava com brinquedos rústicos, feitos de sabugo de milho, chuchus e mamão verde.
            Esses primeiros anos influenciaram em muito a sua produção infantil. A Taubaté daqueles tempos certamente tinha um pouco do que viria a ser o Sítio do Pica-Pau Amarelo.
            Desde pequeno Lobato adorava livros. Devorou a toda a biblioteca do avô paterno, o Visconde de Tremenbé. Leu tudo que havia para crianças na época - o que não era muito. Ainda não surgira um Monteiro Lobato para escrever livros que as crianças realmente apreciassem...
            Os principais traços da personalidade do escritor já se delineavam na época. Extremamente sincero, Lobato falava o que queria, abusando da ironia e do cinismo.
            Aos 15 perde o pai, aos 16, a mãe.
            Nessa época ele estudava num colégio em São Paulo, onde fundou vários jornais, usando pseudônimos. Lobato queria ser escritor, ou pintor. Por ele, faria a escola de Belas Artes. Mas o avô queria vê-lo advogado, ou juiz. Assim, no ano de 1900, com 18 anos, o jovem escritor entra para a Faculdade de Direito de São Paulo. Lá ele faz amizade com várias outras pessoas que adoram literatura, entre eles Godofredo Rangel e o poeta Ricardo Gonçalves. Fundam o grupo literário O Minarete. Minarete era a república onde eles moravam, um chalé amarelo, chamado assim em homenagem às mesquitas maometanas. Todos eram boêmios e rebeldes.
            Em 1904 Lobato forma-se em direito e volta para Taubaté. Continuaria a ter contatos com os amigos, em especial com Godofredo Rangel, com o qual se corresponderia até o fim da vida. Todas essas cartas foram reunidas em dois livros, chamados de A Barca de Gleyre.
            Monteiro Lobato escrevia cartas como ninguém. Durante toda a sua vida, ele jamais deixou de responder as cartas dos amigos, fãs e, principalmente, crianças. Algumas dessas cartas foram reunidas em livros, Cartas Escolhidas, e Cartas de Amor, com as missivas que ele mandava para sua esposa, Purezinha, ainda na época do namoro.


domingo, setembro 17, 2017

O que é Nosferatu?


Nosferatu é o nome do primeiro vampiro de sucesso do cinema. Nosferatu – uma sinfonia de amor, foi dirigido por F. W. Murnau, na Alemanha, em 1922, e influenciou todos os filmes de terror que vieram depois dele. A história é uma adaptação não-autorizada do romance Drácula, de Bran Stocker (a viúva do escritor chegou a processar o estúdio).
O filme conta a terrível história de um simples cidadão alemão que recebe a proposta de vender um imóvel em frente à sua casa para um desconhecido morador da Transilvânia. Certo que esta negociação lhe renderá muito dinheiro, o jovem Hutter segue para o país dos ladrões e dos fantasmas, onde descobre que essa misteriosa pessoa é nada mais nada menos que Nosferatu, um vampiro. Ele compra o imóvel e segue para a cidade de Hutter atrás de sua mulher, Ellen.
Nosferatu não é galante ou sexy. Ao contrário, ele é a encarnação do mal e isso é visível em seu rosto monstruoso.
O filme inovou pelo uso da luz de sombra e por usar efeitos que depois se tornariam populares, como a aproximação da câmera para criar a noção de que algo  terrível vai acontecer.

Hoje, Nosferatu pode não provocar sustos, mas suas imagens ficam gravadas na mente, tão tenebrosas e sombrias que jamais são esquecidas.