sábado, maio 19, 2018

O plano de Hitler para o mundo era um projeto estético?



Sim, Hitler queria criar um novo mundo, dominado por uma beleza ariana. O filme "Arquitetura da Destruição" (Suécia, 1989), de Peter Cohen mostra a evolução da proposta estética nazista.
Segundo do documentário, Hitler queria embelezar o mundo, mesmo que para isso fosse necessário destruí-lo.
Hitler, assim como alguns de seus mais próximos colaboradores eram intimamente ligados à arte. O ditador chegou a produzir algumas gravuras, que posteriormente foram usadas como modelos para obras arquitetônicas.
Os nazistas dizia que a arte moderna representava uma sociedade e um ser humano degenerados e estava relacionada ao bolchevismo e aos judeus. Hitler destacava a semelhança entre as figuras deformadas da arte moderna e as pessoas deficientes, provocadas, segundo ele, pela mistura de raças.
Em contraposição a isso, ele defendia o ideal de beleza ariana que fosse sinônimo de saúde. O mundo imaginado por Hitler seria domiando por homens e mulheres arianos, de corpos perfeitos e belos.
Para conseguir chegar a esse estágio ideal, era necessário eliminar a sujeira representada pelos judeus. Os nazista associaram a limpeza que deveria ser feita pelo trabalhador em sua casa e em seu local de trabalho, com a limpeza racial que deveria ser feita na Alemanha. .

Livro reúne contos de Lovecraft



Contos reunidos do mestre do horror cósmico é, provavelmente, o mais completo volume de Lovecraft já publicado no Brasil. É uma impressionante coletânea em quatro ciclos: Ciclo de Cthulhu, ciclo dos sonhos, miscelânea e juvenília. Para os fãs do pai do horror contemporâneo o volume traz a possibilidade de acompanhar a elaboração da mitologia lovecraftiana cronologicamente. Assim é possível perceber como o autor foi construindo essa mitologia. Ajuda também os pequenos textos que introduzem cada conto. Além disso há nada menos que nove textos sobre o autor e sua obra, desde uma biografia até a análises sobre a ideologia de Lovecraft aos filmes baseados em sua obra. 
O volume, em capa dura, foi financiado via Catarse (eu fui um dos que apoiaram o projeto). Atualmente pode ser comprado no site da editora: https://www.editoraexmachina.com.br/product-page/contos-reunidos-do-mestre-do-horror-c%C3%B3smico.

A arte espetacular de Dave Hoover


Dave Hoover foi um ilustrador, animador e quadrinista norte-americano. Ele é mais conhecido nos quadrinhos por seu trabalho nas séries Wanderes (DC) e Capitão América (Marvel). Também desenhou histórias do personagem Tarzan. Uma de suas características mais fortes é a sua haibilidade para desenhar mulheres. 












sexta-feira, maio 18, 2018

Grade ou matriz curricular?

É comum ouvir pessoas falarem de uma tal de "grade da escola", que deveria ser seguida rigidamente pelo professor. Mas o que é essa tal de "grade da escola"?
Para começar, não existe grade da escola. Quer dizer, existe. Algumas escolas têm grades nas janelas. Mas o que a pessoa, especialista em educação, deve estar se referindo é a "grade curricular", um termo que não é mais usado há muito tempo. Hoje usa-se matriz curricular.
Grade significação prisão: é uma normatização rígida da educação que não deixa margem para adaptações.
Um ótimo exemplo de grade curricular é a frase "Vovô viu a uva". Crianças do Rio Grande do Sul ao Amazonas eram alfabetizadas com ela. Crianças que nunca tinham visto uma uva aprendiam a ler com uma frase que não lhe dizia nada. Mas todos deviam seguir a grade curricular, então todos os professores, de norte a sul, seguiam a grade curricular.
Já a matriz curricular permite adaptações, é flexível.
Um exemplo. Certa vez, quando lecionava redação, cheguei na sala de aula e descobri que os alunos só falavam do fim do mundo. No dia anterior, uma matéria do Fantástico mostrara um grupo de fanáticos que acreditava que o mundo iria acabar aquela semana. O livro me indicava um determinado tema para a redação, mas eu o modifiquei. Fizemos um pequeno debate sobre o que os alunos achavam sobre a questão do fim do mundo e depois cada um escreveu uma redação sobre o tema.
Isso é matriz curricular.

Sonerd -Sugestão Literária - Parte 1 - Gian Danton - O Uivo da Górgona

Agulha Hipodérmica – o poder e os efeitos dos meios de comunicação de massa


Em 2002 eu organizei a coletânea Agulha Hipodérmica – o poder e os efeitos dos meios de comunicação de massa com vários artigos de pesquisadores brasileiros.
A teoria hipodérmica foi a primeira teoria da comunicação – e partia do princípio de que a mídia tinha poder absoluto sobre as pessoas, injetando seus conteúdos diretamente no cérebro da audiência.
Era influenciada pela experiência de Pavolv com um cachorro. O cientista russo percebeu que se tocasse uma sineta toda vez que dava comida ao cão o estímulo sineta era associado à comida e, depois de algum tempo, o simples som da sineta provocava a salivação. Isso gerou o esquema Estímulo-resposta, aplicado à comunicação com os teóricos defensores da teoria hipodérmica.
Embora esta seja a teoria mais antiga no campo da comunicação, este foi o primeiro livro exclusivamente sobre o assunto lançado no Brasil.

quinta-feira, maio 17, 2018

Qual a importância da guerra civil espanhola para os nazistas?



A guerra civil espanhola foi o principal campo de provas das novas técnicas de luta que seriam introduzidas pelos alemães.
A Alemanha enviou à Espanha centenas de carros de combate, aviões, artilharia, armamento individual e aproximadamente 5 mil especialistas militares, na maioria pilotos reunidos na Legião Condor.
Os estrategistas alemães usaram a Espanha para testar a guerra aérea, muito propagada pelos teóricos militares. Descobriram que os aviões da época eram deficientes para atingir objetivos estratégicos. Havia, por exemplo, a falta de precisão dos bombardeios. Isso levou os técnicos da Luftwaffe a desenvolverem um novo sistema de navegação, o X-Gerat e o Knickebein.
Os aviadores aprenderam a coordenar suas ações com as forças terrestres, fornecendo apoio e ágil poder de fogo. Os aviões junkers e Stukas tornam-se especialistas em bombardeamento em mergulho, que irá provocar muitas perdas nos combates da Polônia.
Os alemães compreendem que é necessário romper com as táticas em que os caças atacavam sozinhos, comuns na I Guerra. Assim, criam a formação de quatro, com dois pares, cada um contando com um líder e um ponteiro.
Mas o maior ganho dos nazistas com a guerra da Espanha foi a experiência adquirida pelos pilotos. Os que passavam pela escola espanhola voltavam para a Alemanha repassar sua experiência para os colegas, enquanto outros iam aprender na prática. Quando estoura a II Guerra Mundial, nem um outro país do mundo tem tantos pilotos experientes em combate.

Mata-me, ó Deus

"Mata-me, ó Deus", graphic com roteiro de Marcos Guerra e arte de Marcos Garcia e Carlos Alberto é um dos trabalhos mais instigantes lançados no FIQ.
O roteiro, que lembra muito Jodorowsky, trata de um mundo pós-apocaliptico em que os continentes foram invadidos pela água e o clima se tornou um perene inverno. 
Nesse mundo um viajante vai em busca de um alquimista em busca de ouro para reconstruir a economia do planeta. Mas o que encontra é algo muito além disso (difícil dizer sem spoiler).
Embora o texto seja preciso, poético, é uma história visual. E, nesse sentido, os dois artistas fizeram um trabalho fenomenal, que lembra muito o grande Watson Portela.
Filosofia, religião e uma arte realmente impressionante.

Hoje tem rádio pop!


Skreemer: a história de um gigante

Existem obras que, pela qualidade visual e literária, transformaram os quadrinhos na nona arte. Um exemplo disso é a minissérie Skreemer, de Peter Milligan (texto) e Brett Ewins (desenho). Os dois produziram uma obra que, embora tenha tido inspiração na literatura, não caberia num livro.
O tutor literário de Milligan é James Joyce, autor de Ulisses. Foi no livro Finnegan´s Wake que o roteirista se baseou para escrever sua HQ. Por sua vez, o livro de Joyce é uma referência a uma canção popular irlandesa, na qual um homem volta do mundo dos mortos após levar um banho de uísque.
Na história em quadrinhos, os EUA são dominados por gangues, que governam o país. O maior dos chefões é Sreemer, um homem frio, atormentado pelo destino.
Quando a história começa, a império de Skreemer está desmoronando. As outras quadrilhas o cercam, preparando-se para lançar o ataque final. Mas o gigante não pretende cair. Para isso, ele lançará sobre a cidade balões com um novo tipo de doença, contra a qual apenas ele tem a cura. Isso criará a instabilidade necessária para que a era da queda se perpetue.
Toda a história (seis capítulos) se passa na meia-hora, no máximo: enquanto espera a concretização de seu plano, Skreemer se lembra de seu passado. É aí que entra o grande charme de Skreemer: os flash backs. Fora a meia-hora de espera, todo o resto são lembranças do gangster.
Milligan ainda meteu pelo meio a história da família Finnegan, cujo patriarca se orgulha de ter o nome ligado a um livro de James Joyce que, como a vida, andava em círculos e era complicado demais para se entender.

Essa trama é usada para discutir, entre outros assunto, o destino, cuja mão implacável parece governar a todos. Skreemer se torna um MacBeth moderno, um monarca atormentado pelo estigma da traição e da queda, lutando para romper um futuro que parece inevitável. Mais que uma boa história em quadrinhos, Skreemer é um exemplo de como os quadrinhos superam, em alguns sentidos, até mesmo a literatura. A alternância entre cenas do presente e do passado é feita através de mudanças de coloração (opaca nos flash backs). Texto e desenho se unem para transmitir uma mensagem que permite várias leituras. 

quarta-feira, maio 16, 2018

Howard, o pato



A década de 1970 na Marvel foi a era dos quadrinhos estranhos, fora da caixinha. A regra parecia ser “não há regra” – e eram muitas as experimentações. Surgiram desde quadrinhos sobre heróis espirituais, como Warlock, até quadrinhos sobre artes marciais (Mestre do Kung-fu). Até personagens clássicos, como o Dr. Estranho, tiveram aventuras que saiam completamente do comum – com o personagem contracenando com uma lagarta fumadora, por exemplo. Tudo isso capitaneado por uma geração de hippies que aproveitou ao máximo a abertura que a indústria de entretenimento estava lhes dando naquele momento.
Mas nenhum quadrinho foi tão revolucionário, tão fora da caixinha quanto Howard, o pato.
 O personagem surgiu como coadjuvante em uma aventura do Homem-coisa, escrito por Steve Gerber e desenhado por Val Maverick.
O monstro se envolvia em uma trama de encontros de realidades e – entre os personagens que surgiam estavam um bárbaro e um pato falante. Ao final da história, o pato simplesmente sumiu em meio às realidades, desaparecendo da história.
Seria o fim dele, mas os leitores gostaram do personagem e começaram a escrever para a Marvel pedindo mais histórias com aquele personagem. Roy Thomas, editor-chefe da editora na época, achava que o personagem não se sustentaria num título, mas Gerber garantiu que daria conta do serviço e o personagem ganhou uma segunda chance, primeiro na revista do Homem-coisa, depois com título próprio. O desenho ficou sob a responsabilidade de Frank Brunner (que havia ilustrada a fase mais lisérgica do Dr. Estranho) e depois de Gene Colan.
E eram aventuras absolutamente subversivas. Howard, depois que quicar em várias realidades, vem parar na terra, onde encontra uma linda moça que seria sua parceira e passa a viver suas aventuras enfrentando os tipos mais estranhos, a exemplo do Homem-nabo (vindo de uma espécie de vegetais agressivos que superaram os limites de suas raízes para se tornarem empreendedores galácticos), O Pestana (um artista com sonambolismo) e muitos outros.
Em uma das histórias, a dupla é vítima de uma gangue de valentões e Howard se torna mestre de Quac Fu em apenas três horas de treino!!! Aliás, essa é uma das aventuras mais divertidas, uma belíssima brincadeira homenagem ao personagem Shang Chi, da Marvel desenhada por John Buscema.
Howard não parava. Em um momento ele estava enfrentando um mágico contador espacial, em outro estava na cidade grande se deparando com uma velha gorda e adepta de teorias da conspiração, em outro estava num castelo vitoriano caindo aos pedaços enfrentando um monstro Frankstein feito de biscoito. Em outras palavras: era piração em cima de piração.
O ponto alto desse processo é quando o Partido Noturno resolve lançar Howard como candidato à presidência – e este passa a ser alvo de todo assassino profissional do país.
O personagem fez tanto sucesso que se tornou filme, uma película pouco inspirada que tinha pouco a ver com toda a subversão dos quadrinhos.

O CONTO DO SÁBIO CHINÊS - Raul Seixas

Hermafroditas


Encontrei em um sebo daqui de Macapá uma coleção chamada Paradigmas, da editora Século Futuro. Pelo que pude perceber, é um vesão nacional de uma coleção chilena. A tradução escorrega em alguns termos (os golfinhos, por exemplo, são chamados de delfins em um artigo. O rei Salomão é chamado de Solomón em outro), mas os artigos de origem parecem ser bons, escritos por gente que entende do assunto. Cada livreto trata de quatro temas. O que mais me chamou atenção tratava da inteligência dos golfinhos, de visões da morte, de poderes psi e de hermafroditas.
            O texto sobre hermafroditas se revelou de um inusitado interesse histórico. Bem poderia constar no volume História Universal da Infâmia, de Jorge Luís Borges se fosse um pouco mais bem escrito.
            Os hermafroditas sempre existiram, apesar de durante séculos a medicina negar isso. Há uma grande variedade de pinturas e estátuas gregas sobre o tema. Os gregos pareciam ser fascinados pelo tema e explicavam o fenômeno através da união do filho de Hermes com a Afodite, que teria dado origem a um ser metade homem, metade mulher (ilustrando este texto, coloquei duas estátuas gregas sobre o tema). Mas os primeiros relatos históricos ocorrem a partir da Idade Média.
            Em uma delas o abade do mosteiro de Santa Genoveva descobriu que faltava dinheiro no tesouro do mosteiro e as suspeitas recaíram sobre um jovem que morava lá desde os 12 anos. O abade ordenou que fosse desnudado e açoitado. O rapaz se desesperou com a pena e pediu misericórdia. Disse que tinha nascido homem, mas que com o tempo percebera que era mulher. Nisso o verdadeiro ladrão foi pego. O abade pediu o exame de médicos, que chegaram à conclusão de que se tratava, de fato, de uma mulher. Ela passou a se vestir de mulher, casou-se e teve dois filhos.
            Casos como esse, como final feliz, são a excessão quando se trata de hermafroditas.
            Um caso que escandalizou a França no século XVII foi o de Marie le Marcis.
            Ela nascera mulher, de uma família pobre, que a colocou para trabalhar como camareira. Em das casas em que trabalhou, teve que dividir a cama com uma enfermeira viúva, Jeanne Lefébure. Na intimidade da noite, revelou a ela a curiosidade de sua sexualidade e as duas começaram a se relacionar.
            O amor foi crescendo e as duas decidiram se casar. Elas foram falar com Guillaume, pai de Marie, mas ela tentou convencê-las a mudar de opinião. Elas foram então procurar os parentes de Jeanne, que as aconselharam a consultar a penitenciária de Rouen. Para viajar, Marie se vestiu de homem e passou a se chamar Marin.
            As duas foram presas assim que se descobriu o caso e levadas a um tribunal. O juiz se viu sem saber o que fazer já que, apesar dos sinais aparentes de feminilidade, as duas declaravam que Marie era na verdade um homem. A viúva chegou a declarar inclusive que o seu sexo era perfeitamente capaz de realizar os atos maritais e que Marie, inclusive a satisfazia mais do que seu antigo marido.
            Uma junta de especialistas foi chamada e conclui que Maria não tinha nenhum sinal de virilidade.
            No julgamento, Marie reclamou que os supostos especialistas não haviam examinado seu sexo. Mas o processo estava encerrado e as duas foram entregues à Câmara do Conselho.
            O procurador do rei pediu ambas fossem condenadas, declarando-se culpadas com a cabeça e os pés descobertos, diante de uma igreja. Depois Marie seria queimada viva e seus bens confiscados. Jeanne assistiria à execução de sua cúmplice e depois seria açoitada e expulsa da região.
            Entretanto, antes que as penas fossem aplicadas, elas foram levadas ao Parlamento de Rouen, que pediu um novo exame de uma equipe de especialistas composta por 10 doutores em medicina, dois praticantes e duas parteiras.
            Marie foi examinada e a equipe declarou que não encontrou nela qualquer traço feminino, mas um dos médicos se revoltou com o exame superficial, já que a comissão havia se contentado com exames externos alegando que seria indecente apalpar o sexo da acusada. Mesmo diante da hojeriza dos colegas, ele examinou Marie e percebeu que ela era viril. Foi a salvação das duas, que foram inocentadas. Marie foi orientada a continuar se vestindo de mulher até os 25 anos e foi proibida de manter relações sexuais com qualquer pessoa, sob pena de morte.
            Pouco tempo depois, uma disputa por poder revelou outro famoso famoso caso de hermafroditismo na França.
            Nessa época a abadessa do Convento das Filhas de Deus cedeu seus benefícios eclesiásticos à sobrinha, senhorita d´Appremont. Mas havia uma outra pretendente ao cargo, irmã Damilly, que, em sua ofensiva, acusou d´Apremont de ser hermafrodita.
            O advogado de defesa alegou a lei de Longi tempori preascriptione, segundo a qual não se deve perturbar aqueles que estão de boa fé, na posse de algo por mais de 20 anos. A freira possuía sua feminilidade há mais de 50 anos e, portanto, seu sexo não poderia ser questionado. Além disso, a religiosa se opunha a qualquer exame: Não há nada de mais vergonhoso que este exame para o qual nem a noite tem suficiente escuridão, nem a natureza suficientes véus".
            O caso foi levado à corte eclesiástica de Chartres e se recorreu apenas a testemunhos de pessoas que diziam ter feito sexo com a religiosa. Como consequência, d´Appremont foi considerada culpada de abusar dos dois sexos e condenada a ser enforcada e depois queimada.
            O advogado da condenada apelou e conseguiu que a freira fosse examinada por especialistas, que concluiram que d´Appremont tinha os dois sexos. Ela foi, então, condenada a ser presa e açoitada e todos os seus bens foram confiscados.
            Outtro caso que angariou atenções na França e serviu de exemplo por parte dos iluministas, de que era necessária uma era de razão foi o Jean-Baptiste Grandjean. Ele nasceu mulher, com o nome de Claudine, mas aos 14 anos começou a perceber alterações não só físicas, mas também emocionais. Ela só se interessava por moças. A pedido do pai, foi se confessar com um padre, que disse que ela deveria se vestir de homem, pois continuar se vestindo de mulher seria cometer pecado contra a religião.
            Assim Claudine virou Jean-Baptiste e chamou a atenção de todas as moças da região. A primeira a manter relações com ele foi uma tal de Legrand, que seria fatal para o hermafrodita.
            Algum tempo depois ele conheceu Françoise Lambert e se casou com ela. Quis um destino que um dia a esposa se encontrasse com a antiga amante do marido, que a alertou para o fato de que seu esposo era um hermafrodita.
            A mulher consultou um confessor, que a aconselhou a não ter mais intimidades com o marido até que o caso fosse esclarecido. O casal ficou de visitar o Vigário, mas antes que isso ocorresse, Legrand já havia espalhado para todos o caso.
            A história chegou ao ouvido do Procurador, que ordenou a prisão de Jean-Bapitiste e posterior exame.
            Uma comissão designada concluiu que, embora tivesse traços de virilidade, a pessoa em questão era uma mulher.
            Grandjena foi condenado por profanar o sagrado sacramento do casamento. Seri exposto em praça pública por três dias, açoitado e ficaria em prisão perpétua.
            O rapaz apelou ao parlamento e passou a ser defendido pelo famoso advogado Verneil. Este analisou melhor o relatório dos especialistas e concluiu que seu cliente tinha sexualidade indefinida. Ele alegou que seu cliente tinha presunção de boa-fé, o que atenuava o delito.
            O parlamento admitiu a argumentação e absorveu o réu, mas também anulou seu casamento e impediu-o de casar novamente. Foi o último caso de hermafrodita levado aos tribunais.

Os quadros vivos do festival de Laguna Beach

Os tableaux vivants (quadros vivos) são uma tradição medieval que sobrevive hoje no festival de Laguna Beach, na Califórnia. Todo ano, centenas de atores se oferecem para reproduzir obras clássicas da arte mundial.
As representações, que duram em média 5 minutos, impressionam pelo fato dos mínimos detalhes dos quadros serem reproduzidos, inclusive sua textura, graças a um trabalho de iluminação, cenário e maquiagem e maquiagem. Até mesmo capas de quadrinhos são homenageadas. Confira abaixo algumas reproduções:  










terça-feira, maio 15, 2018

Mentira de artista e o fake na arte

Mentira de artista, de Fabio Fon é um livro fundamental para quem quiser entender a arte contemporânea. 
Fábio se debruça sobre casos em que a arte utilizou o fake como elemento criador - estratégia antecipada na frase de Picasso, segundo o qual a arte é uma mentira que revela a verdade. 
A estratégia não é nova. Edgar Allan Poe, inovador como sempre, a usou no episódio conhecido como A balela do balão, em que criou uma viagem imaginária da França aos EUA a bordo de um balão e provocou furor entre os leitores do jornal The Sun.
Mas Fábio se concentra na arte contemporânea, e não por acaso.
Num mundo de simulacros, em que é cada vez mais difícil separar realidade de ficção, a arte se torna essencial para refletirmos sobre esses processos.
Os capítulos vão desde artistas fakes a robôs que se fazem passar por artistas, passando pelo ótimo filme F for Fake, de Orson Welles, o mesmo que protagonizou o episódio Guerra dos Mundos, em a dramatização do clássico livro de H.G. Wells foi tida como verdade e provocou alvoroço nos EUA (tanto Welles quanto Wells foram processados e ambos absolvidos).
A arte que lida com o fake é algo tão novo e perturbador que mesmo entre os estudiosos da arte, muitos não consideram arte, até porque muitas dessas obras contestam até mesmo as noções atuais do que é arte ou do que legitima uma obra como artística.
Mas arte é exatamente isso. A arte verdadeira não conforma, não nos acomoda em nossas noções cristalizadas, mas nos faz pensar, refletir e colocarmos em cheque nossas convicções. E o livro Mentira de artista apresenta vários casos em que a arte fez exatamente isso.

Brick Bradford


O segundo herói de ficção científica foi Brick Bradford, escrito por Willian Ritt e desenhado por Clarence Gray. Bradford apareceu pela primeira vez na tira diária de 21 de agosto de 1933 no New York Journal.
Embora criado para concorrer com Bucky Rogers, não era um simples decalque do mesmo. Ritt tinha fixação em antigas civilizações e dotou seu herói de uma cromosfera (uma espécie de pião) que lhe permitia viajar no tempo.
Curiosamente, a viagem mais famosa de Bradford não foi uma viagem histórica, mas científica. Em viagem ao interior de uma moeda, o herói e seu amig, o sábio Kalla Kopak, são miniaturizado e transportado para dentro de um átomo. Lá ele encontra vestígios de civilizações antigas, faunas e floras primitivas, mundos habitados por pessoas muito semelhantes aos humanos. A viagem termina com os dois voltando ao tamanho normal, no laboratório, alguns minutos depois de os terem deixado.
Essa aventura teve papel essencial na difusão do modelo atômico, até então pouco conhecido. Para isso, o roteirista usou um estratagema inteligente: comparou a estrutura do átomo com o sistema solar, o que permitiu que milhões de garotos no mundo inteiro tivessem seu primeiro contato com a estrutura atômica.
Bardford fez tanto sucesso que chegou a ganhar um seriado matinê, em 12 capítulos, estrelado por Kane Richmond.

Ritt se cansou de escrever o personagem e abandonou a série em 1948. Grey parou de desenhar as tiras do personagem em 1952, por problemas de saúde. Em 1952, Paul Norris assumiu a tira diária. Em 1956, Norris começou a fazer também as páginas dominicais e continuou no personagem até 1987, quando se aposentou.

O que foi a guerra civil espanhola?



Em 1936 um governo de coalização de esquerda foi eleito na Espanha. A União Militar Espanhola, associação militar de caráter ultra-direitista e anti-republicana, preparou um golpe para derrubar o novo governo, mas os planos vazaram e os republicanos prenderam José Antonio Primo de Rivera, da Falange Espanhola Tradicionalista, e os principais generais de direita foram transferidos para localidades distantes. O general Manuel Goded foi enviado para as ilhas Baleares e o general Franco para as ilha Canárias.
Parecia que a ameaça de um golpe estava eliminada, mas novos acontecimentos políticos mudaram a situação. A discussão sobre as reformas estruturais, entre elas a reforma agrária, ganharam as ruas. Camponeses confiscavam terras de grandes proprietários, greves ocorriam em todo o pais. Como a Igreja estava nitidamente do lado dos grupos de direita, seminários e conventos eram incendiados. Essa agitações fizeram com que a burguesia moderada e católica se aliasse aos militares fascitas.
A revolta militar teve início em 17 de julho de 1936, nas cidades marroquinas de Melilla, Ceuta e Tetuán, mas logo se alastrou por toda a Espanha. O general Francisco Franco assumiu o comando do exército e estabeleceu contato militar com outros chefes militares que temiam o “perigo vermelho”.
Em julho daquele ano, Franco foi noemado pelos militares como Dirigente Máximo da Espanha Nacionalista.
O exército praticamente todo estava do lado de Franco. Os republicanos só contavam com os policiais e as massas de voluntários. Entre os republicanos havia os mais variados grupos, de anarquistas a democratas. 
Iniciou-se uma guerra civil que chamou a atenção do mundo. Voluntários vieram de diversos países para lutar contra os fascistas, entre eles o escritor inglês George Orwell, que posteriormente ficaria famoso com os livros A revolução dos bichos e 1984. A Rússia enviou armas e aviões para os republicanos, enquanto a Alemanha e a Itália abasteciam os nacionalistas.
Depois de uma severa resistência por parte das milícias populares, Franco finalmente entrou em Madri no dia 28 de março de 1939, instalando uma ditadura fascista.
Poucas pessoas perceberam isso na época, mas o resultado da Guerra Civil Espanhola iria traçar os caminhos da Europa a partir daquele momento. 

segunda-feira, maio 14, 2018

A arte exuberante de Rubens

Peter Paul Rubens é um dos principais artistas do barroco. Pintou para reis, nobre e igrejas, sempre com uma imagem monumental de exuberante dos acontecimentos. Seus quadros religiosos estão entre os mais famosos do período. Seu ideal de beleza era de mulheres que hoje seriam consideradas gordas. Uma das suas obras mais conhecidas é a série sobre Maria de Médice, Rainha da França. Rubens conseguiu transformar a vida frívola da Rainha em verdadeiras cenas épicas.