domingo, dezembro 17, 2017

Processos midiáticos e novos tipos de interação

O interesse no estudo do processo de comunicação surge justamente no período em que, na maior parte do mundo, os meios de comunicação de massa afloraram. As análises passaram de uma visão autoritária, da mídia como toda poderosa, às propostas de meios interativos. Hoje, a linha de pesquisa em processos midiáticos abre a porta para possibilidade de ver todos os meios como interativos, inclusive aqueles que são vistos como de sentido único.
Durante muitos anos, a mídia foi vista como uma flecha, de sentido único e autoritário, a exemplo do que pregava a teoria hipodérmica. Essa visão de uma mídia toda poderosa influenciou muito a corrente apocalíptica, que via as novas mídias, tais como o cinema e o rádio, como estando a serviço do autoritarismo.
Uma tentativa de tirar das novas tecnologias esse caráter autoritário surge com as propostas de interação. Assim, se existem veículos de sentido único, existem também mídias que permite um feedeback ativo, a exemplo do MSN, do chat e do e-mail.
Esse  modelo dialogal de interação será criticado por José Luiz Braga. Para ele, todos os processos midiáticos permitem interação.
Sua proposta de interação não se prende apenas à possibilidade de resposta ao emissor por parte do receptor. Existe também a possibilidade de interação receptor-produto  e receptor-sociedade ou sociedade-produto.
Esse modelo quebra totalmente com a ideia hipodérmica de receptor passivo.
Uma das formas de interação pode ser configurada na apropriação. Se existem pessoas que recebem os produtos da mídia de forma passiva e a-crítica, existe aqueles que reconfiguram sua simbologia, numa atitude que lembra a música Geração Coca-cola, do Legião Urbana (Vamos cuspir de volta o lixo em cima de vocês). Utilizar um símbolo da mídia e reconfigurar seu significado, como a Coca-cola, é uma forma de interação. 
Mesmo quando não é uma crítica negativa, essa resignificação pode ser uma forma de apropriação. Em um texto eu meu blog, eu faço uma relação do seriado Terra  de Gigantes com paradigmas científicos, uma discussão que provavelmente não estava nos planos dos criadores do mesmo. O fato de não sabermos se os protagonistas diminuíram de tamanho e estão em um mundo de pessoas com estatura normal, ou se estão de fato numa terra de gigantes abre espaço para discutir a teoria da relatividade, a física quântica e o relativismo filosófico.

Formas mais elaboradas de interação podem ser encontradas nos fanfics, em que fãs interagem com a obra original, mostrando outras possibilidades de interpretação. O fanfic O portal das probabilidades, de minha autoria, por exemplo, introduz a teoria do caos no universo da série alemã de ficção científica Perry Rhodan.
Claro que essa possibilidade de interação com os MCM é tanto maior quanto maior for a capacidade crítica dos indivíduos. Daí a importância, levantada por Braga, da criação de um sistema crítico.
Quanto mais preparadas estiverem o indivíduo e a sociedade, melhor a sua capacidade de interação e menores as chances de manipulação ou de recepção ingênua (se está publicado, é porque é verdade). Setores organizados da sociedade podem ter importância fundamental nesse processo.
Exemplo recente dessa possibilidade de interação crítica aconteceu com a publicação de uma reportagem da Veja contrária à demarcação de terras indígenas (A farra da antropologia oportunista). Um antropólogo citado na matéria veio a público denunciar que a revista teria inventado uma entrevista com ele. A revista argumentou que a citação fora tirada de um dos livros do pesquisador. Este contra-argumentou que a citação fora deturpada para  servir aos interesses  da publicação.
O SBPC lançou uma nota pública de repúdio à Veja e de apoio ao antropólogo. No Twiter,  surgiu a tag #boicoteveja, que pretendia aglutinar casos semelhantes de manipulação. Blogs, num processo de apropriação, fizeram capas fictícias da Veja, denunciando o perfil manipulador das matérias da revista. Numa delas, por exemplo, aparecia Darth Vader com o título “Ele salvou você”. Na mesma capa, sob uma imagem do mestre Yoda, a legenda: “Descoberto o líder espiritual dos terroristas rebeldes”.

Escreva um roteiro agradável de se ler


A maioria dos roteiristas se esquece completamente que o roteiro, antes de se tornar uma história em quadrinhos, será lido por alguém. E esse alguém geralmente é um desenhista. E, posso garantir: a maioria dos desenhistas não são leitores vorazes.
Assim, se o desenhista não ler, ou ler com pouca atenção, não irá desenhar, ou irá cometer erros, e alguns podem tornar sua história quase incompreensível.
Uma boa tática é “conversar” com o desenhista no roteiro, se você já souber quem é ele. Em uma das histórias que escreveu para Supreme, Alan Moore escreveu para o desenhista paraense Joe Bennett: “Joe, sei que você gosta de prédios expressionistas. Você vai adorar essa história!”.
Eu gosto de fazer pequenas piadinhas em meus roteiros. Pequenas anedotas que prendem a atenção do desenhista e ajudam a explicar o que quero (não sei você consegue entender exatamente, mas infelizmente não posso desenhar isso para você. Afinal, você é o desenhista! rs).
Outra coisa que aprendi é que nem sempre termos técnicos são uma boa solução, especialmente se forem termos técnicos do cinema. Logo que comecei a escrever, usei uma vez a expressão “câmera subjetiva”. Eu queria que a sequência de imagens daquela página fosse vista sob o ponto de vista de determinado personagem e é isso o que significa câmera subjetiva. Mas o desenhista não entendeu e desenhou como quis. Mas para me satisfazer, desenhou uma câmera de vídeo no fundo do quadro. Detalhe: uma câmera que não tinha a menor razão para estar ali!
Ler roteiros de outros escritores pode ser uma boa solução para tornar os seus agradáveis. Você verá que o que se o roteiro é gostoso de ler, provavelmente o resultado final também será. Uma vez tive acesso a um roteiro de um capítulo de novela O cravo e a rosa, de Walcyr Carrasco. Esse é um noveleiro conhecido por novelas divertidas, leves, com um toque de humor sutil e saudosista. O roteiro era exatamente assim. Até mesmo as partes técnicas tinham essas características. 

A árvore das ideias

Eu e Bené Nascimento, hoje Joe Benett, formamos durantes muitos anos uma das mais conhecidas e duradouras duplas dos quadrinhos nacionais. Na verdade, nós só paramos de colaborar um com o outro quando Bené começou a trabalhar para os EUA, e ficou sem tempo para nossos projetos em conjunto. Mesmo assim, de tempos em tempos ele me procurava para fazermos algo em conjunto. Mas quando os prazos da Marvel ou da DC começavam a apertar, ele voltava ao que dava dinheiro.
Nós tínhamos um método próprio de criação que lembra muito a parceria entre Stan Lee e Jack Kirby. O Bené aparecia quase todas as manhãs lá em casa. Como ele é enorme, ocupava quase todo o meu pequeno quarto, de modo que preferíamos ficar na frente da minha casa, debaixo de uma árvore da vizinha. E o Bené lembrava de uma lanchonete em Nova York que ficou famosa por ser o lcal em que Kirby e Lee criaram a maior parte de suas histórias, e dizia: “Um dia essa árvore também vai ficar famosa. Vão colocar uma placa aqui dizendo: Aqui Gian Danton e Bené Nascimento bolaram suas melhores histórias”.
Nós ficávamos lá debaixo da árvore, discutindo detalhes das HQs. Quando terminávamos, Bené ia para casa e depois me trazia um rafe sobre o qual eu colocava o texto e os diálogos. No começo ele, mais experiente, sempre dominava a criação e eu me limitava a dar alguns toques, a pedir algumas modificações. Com o tempo, fui ganhando domínio da linguagem e passei a dar mais idéias. O ponto alto desse processo foi na história “Noir”. Nós estávamos chateados com o conservadorismo dos editores de terror no Brasil. Enquanto o mundo lá fora pegava fogo com as histórias de terror sofisticadas de gente como Alan Moore (Monstro do Pântano) e Neil Gaiman (Sandman), no Brasil ainda se fazia terror nos moldes da década de 1960. Havia até uma regra implícita de que o protagonista sempre deveria virar monstro ao final da HQ de terror. Isso era feito com o objetivo de surpreender o leitor, mas mesmo o leitor mais obtuso, depois de ler três histórias, logo sacava a estrutura.
Outra estrutura era mostrar alguém muito mal, que era castigado por suas vítimas que voltavam do túmulo para se vingar. O quadrinista nordestino Luiz Eduardo já havia feito uma crítica disso na história “Mais do Mesmo”, e nós também queríamos expressar nossa revolta com essa camisa de força.
Então um dia eu sonhei com uma história completa. Quando acordei fiz um rafe e coloquei o texto. O Bené gostou tanto que seguiu rigorosamente o rafe. Na HQ eu mostrava um personagem que era, obviamente, John Constantine, andando por uma rua. À medida em que ele andava, apareciam monstros clássicos que eram eliminados da forma mais simples possível. Na verdade, para eliminá-los, Constantine usava apenas sua enorme sorte. Um vampiro, por exemplo, era atropelado por um carro. Ao final, ele encontrava com outro personagem, que mostrávamos na penumbra, mas dava para perceber que se tratava de Monstro do Pântano, e eles conversavam num papo que ecoava uma crítica ao terror clássico.
Surpreendetemente, essa história foi publicada na revista Mephisto, terror negro, uma das revistas mais conservadoras da época.
Uma outra exceção ao processo criativo da copa da árvore foi a história “Noir”, coincidentemente publicada também na revista Mephisto. O Bené tinha recebido um roteiro do editor, mas não gostou, achando o desenvolvimento óbvio demais. Estávamos discutindo isso no ônibus, quando o Bené me disse:
- Quer saber? Não vou ilustrar esse roteiro! Vamos criar outra coisa e mandar para eles! E vamos criar agora!
E assim começamos a conversar sobre como seria a história. Bené queria que ela tivesse um clima noir. Eu lembrei de um filme que tinha esse clima e que sempre esteve na minha relação dos 10 melhores: Coração Satânico, de Alan Parker.
Coração satânico tinha uma estrutura na qual um detetive procurava por um homem desaparecido. À medida em que a investigação avança, ele vai vendo todos os seus informantes sendo mortos. No final, ele descobre que o homem que ele procura é ele mesmo e o cliente é na verdade Lúcifer, para quem ele havia vendido a alma.
Imaginamos uma situação assim, mas com um contexto de vampiros, já que vampiros eram um tema clássico e, imaginávamos, iria agradar os editores. Assim, um detetive investigava assassinatos em séries cometidos por um vampiro e, ao final descobre que ele é o assassino.
Essa história foi barrada pelo Diretor de arte, Dagoberto Lemos, assim que chegou na editora. Ele argumentou que o desenho do Bené estava muito sujo e a história era incompreensível. Quem nos salvou foi a editora, Neuza de Castro Luz, que bateu o pé e foi falar com o dono da editora. Sua aposta valeu a pena: a revista, que antes vendia 40% da edição, pulou para 70% naquele número.
É um desses casos explicados pela teoria dos paradigmas: como não era da área, Neuza não percebeu que nossa HQ não se encaixava no terror anos 60, típico de revistas como Calafrio e Mephisto.

sábado, dezembro 16, 2017

Feliz natal


Chaves - Fernandinho viadinho

A geração que salvou Hollywood


No final da década de 1960, Hollywood vivia o seu pior momento. Poucos filmes faziam sucesso, muitos estúdios estavam em vias de fechar e o sistema que perdurou durante décadas se revelava um beco sem saída. A venda de ingressos, que em 1946 era de 78,2 milhões de dólares por semana, caíra para 15,8 milhões e estava ladeira abaixo.

Esse sistema permitia, por exemplo, a existência de um diretor quase cego, como Norman Taroug, de Canções e Confusões, com Elvis Presley. Os diretores eram funcionários de luxo que estava no setapenas para garantir que os atores ficassem nos lugares certos quando a câmera começasse a filmar. A maioria dos diretores não podia nem entrar na sala de projeção para ver o corte final.

Era também uma situação que dificultava a inovação. Só dirigia um filme quem já tivesse dirigido um filme. A média de idade nas equipes técnicas era de 60 anos. 

Foi justamente nesse período que um grupo de diretores jovens, a maioria amigos, revolucionou a indústria de cinema, com equipamentos novos, mais leves, e a vontade de fazer as coisas de maneira totalmente diferente. 

É a história desses revolucionários que Peter Biskind conta no livro Como a geração sexo, drogas e rock'n'roll salvou Hollywood (Intrínseca, 2009, 520 págs.). Biskind é editor-executivo da revista Premiere e editor-chefe da American Film, sendo um famoso crítico de cinema. 

O autor conta a história dos filmes, diretores, roteiristas, produtores e atores que formaram a chamada Nova Hollywood usando uma narrativa deliciosa, que vai pulando de um personagem para outro, conforme eles se encontram. Embora vivessem uma guerra de egos, a maioria desses astros eram amigos, ou tão amigos quanto Hollywood permite. Spielberg, Scorsese e Coppola frequentavam as festas na casa de Brian De Palma. George Lucas servia comida nas recepções na casa de Copolla e tinha com ele uma relação pai-filho, inclusive nos seus conflitos... 

David Newman, analisando o sucesso de Bonnie e Clyde, filme roteirizado por ele, diz que os personagens foram mortos não porque roubavam bancos ("Ninguém gostava da porra dos bancos"), mas por serem revolucionários estéticos. E provavelmente por colocarem na tela o conflito de gerações que caracterizou toda a década de 1970 e todo o cinema do período. 

A mudança estética proposta por Bonnie e Clyde não ficou apenas nas películas, mas em todos os aspectos. Na nova Hollywood, executivos, diretores e produtores trocavam ternos e gravatas por calças boca de sino, colares, cabelos compridos, barba e sandálias. Também mergulhavam nas drogas ― qualquer droga que estivesse na moda, até gás do riso.

Bert Schneider e Bob Rafelson são exemplos disso. Donos da BBS, a mais importante produtora do período, eles pareciam ter caído de outro planeta, mesmo estando ligados à Colúmbia, o mais conservador dos estúdios. Na BBS, as secretárias passavam a maior parte do tempo enrolando baseados para os visitantes. 

Poucos filmes sintetizaram, tanto no resultado final quanto na produção, o melhor e o pior da década quanto Sem Destino, de Dennis Hopper.

Hopper era um bad boy odiado pelos estúdios. Costumava ir às festas e, quando via um produtor, o ameaçava perguntando por que não estava dirigindo nenhum filme. Era violento (batia na mulher) e vivia à base de drogas e álcool. Mesmo assim, o ator Peter Fonda o chamou quando teve a ideia de fazer um filme sobre motoqueiros que atravessam o país depois de conseguirem muito dinheiro vendendo cocaína.

Como ninguém queria patrocinar, eles procuraram a BBS, que na época se chamava Raybert. "Esse cara é louco pra caralho, mas eu acredito totalmente nele, e acho que faria um filme brilhante para nós", disse Peter.

Os produtores deram 40 mil dólares de teste para que a dupla filmasse o carnaval de Nova Orleans. A reunião da equipe reuniu um monte de gente cabeluda, todos sentados no chão. Eles não tinham iluminador. Uma garota que não tinha nenhuma experiência na área se ofereceu. "Você quer fazer isso mesmo? Tô curtindo! Você vai iluminar o filme!", responde Hopper, sem se preocupar com o fato de que o iluminador é um dos técnicos mais importantes da equipe.

Eles não tinham roteiro e ninguém sabia exatamente o que filmar, só sabiam que se tratava de uma viagem de ácido. O diretor mantinha consigo sempre duas armas de fogo e gostava de gritar com a equipe, lembrando que o filme era dele. Numa cena no cemitério, Dennis insistiu para que Peter Fonda subisse no colo de Nossa Senhora e falasse sobre o seu relacionamento com a mãe, que havia se suicidado há pouco tempo. Fonda aceitou, mas nunca mais perdoou o diretor e a partir daí virou praticamente um inimigo público do mesmo. 


Além de diretor, Dennis fazia Billy e Peter fazia o Capitão América. O terceiro papel, de um advogado que se junta à dupla, deveria ser interpretado por Rip Torn, mas depois de uma briga com o diretor em que os dois quase se mataram, acabou sendo substituído por Jack Nicholson, no seu primeiro papel importante. Em meio a brigas pela autoria do roteiro e muita droga, as filmagens acabaram sendo feitas, mas o filme não ficava pronto. Dennis Hopper era um péssimo montador e não conseguia diminuir para menos de 4 horas. Tiveram que pagar-lhe uma passagem de férias para Laos. Quando voltou, ficou furioso ao descobrir que tinham diminuído seu filme para uma duração normal ("Você arruinou meu filme! Você transformou meu filme num programa de TV!", gritou ele), mas não matou ninguém, de modo que Sem Destinoestava finalmente pronto para as salas de cinema.

Mesmo assim, a Colúmbia não queria lançá-lo. Só depois do sucesso no festival de Cannes o estúdio resolveu colocá-lo no circuito. Foi um sucesso estrondoso. O filme custou apenas 501 mil dólares e faturou 19 milhões. 

Os donos de estúdios ficaram estarrecidos com a possibilidade de fazer filmes baratos que iriam faturar alto. Qualquer um que aparecesse com uma ideia diferente ganhava a possibilidade de realizar o seu projeto. Se alguém aparecesse querendo fazer um filme sem imagens, eles provavelmente aceitariam. 

Foi esse esquema que permitiu o surgimento de nomes como Francis Ford Coppola, William Friedklin, George Lucas, Bob Rafelson, Martin Scorsese, Hal Ashby, Robert Altman, Brian De Palma e Peter Bogdanovich e criou um sonho que duraria quase uma década antes de ser soterrado pela cocaína e pelos orçamentos descontrolados, já que os diretores, longe da ditadura dos produtores, gastavam até não poder mais e chegavam a se dar o luxo de passar o dia se drogando enquanto toda a equipe esperava para filmar ou mandar vir comida da Itália num jatinho enquanto filmavam na selva. 

É essa história que Peter Biskind conta com maestria em Como a geração sexo, drogas e rock'n'roll salvou Hollywood, provavelmente um dos melhores livros sobre o cinema norte-americano e seus bastidores.

A era metalzóica

A coleção Graphic Novel publicava histórias em quadrinhos que não se encaixavam no formatinho, fosse em termo de qualidade de arte ou estilo de roteiro. E, de todos os números publicados, nenhum foi tão diverso do que se fazia na época quanto A era metalzóica, de Pat Mills (roteiro) e Kevin O´Neill (arte). 
Os dois vinham da revista britânica 2000 AD e não conseguiam se encaixar no mercado dos comics americanos (uma história que Kevin O´Neill desenhou para o Lanterna Verde foi totalmente rejeitada pelo comics code).
Mas ambos propuseram à DC uma graphic estranha, sobre um mundo tomado por robôs em guerra – uma metáfora da evolução, mas com seres metálicos. Curiosamente, a história foi aceita, publicada e tornou-se um sucesso.
Na HQ não há heróis ou protagonistas (o mais próximo disso é Armagedon, um robô cujos circuitos de decência e piedade foram destruídos), que lidera um grupo de seres cibernéticos em sua busca por energia.
Não é uma história fácil de ser lida: o enredo já começa com ação, com um robô leão atacando o grupo e a única explicação sobre o mundo em que HQ é ambientada se encontra em uma das últimas páginas (alias, com texto corrido, em uma fonte pequena). O desenho de O`Neil às vezes é confuso, em especial nas cenas de lutas, com um emaranhado de fios, circuitos e metal pontiagudo.
A dupla depois faria Marshall Law, pela Marvel e Kevin O´Neil ficaria conhecido dos leitores pela série Liga Extraordinária, com roteiro de Alan Moore.

Papai Noel Velho Batuta - Garotos Podres

O homem que não existia


Informamos ao nosso distinto público que se encontra à venda o livro Francisco Iwerten - A Biografia de uma Lenda ao preço promocional de 15 reais apenas até o início do ano. Aproveite o clima natalino para presentear seus amigos com essa maravilhosa biografia. Interessados, favor contatar o senhor Gian Danton através do e-mail profivancarlo@gmail.com e mencionar este anúncio. 

A arte inesquecível de Galep

Galep é mais conhecido por ter sido o co-criador do ranger Tex, o mais famoso quadrinho italiano de todos os tempos. Seu estilo econômico e discreto, em que o desenho serve essencialmente à narrativa teve uma influência absoluta sobre os fumetti, em especial os publicados pela editora Bonelli. Mas seu trabalho não se restringiu a Tex: ele ilustrou de tudo, inclusive arte sacra. Confira o trabalho desse mestre e clique aqui para saber mais sobre sua trajetória.






















Tese explica a hiper-realidade do mundo atual


Já está disponível para leitura, no site da FAV-UFG, a minha tese A fantástica história de Francisco Iwerten: hiper-realidade e simulacro nos quadrinhos do Capitão Gralha. O PDF pode ser baixado aqui.

sexta-feira, dezembro 15, 2017

O taoismo e a superação dos pares contrários

Muita gente conhece, e até usa o símbolo aí em cima, mas pouca gente realmente sabe o que ele significa. O tei-gi é a representação visual dos princípios do taoismo uma filosofia-religião chinesa. Os taoistas acreditavam que a vida estava em constante mudança. Nada é eterno, nada é para sempre, tudo está em cosntante transformação. 
Mas essa transformação se dá de forma cíclica e é o que a figura mostra. Ela é formada por duas partes, uma preta e outra branca. São os pares opostos, o yin e o yang: o masculino e feminino, o feio e o belo, o bom e mal. Normalmente, quando interpretamos o mundo, usamos os pares contrários: fulano é belo, fulano é feio, fulano é vitorioso, beltrano é um derrotado. Mas a figura nos mostra que devemos transcender essa visão limitada.

As formas preta e branca formam uma espécie de onda, como se fosse a água se movimentando. Isso simboliza a eterna mudança, base de toda a criação. Os pares opostos não estão estaques, mas em movimento. Uma mulher que hoje é bela amanhã pode se tornar feia. O que hoje é bem, pode ser o mal. O que hoje é prazer pode se tornar dor. A vitória pode se transformar em derrota. 
O tei-gi nos ensina que no auge da parte branca, temos um pequeno círculo preto, demonstrando que o máximo de um estágio é o começo do estágio seguinte. O auge do sucesso marca o início da decadência. O auge da derrota pode ser o início da vitória. Exemplo: no início da década de 1940, quando invadiram a Rússia, os nazistas viviam seu maior momento e parecia que eles eram invencíveis. Mas foi justamente nesse período que os rumos da guerra começaram a virar em favor dos aliados. 
Dessa forma, os pares opostos não são absolutos: o belo traz em si também o feio. O feio traz em si o belo. A imagem permite ver os pares opostos em uma perspectiva global e é o que faz o taoista, indo além deles. Assim, para o taoista, vitória e derrota são apenas dois lados da mesma moeda e não se deve apegar a nenhum deles, pois seria estar parado em um mundo de eterno movimento.

Feliz natal


Quadrinhos na escola


Discutindo Língua Portuguesa era uma revista da editora Escala voltada para professores de Português e disciplinas afins. No número dois da revista eu publiquei um texto sobre uso de quadrinhos em sala de aula. O texto falava do preconceito contra os quadrinhos (razão pela qual muitos professores se recusam a usar gibis em sala de aula), sobre os elementos dos quadrinhos, tipos de HQs e até explicava como é feito um gibi. Além disso, trazia sugestões de atividades em várias disciplinas e indicações de leituras. 

Heróis em ação


Heróis em ação foi uma revista que marcou época. Na época os melhores quadrinhos da DC Comics eram publicados ali, como Novos Titãs e, principalmente, o Esquadrão Atari. Esse último era uma história de ficção científica com personagens carismáticos e desenho do espetacular Garcia Lopez. Gerry Conway, um roteirista irregular, que fazia coisas muito boas ou muito ruins, estava num momento inspirado, pois fez ótimo trabalho no Esquadrão. A aventura lembrava os seriados antigos, com o suspense no final do capítulo.  Falando em Garcia Lopez, no início da década de 1980 a Abril lançou uma coleção de figurinhas com os personagens da DC desenhadas por ele. A tais figurinhas tinham efeitos metálicos que maravilhavam a garotada. Infelizmente não comprei na época, mas gostaria muito de tê-lo feito.

Feliz natal


DDA – Distúrbio de déficit de atenção


O livro Mentes Inquietas, de Ana Beatriz Silva (editora Gente) fala sobre uma doença chamada Distúrbio de Déficit de Atenção – DDA. Poucas vezes eu me vi tão bem retratado em um obra e, conversando com amigos, descobri que esse distúrbio é mais comum do que se imagina.
A própria autora admite que o termo não é adequado, já que dá a entender que a pessoa jamais consegue se concentrar em algo. Na verdade, um DDA consegue, às vezes, concentrar-se em algo (como ler um livro) de tal forma que a casa pode cair que ele nem mesmo irá perceber. Na verdade, não seria uma falta de atenção, mas uma atenção instável: muita concentração em alguns momentos e nenhuma concentração em outros.
Para um DDA é um suplício concentrar-se em uma atividade obrigatória. A autora compara a situação a um carro desregulado, que gasta mais combustível e submete suas peças a um maior desgaste. Muitos DDAs descrevem, que, após atividades obrigatórias, sofrem um profundo cansaço mental e às vezes físico.
Um DDA em uma palestra cujo tema não lhe é necessariamente interessante irá “viajar” em pensamentos próprios, desligando do tema da palestra. Ou então ficará se mexendo na cadeira ou mexendo em objetos, seu corpo refletindo sua vontade de sair dali correndo.
Os DDAs costumam ser impulsivos e atirar primeiro e pensar depois. A impulsividade, o fazer sem pensar, é uma das principais características desse distúrbio.
Um DDA está fazendo algo aqui e pensando em algo que deveria estar fazendo ali na frente. Isso às vezes até na leitura. Estou lendo aqui um livro de metodologia e estou pensando em um livro de Relações Públicas que preciso ler ou em um texto que preciso escrever, ou em um roteiro que me foi encomendado, ou em uma transparência que preciso preparar. Meu método de trabalho é o mais desorganizado possível. Estou lendo um livro, no meio dele encontro uma frase que me remete a algo que li em outro livro. Largo aquele primeiro livro de lado e pego o outro. No outro encontro outra frase que me remete a outra obra. Quando vejo, estou com cinco ou seis livros abertos na minha frente.
Um DDA está sempre se envolvendo em muitos projetos e nem sempre consegue terminá-los todos. Até porque, quando as coisas começam a dar errado, ele entra em desespero. Isso ocorre porque o cérebro tem dificuldade para acionar uma parte da memória chamada de funcional, cuja função é encontrar na mente situações semelhantes vividas no passado que possam ajudar no problema presente. Uma maneira de lidar com isso é o que os publicitários chamam de "deixar o problema dormir". Quando não consigo resolver um problema a ponto de entrar em desespero, deixo de lado a situação e vou fazer outra coisa. Aprendi isso com o monge Guilherme, do livro O Nome da Rosa. Quando a situação se tornava insolúvel, ele ia tirar uma soneca. Sherlock Holmes tocava violino. Após algum tempo a solução surge espontaneamente.
Uma vez uma ex-aluna se espantou quando eu disse que estava lecionando metodologia científica: “Você não parece um professor de metodologia científica”. Mas é justamente isso: você procura conhecimentos que te ajudem a lidar com suas dificuldades. Trabalhar com metodologia é uma forma de me organizar melhor, de colocar em ordens os projetos... foi por essa mesma razão que comecei a me interessar pela teoria do caos...
Ainda assim não é fácil. Ao lado do meu computador, tenho um quadro de avisos. De um lado há o FAZER URGENTE, onde coloco as tarefas urgentes. Do outro o FAZER onde coloco as tarefas que necessitam ser feitas, mas não com urgência. Não fosse esse quadro, eu me perderia no meio de tantos projetos e tantas necessidades. Isso funciona para mim, pois, apesar da instabilidade de atenção, nunca perdi um prazo e felizmente nunca precisei tomar remédios.
Um DDA típico era o meu amigo Alan Noronha. Grande escritor, ele nunca conseguia terminar os trabalhos e cumprir os prazos. Há algum tempo recebi um e-mail dele dizendo que ele admira meu pragmatismo. Mal sabe ele que esse pragmatismo é conseguido às duras penas e graças a uma luta diária contra a instabilidade de atenção....
Para a autora, alguém um DDA leve não precisa necessariamente procurar tratamento médico, desde que isso não atrapalhe suas atividades: “O adulto ‘levemente’ DDA por certo não deve ter muitas reclamações a fazer. Ele é dotado de um alto nível de energia e entusiasmo. Sua ligeira desorganização não é suficiente para atrapalhar o andamento de seus projetos. No trabalho, pode-se dizer que, quando sob pressão e desafio, esta pessoa consegue sair-se melhor ainda”.

quinta-feira, dezembro 14, 2017

Feliz Natal


Os quadrinhos de guerra


Na década de 1960 os super-heróis, que sempre foram as estrelas dos gibis, entraram em crise. Os editores começaram a procurar outros gêneros, que pudessem chamar a atenção da garotada. A E.C. acertou a mão com o terror, mas seu sucesso teve um fim com a perseguição dos conservadores norte-americanos. Outras editoras tentaram o gênero romântico, com algum sucesso.
      Uma das iniciativas mais interessantes foram os quadrinhos de guerra, um gênero muito bem explorado pela DC Comics na revista Our Army at War. Foi nessa revista que surgiu o Sargento Rock, o mais famoso herói de guerra dos quadrinhos. O personagem foi criado por Robert Kaningher, um veterano escritor e editor de gibis. Ele é tido com um dos mais prolíferos autores do gênero, tendo publicado e escrito histórias da Mulher-maravilha, Canário Negro, Besouro Azul e Capitão Marvel, mas ficou conhecido mesmo por seus heróis de guerra.
      Kaningher criou o sargento baseando-se no lutador Rocky marciano, um grande ídolo do boxe norte-americano. Rocky jamais perdeu uma luta e sua grande arma era a obstinação. A primeira história do sargento Rock mostra justamente ele como lutador, numa narrativa paralela à sua atuação na guerra. Por pior que estejam as coisas, por maior que seja a dor ou a adversidade, ele sempre está de pé, dizendo seu bordão: ¨Vamos, lute!¨.
      Para ilustrar essa pequena HQ, que se tornou antológica, Kaningher chamou Joe Kubert, um jovem desenhista, mas que já se tornara um referencial de qualidade no meio. Ele havia criado, por exemplo, os quadrinhos 3-D, que precisavam ser lidos com óculos especiais e foram uma grande febre na década de 1950, rendendo dinheiro o suficiente para que ele comprasse sua casa. Kubert tinha um traço elegante e inovador para a época. Sua arte-final suja casou perfeitamente com o personagem durão.
      A primeira história do personagem, intitulada apenas como Rock, foi publicada na revista G.I. Combate 68.
      Mas a estréia oficial se deu com a história A Rocha da Companhia Moleza (The Rock of Easy Co.), publicada na revista Our Army at War 81, de abril de 1959. Por alguma razão, Kurbert não assumiu o desenho, que acabou sendo feito por Ross Andru e Mike Esposito. Nessa história o sargento ganhou um batalhão, a companhia moleza, composta de vários personagens carismáticos.
      A partir daí o personagem virou a grande atração da revista, ao ponto do gibi mudar de nome para Sargento Rock, na década de 1970.
      A revista foi publicada por 11 anos, sendo descontinuada apenas em 1988. Mas, mesmo assim, o sargento e sua companhia continuaram fazendo aparições especiais em aventuras de outros personagens.
      Outra grande criação da dupla Kaningher-Kubert foi Ás Inimigo. Criado na década de 1970, o personagem era um aviador alemão da I Guerra mundial, um homem que tinha como único amigo um lobo da floresta.
      Os roteiros de Kaningher descreviam em detalhes as batalhas aéreas, as táticas dos pilotos e as regras que regiam o comportamento dos mesmos. Kubert não ficou atrás e pesquisou pesado para caracterizar o personagem: ¨Como sempre fazia, fui a bibliotecas e livrarias atrás delas. Procurei saber o máximo sobre batalhas aéreas da 1ª. Guerra Mundial. Eu queria que os leitores aceitassem o Ás Inimigo como algo realmente crível, assim como eu havia aceitado a premissa da história. Então estudei os interiores dos aviões, seus detalhes e sua construção. Onde a madeira era usada? Qual era a aparência do esqueleto do avião? Descobrir as respostas para essas perguntas ajudou-me a compreender melhor qual a sensação de voar naquelas máquinas antiquadas¨.

      O resultado disso é que, embora Kubert tenha feito vários personagens de sucesso, o Sargento Rock e o Ás Inimigo são sempre os mais lembrados pelos leitores. 

Natal Fantástico


Algo que sempre me fascinou nas histórias de Natal é seu elemento fantástico. O conto de Natal, de Dickens, já apresentava diversos elementos de fantasia. O mesmo pode ser dito do filme mais famoso sobre o tema, Do mundo nada se leva, de Frank Capra. Assim, sugeri ao escritor Ademir Pascale a produção de uma coletânea reunindo esses dois elementos: fantasia e época natalina.
O resultado foi o e-book Natal Fantástico. A belíssima capa, de autoria de Marcelo Bighetti (que também ficou responsável pela ótima diagramação do livro) mostrava uma árvore de natal em meio a um ambiente de fantasia e ficção científica e refletia bem o conteúdo do volume. Eu colaborei com um conto, Canção de Natal com uma estrutura semelhante a outro conto famoso de Dickens: Os carrilhões. 
Clique aqui para baixar o e-book. 

Coleção histórica Marvel: Demolidor


Um dos volumes mais interessantes da coleção histórica Marvel é Paladinos Demolidor.
A Coleção histórica Marvel resgata histórias antigas de personagens da editora. Na grande maioria das vezes são histórias relativamente conhecidas, ou sagas famosas, republicadas.
A edição dedicada ao Demolidor, no entanto, é mais interessante. O que conhecemos dele é praticamente o que veio de Frank Miller em diante.  
Este volume faz um apanhado das fases anteriores do personagem, com os diversos desenhistas responsáveis por essas fases.
E foram muitos.
A começar por Bill Everett, criador visual do personagem. Dizem que Stan Lee bolou o personagem como forma de valorizar Everett, que havia criado Namor na década de 1940 e há tempos não desenhava quadrinhos. Colocá-lo em um título de super-heróis Marvel era uma forma de mostrar o mestre para a nova geração.
Mas Everett, que então trabalhava com publicidade, não deu conta e abandonou o título depois do primeiro número.
Aí veio Joe Orlando, logo substituído por Wallace Wood, que foi substituído por John Romita, que foi relocado para o título do Homem-aranha após a saída de Steve Ditko. Só aí entrou Gene Colan, o desenhista que passou mais tempo com o Homem sem medo.
A edição de Paladinos reúne histórias desses diversos artistas, numa belíssima amostra do estilo de cada um com o personagem (particularmente gosto muito de Wally Wood, que introduziu o uniforme vermelho, embora nitidamente ele não estivesse fazendo o que gostava e não se esforçou muito).
Do ponto de vista de roteiro, a história mais interessante do volume é “Eis que surge o Gladiador”.
Nessa historia, Stan Lee estava saindo de férias, e, após escrever as sete primeiras páginas, deixou o texto a cargo de um novato, Denny O´Neil. O´Neil (que pouco depois seria responsável por reformular o Batman na DC) mostra que tinha uma visão própria do Demolidor.
Na HQ, Foggy Nelson tenta convencer Karen Page de que é o Demolidor como forma de conquista-la e, sem querer, enfrenta um vilão, o Gladiador.
Ao ver os diálogos do amigo, o Demolidor percebe que suas falas parecem ridículas. De fato, Stan Lee parecia ver o Demolidor como uma espécie de Homem-aranha cego (o primeiro número inclusive fazia essa comparação, trazendo a capa do primeiro número do aracnídeo). O Demolidor de Denny O´Neil reflete: “Pareço bobo feito o Foggy! De agora em diante serei um combatente do crime do tipo fortão e calado”.
O roteirista também reflete sobre o vilão, Gladiador, antecipando seus problemas mentais que seriam depois explorados por Miller.
Essa pequena participação de Denny O´Neil teve pouco impacto sobre o personagem. Logo Stan Lee retornou das férias e o Demolidor voltou a ser o herói brincalhão, que fazia piadas com os vilões durante as lutas.

Mas anos depois, Denny O´Neil se tornou o editor do personagem e um jovem inovador chamado Frank Miller teve a oportunidade de reformular o herói. É de se pensar até que ponto as mudanças de Miller foram sugeridas por O´Neil. 

Livro mostra versão diferenciada de zumbis


Um som se espalha pela cidade (ou pelo estado, ou pelo país, ou pelo mundo?). Um som que ouvido transforma as pessoas em seres irracionais cujo único o objetivo são os instintos básicos de violência e fome. É o uivo da Górgona.
Acompanhe a história dos sobreviventes neste livro de terror, uma história de zumbis diferente, em que qualquer um pode se transformar, bastando para isso ouvir o terrível uivo da górgona.
Escrito em capítulos curtos, o livro transforma o suspense em elemento de fantasia, prendendo o leitor da primeira à última página. 
Pedidos: profivancarlo@gmail.com. 

200 perguntas sobre nazismo

200 perguntas sobre nazismo foi um livro que escrevi para a editora Escala lançado em banca no ano de 2009. Era um daqueles livros no estilo perguntas e respostas. O livro inteiro foi escrito no feriado do carnaval (na época eu escrevia muito rápido). A diagramação era interessante, com o uso de links, com informações sobre algo que era citado no texto (algo que seria usado profusamente pela Escala em outras publicações). Entretanto, era difícil identificar o título na capa e até meu crédito tinha que ser procurado pelo leitor no expediente. Posteriormente, a Escala lançou pelo menos duas revistas com conteúdo  retirado deste livro

Feliz natal